A história de um clube doente ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 1 X ATLÉTICO PR

Por Ricardo Leite

bb fut

Vamos falar de futebol sim, de tática também, mas para o texto de hoje é preciso sair um pouco desse mundo. O Vasco vive algo que parece inexplicável, sobrenatural e que o clube vive entregue ao azar e ao acaso. Mas não é verdade. Todo esse ciclo vicioso e prejudicial tem não apenas uma, mas muitas causas. A primeira delas é incompetência. Incompetência para gerir, incompetência para avançar, incompetência para modernizar, para crescer, para contratar, e até para curar e prevenir (no caso das lesões). O caos político que habita no clube há anos também é uma razão fortíssima. E com esse problema, vem a sede de poder a qualquer custo que está presente em muitos dirigentes e pessoas que vivem a política do clube. No Vasco a “opinião” de 300 se sobrepõe a de milhões (torcedores) e de milhares. No Vasco não há mais política, apenas politicagem. E tudo isso se reflete no planejamento (inexistente), na política(?) de contratações, e na absurda e assustadora incompetência do Departamento Medico e Fisiológico do clube, que é hoje, com a absoluta certeza, o maior adversário do Vasco dentro do campo. Para entender mais sobre isso, leia o texto do amigo André Schmidt.

Sobre a partida desta quarta, o Vasco enfrentou o Atletico PR, com São Januário 100% vascaíno, já que não teve a presença de torcida visitante. E surpreendentemente, o Vasco apresentou uma característica que faltou a equipe durante todo o campeonato: intensidade. Bom, pelo menos até os 20 minutos do primeiro tempo. A equipe cruzmaltin foi a campo, sem a presença de Martín Silva (convocado), Werley (lesionado), Luis Gustavo (poupado por desgaste), Pikachu (suspenso) e Máxi Lopez (corte no pé). Com isso, Raul, volante de origem jogou como lateral direito. Valentim optou também por utilizar Kelvin e Rildo nos extremos e Galhardo como articulador. Deu certo. O meia fez excelente exibição e participou ativamente da construção das jogadas vascaínas. Se movimentou, flutuou, finalizou, criou grandes jogadas, arrancou e até marcou. O Vasco tinha velocidade e verticalidade, e explorava muito o facão em diagonal dos pontas.

Se com a bola, o Vasco fazia uma exibição excelente, apresentava muitos espaços na transição defensiva. E foi dessa forma que viu dois jogadores saírem lesionados. Ramon voltava correndo para tentar interceptar um lançamento que deixaria Marcelo Cirino cara a cara com Fernando Miguel. E foi nessa tentativa que torceu o joelho e saiu de campo para não mais voltar nesse ano. Lesão no ligamento. Poucos minutos depois, Rildo, também voltando para interceptar um passe na lateral, sentiu lesão muscular na coxa que o tirou da temporada. Se na lateral, Valentim fez o simples e colocou Henrique, para a saída do atacante, o comandante optou pela entrada do meia Giovanni Augusto, mudando as características da equipe.

O Vasco sentiu o cansaço (sim, com 30 do 1º tempo), sentiu também as lesões, e viu o Atlético terminar a primeira etapa mais organizado e mais perigoso que a equipe da casa. Vale destacar que o Vasco se comportava com variações do 4-4-2 para exercer a marcação, e jogava com os pontas com pé trocado, o que facilitava o diálogo deles com o meia, e abria espaço no corredor para os laterais, mas o Vasco explorou pouco este aspecto e viu ambos laterais serem tímidos no apoio ofensivo.

Os volantes melhoraram bastante seus desempenhos em relação ao último jogo, principalmente no tocante ao jogo com a bola e a transição pro ataque. Sem a bola, às vezes davam espaços na entrada da área por conta do apoio aos laterais.

Na segunda etapa, o Vasco voltou novamente com mais ímpeto no ataque, mas a saída apoiada e tranquila do Furacão ia minando o pouco físico restante, e abaixando o ritmo do jogo, e sem pressa o visitante também ia chegando e construindo suas chances. Até o lance do pênalti a favor do Vasco, a equipe cruzmaltina já tinha perdido pelo menos três chances claras desde o primeiro tempo. Mas novamente, só conseguiu chegar ao gol, através da penalidade máxima. Após abrir o placar, o Atlético alugou o campo de defesa vascaíno e aumentava a pressão progressivamente, mas o Vasco conseguia ter o contra ataque e perdeu pelo menos mais três boas oportunidades de matar o jogo. Ao sentir o cansaço, Kelvin, que fez boa partida, pediu pra sair e Valentim optou por “fechar a casinha” com Desábato, e abdicar do contra ataque. Foi possível ver o Vasco se defender com 5 e até 6 na primeira linha. Mas como o futebol não perdoa covardia, e tudo que falamos no primeiro parágrafo parecia pesar, com requintes de crueldade, faltando 20 segundos para o apito final, no abafa o Atlético chegou ao empate, fora de suas características e depois de um desvio e uma furada grotesca de Raul.

Dolorido, complicado e muito preocupante. O Vasco possui uma tabela perigosa e dificílima, e apesar do desempenho dos dois últimos jogos terem apresentado momentos de evolução os resultados foram terríveis. O cenário é caótico e um possível rebaixamento pode ser determinante no futuro do clube. Vai ser com emoção até o final e a torcida mais uma vez terá papel fundamental para salvar o Club de Regatas Vasco da Gama.

Foto: Vasco da gama

@analisevasco

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