Venceu, mas segue sem convencer – ANÁLISE TÁTICA BRASIL 1 X 0 URUGUAI

Brasil e Uruguai se enfrentaram nesta sexta-feira na Inglaterra. A seleção brasileira tinha alguns desfalques importantes por lesão, como Marcelo, Casimiro e Phillipe Coutinho. Do outro lado, Oscar Tabarez também tinha muitas ausências, principalmente na defesa. Sendo assim, o comandante Tite optou por manter a característica e escalar Wallace na vaga do volante do Real Madrid. Filipe Luis como esperado foi o titular na lateral esquerda. Renato Augusto compôs o meio ao lado de Wallace e Arthur. O Brasil atacava no 4-3-3, porém com variações, mas utilizava pouco a amplitude, facilitando assim a marcação do Uruguai. Na marcação, a seleção optou por um 4-4-2, com Firmino e Neymar à frente.
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Imagem: Onefootball
  • O Brasil foi escalado no 4-3-3, porém flutuava e movimentava às peças nos lances ofensivo. Enquanto na marcação, atuou no 4-4-2, dando “menos” responsabilidade de marcação ao Neymar.
O jogo começou muito brigado e concentrado no meio campo. Nos minutos iniciais foram vistos muitos desarmes, faltas e “perde-ganha” no setor.
O Brasil desde o começo, apostou na saída apoiada, inclusive utilizando bastante o goleiro Alisson, como de costume. Wallace era o volante responsável por iniciar a construção, Arthur ficou a maior parte da primeira etapa mais à direita e Renato Augusto mais à esquerda. Este último, porém, teve muita dificuldade em se apresentar pro jogo e não viu suas tentativas de infiltraçao surtirem efeito.
No ataque, Tite optou pelos pontas construtores, com os pés trocados, buscando o jogo pelo meio. Douglas Costa, canhoto, jogava pela direita e Neymar, destro, pela esquerda, mas o camisa 10 tinha muita liberdade para se movimentar e flutuar pelo meio, como de costume. Firmino, que substituiu Jesus por opção de Tite, tentava através de sua movimentação (principalmente caindo pela esquerda), gerar espaços na defesa uruguaia para infiltração de Renato Augusto. Mas quando o centroavante saía da área, era Douglas Costa que centralizava e ficava responsável por dar profundidade à seleção brasileira.
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Imagem: Globo
  • Neymar com a posse pela zona central, enquanto Firmino movimentava-se fora da área. Com o espaço vago, Douglas Costa centralizava-se e buscava dar profundidade. Entretanto, não funcionou, pois o Brasil não conseguiu penetrar na defesa adversária.
Desde o início o Uruguai mostrava muita disposição para jogar sem a bola. Não foram poucas as vezes que a seleção celeste subiu a marcação e tentou pressionar a saída de bola brasileira.
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Imagem: Globo
  • O Uruguai pressionando com suas linhas altas, até recuperar a posse. Além de pressionar o portador, diminuíram os espaços dos jogadores que eram opções para um possível passe do atleta que detinha o domínio da bola. Luisito Suárez quase abriu o placar.
Os minutos foram passando e o Brasil mesmo com a posse se mostrava com dificuldades para criar um volume efetivo no ataque, era um time sem ritmo e que tocava apenas uma nota: jogada pela esquerda, tentativa de jogada individual de Neymar, e só. Os laterais eram pouco participativos, exploravam pouco o corredor criado quandos os pontas tentavam as jogadas por dentro. Walace fazia o básico, mas de forma eficaz, protegia a entrada da área e fazia corretamente o primeiro passe do meio campo. Arthur não conseguia ditar o ritmo do meio campo como de costume, além de ter sido menos eficiente que o normal. Algumas razões para isso, pode ter sido o jogador do Barcelona ter jogado por um lado que não é tão acostumado, a falta de aproximação dos seus companheiros e também a formatação do meio campo pensado por Tite, restringindo um pouco seu raio de atuação.
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Imagem: SporTV
  • Neymar sempre com o domínio da posse, entretanto levou pouquíssimo perigo ao perímetro adversário. Arthur ficou estagnado no lado direito, o médio inferior não consegui ditar o ritmo e dar dinâmica, não fluiu ao lado de Wallace e Renato Augusto.
A equipe celeste marcava num 4-1-4-1 ou no 4-5-1 e contava com boa participação de Torreira na marcação e na primeira distribuição de jogo. Os uruguaios tiveram muito comprometimento defensivo, por exemplo o atacante Cavani, atuou por diversos momentos como “auxiliar de lateral”, para ajudar a conter o ataque canarinho com Filipe Luis, Renato Augusto e Neymar do lado esquerdo. Mas era através das bolas paradas, ou dos desarmes no último terço que o Uruguai conseguia suas jogadas de maior perigo.
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  • Uruguai marcando no 4-5-1, todos os setores próximos e marcação compactada nos jogadores brasileiros. Cada uruguaio fica responsável por vigiar um atleta da seleção canarinho. Observem a movimentação e obediência tática do Cavani, fundamental na recomposição.
Pra segunda etapa, a seleção de Suarez e Cavani começou bem melhor e mais perigosa. Ainda com marcação alta e mais agressividade, foram eles os donos das três primeiras chances da segunda etapa.
Vídeo: Globo
  • A Celeste voltou pressionando e criou às primeiras oportunidades da segunda etapa, levando perigo e dando trabalho ao goleiro Alisson.
O Brasil continuava insistindo nas jogadas com Neymar, que insistia em prender a bola e diminuir a velocidade e dinâmica dos ataques. Novamente, o Brasil era mais perigoso quando apostava nas jogadas de linha de fundo, apostando nos duelos individuais pelos flancos.

Vídeo: Globo

  • Neymar foi quem mais chamou a responsabilidade e tentou criar jogadas ofensivas, entretanto, em alguns momentos o camisa 10 prendeu muito a bola e desperdiçou bons contragolpes.
Mas foi apenas com a entrada de Allan e Richarlison (nos lugares de R. Augusto e Douglas Costa) que o Brasil conseguiu controlar o ritmo da partida e ser mais efetivo. Coincidentemente ou não, foi quando os dois destros que entraram, começaram a jogar pelo lado direito, dando assim, mais amplitude que jogadas por dentro. A velocidade de ataque aumentou, Arthur foi pra esquerda e o Brasil ganhou a jogada em facão com Richarlison, quando a bola estava no lado oposto. Firmino continuou centralizado e muito tímido na partida, mas os espaços foram melhores aproveitados, com a chegada dos volantes a frente e os pontas infiltrando na hora certa.
Vídeo: Globo
  • Neymar ao trazer a bola pelo meio, fez belo lançamento para Richarlyson, o atacante infiltrou-se atrás da última linha de marcação adversária e atacou o espaço, desperdiçando boa oportunidade.
Mas foi apenas numa jogada polêmica, e um pênalti marcado, que o Brasil conseguiu abrir o placar, com Neymar.
Vídeo: Globo
  • Em uma das poucas investidas ao ataque, o lateral-direito Danilo sofreu pênalti. Na cobrança, o capitão Neymar fez o gol da vitória.
Muito pouco para uma seleção com tantos talentos individuais e tantas alternativas coletivas. Essa, aliás, é uma crítica a atuaçao de Tite na partida. Demorou a alterar e testou poucas variações e opções, mesmo com jogadores úteis de diferentes formas como Allan, Fabinho, Arthur e Firmino. O Uruguai, por muitos momentos na partida, conseguiu se defender de forma inteligente e intensa e ao mesmo tempo levar perigo a meta de Alisson, que precisou fazer pelo menos três intervenções importantes para consolidar a vitória.
Vídeo: Globo
  • Confira uma das boas defesas do goleiro Alisson, após finalização de Cavani. O centroavante uruguaio infiltrou-se atrás de Filipe Luís e arrematou para o gol.
@analisevasco @12brenobarbosa
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