São Paulo e Grêmio empatam em jogo sonolento – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 1 X 1 GRÊMIO

Por Pedro Galante e Maurício Wiklicky

O São Paulo recebeu o Grêmio no Morumbi, em uma disputa direta pelo quarto lugar e a vaga direta para a Libertadores.

O tricolor paulista fez seu primeiro jogo desde a demissão de Diego Aguirre, o comandante foi o interino André Jardine, que já atuou no Grêmio e que ao que tudo indica deve ser efetivado para a próxima temporada. É importante destacar que o time que foi visto em campo não tem nenhum conceito colocado por Jardine, o que se pôde perceber foram detalhes sutis que revelam como o treinador pretende desenvolver seu trabalho, mas nada conclusivo. Do outro lado o Grêmio de Renato, que junto com Mano Menezes, são os treinadores com mais tempo no comando de um time da Série A. Uma exceção que gera resultados.

A escalação do São Paulo contou com a volta ao 4-2-3-1 com Nenê armando, Everton e Helinho pelos lados e Trellez como centroavante já que Diego Souza e Carneiro estão lesionados. O Grêmio também atuou no seu já habitual 4-2-3-1, mas com vários desfalques: Grohe, Leo Moura e Gomes, Kannemann e Luan, principalmente ele, ao qual falaremos muito ao longo dessa análise.

O primeiro tempo foi bem morno, travado no meio campo e com poucos chutes a gol. Quando atacava, o São Paulo contava muito com o apoio de seus laterais, sempre encostando no pontas. Hudson e Jucilei ficavam mais fixos, dando sustentação. Faltava movimentação pelo meio, Nenê foi muito pouco produtivo nesse aspecto. O Grêmio se recente muito da falta de Luan, jogador que cria jogadas e espaços. Mesmo com a entrada de Jean Pyerre no lugar de Cícero, centralizado na linha de 3 do meio campo, o tricolor gaúcho careceu de criatividade. Luan é fundamental para o esquema de Renato.

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São Paulo no ataque. Jucilei e Hudson dão segurança, mas falta jogo entrelinhas. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Detalhando as relações entre ponta e lateral. Pela esquerda, Everton ficava mais preso à linha de lado, enquanto Reinaldo atacava por dentro, inclusive auxiliando na saída de bola. Pela direita, era o inverso. Helinho buscava puxar para dentro e usar sua perna esquerda e Bruno Peres usava o corredor, na saída de bola, enquanto Reinaldo aproximava, ele afastava e abria o campo.

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Saída de bola. Reinaldo auxilia, Peres abre o campo. Helinho soma por dentro, Everton ataca o corredor. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Defensivamente, o time defendia em 4-4-2 com Nenê ao lado de Trellez. O bloco ficava quase todo no próprio campo e somente os dois jogadores a frente faziam pressão, que tinha muito mais o intuito de diminuir o espaço do que roubar a bola de fato. Essa defesa compacta dificultava as ações do Grêmio. Como na imagem abaixo Maicon fazia a saída de bola, a chamada saída de 3. Porém sem ninguém com grande movimentação entre as linhas, novamente a falta de Luan, Maicon não tinha opções de passe, pois os jogadores não criavam espaços para si e nem para os demais, coisa que Luan faz como ninguém no Brasil. Ao mesmo tempo Maicon também sente o fim da temporada e não consegue imprimir velocidade nos lances. Esses dois fatores culminam em uma atuação quase nula do Grêmio ofensivamente no 1° tempo.

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Defesa em bloco médio, Trellez diminuindo o espaço do portador da bola. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

As duas equipes voltaram para a segunda etapa mais dispostas. O Grêmio exerceu um certo controle e chegou ao gol aos 12 minutos. É preciso destacar a péssima marcação dos laterais são-paulinos. Madson, muito criticado e que fez péssimas atuações até mesmo no time de transição, infiltra nas costas de Reinaldo com facilidade e Bruno Peres marca mal e permite que Everton Cebolinha, com apenas 1,76m marque de cabeça. Gol que lembrou o primeiro gol contra o Vasco, onde Leo Moura cruzou para Jael quase dentro do gol.

Depois do gol o São Paulo caiu de rendimento, já não conseguia mais fazer as jogadas pelo lado e o meio campo continuava inutilizado. Jardine fez duas mudanças quase que seguidas, Helinho – cansado – por Antony aos 25, e Nenê por Shaylon aos 28. A ideia era recuperar as jogadas pelo lado e aproveitar a entrelinha com Shaylon. Pelo lado gaúcho, Renato substitui Jean Pyerre e coloca Cícero. Se o Grêmio não tinha o controle do meio campo com Jean Pyerre, que é mais próximo de Luan e tem tudo para disputar uma vaga no time titular no próximo ano, com a entrada de Cícero deu campo ao São Paulo atacar, sem qualquer controle do jogo, característica marcante do Grêmio de Renato.

Um minuto depois de sua entrada, Shaylon recebeu na entrelinha, girou e abriu para Everton, que cortou para trás e cruzou. Michel, improvisado como zagueiro após a lesão de Paulo Miranda, tentou afastar a bola mas acabou marcando contra.

Jardine ainda trocou Hudson por Liziero para buscar a vitória. O time não conseguiu criar chances claras, muito por causa de Geromel que se impôs sobre Trellez. Aliás Geromel mostrou mais uma vez por que é o melhor zagueiro do futebol brasileiro.

Ações de Geromel contra o São Paulo.

Fonte: Instat

Para o São Paulo, pelas circunstâncias é um resultado decente. Para o Grêmio, que pelos critérios de desempate está na 4a posição, jogando fora de casa contra seu adversário direto e com inumeros desfalques, foi um bom resultado. Mas para ambos times um desempenho foi razoável para ruim. Não dá para esperar que Jardine dê a sua cara a esse time em cinco rodadas apenas. E não dá para cobrar de Renato e os jogadores a mesma motivação de uma Libertadores.

@pedro17galante

@mwgremio

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