Os recursos e alternativas do Paysandu na luta contra a queda

Por Mathaus Pauxis

IMAGEM 1Foto: Ascom/Paysandu

Chegando à reta final do Brasileiro, o Paysandu continua na briga contra o rebaixamento e inicia uma sequência difícil fora de casa. Neste sábado, o Papão visita o Guarani, às 20h (Belém), no estádio Brinco de Ouro, em São Paulo. Na terça estará em Santa Catarina, onde duela contra o Figueirense, no estádio Orlando Scarpelli, às 18h15. Os jogos valem pela 36ª e 37ª rodada da Série B, respectivamente.

Para essa odisseia longe de Belém, João Brigatti convocou 23 jogadores. Analisando as características destes atletas e o modelo de jogo implementado pelo treinador, o Papão deve se posicionar destas duas maneiras.
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Formações base do Paysandu
Uma delas é o 4-3-3 com um meio-campo mais físico (podendo ser descrito como 4-1-2-2-1), com Nando Carandina protegendo a defesa e com a presença de Willyam. A segunda conta com um armador, neste caso Pedro Carmona. O desenho passa a ser uma espécie de 4-2-3-1 (em miúdos,  4-2-1-2-1). A principal diferença dessas duas formações é a presença deste homem de criação, que muda a forma como a equipe atua.
4-3-3 – Força + Velocidade = Solidez
Nesta formação, a característica é a força, somada à velocidade, que gera certa solidez defensiva. O Paysandu tem hoje a quarta pior defesa da Série B, com 46 gols sofridos em 35 jogos (1.31 gols sofridos por partida). Antes de João Brigatti, o Papão tomou dois gols ou mais em 9 das 25 partidas (36%), com o treinador este número é de 2 em 10 jogos (20%). Porém, nestas duas partidas (2-3 Goiás e 4-3 Oeste), o time sofreu os gols sem estar jogando com os três interiores defensivos (“volantes”).
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(4-3-3 do Paysandu)
4-3-3 – Momento Defensivo
Nando protege a defesa e em alguns momentos volta para fazer uma linha com os zagueiros, os pontas recuam e fecham a linha de 4 com os centrais, enquanto Hugo Almeida se posiciona à frente para receber o passe longo na hora da transição ofensiva.
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Um ponto importante também é a pressão feita por Renato e Willyam. Quando Hugo marca o zagueiro da esquerda adversária, por exemplo, Renato Augusto faz pressão no da direita e Nando se aproxima para fechar a linha de 4 novamente. Esse movimento atrapalha a saída de jogo e impede que o adversário tenha espaço para pensar a jogada e usar os lançamentos longos com tranquilidade. Neste momento, o time costuma se posicionar em 4-1-4-1 ou no 5-4-1, quando Nando “afunda” na linha de defesa – dependendo da maneira como o adversário vai atacar.
4-3-3 – Momento Ofensivo
Quando vai atacar, Renato infiltra verticalmente (já marcou gols assim) e Willyam abre mais pela direita, acompanhando este movimento, Mike fecha mais e Magno prioriza o jogo aberto. Maicon e Guilherme tendem a gerar amplitude (abrindo e avançando ao mesmo tempo, para alargar o jogo). Nesta formação, a presença de Willyam é importante para usar as ultrapassagens e a jogada lateral – o foco ofensivo de João Brigatti. Como não há um cara com o passe qualificado, o time ataca ocupando o espaço e tentando deixar o passe mais curto possível, até chegar à linha de fundo (muitas vezes com o 1-2) e cruzar para a área.
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Na hora dos cruzamentos, o central do lado oposto (se Maicon cruzar, Renato é este cara), invade a área para receber no segundo poste ou espera na entrada da área para finalizar. Mike e Magno também entram na área, enquanto o central do lado da jogada (neste exemplo, Willyam), normalmente iniciou e ainda está aberto.  Nando Carandina recua para proteger a defesa e formar uma linha de 3 com os zagueiros.
A principal característica dessa formação gera críticas dos defensores do “futebol clássico”. Por, teoricamente, jogar com três volantes. Porém, as características deles são diferentes e esse time gera ofensividade sim, tanto que no primeiro tempo contra o Oeste o time criou três chances claras e chutou cinco vezes dentro da  área. Esta é a alternativa mais “segura” que João Brigatti tem e deve ser a pensada no início. Caso Thomaz entre, ele ocupa a vaga de Magno e o Papão passa a ter mais criatividade, mas perde na velocidade (importante nas transições defensiva e ofensiva).
4-2-3-1 – Criatividade vale a pena?
A entrada de Pedro Carmona muda o Paysandu por completo. Por ser um jogador criativo, mas lento e com problemas defensivos, as características do time têm de mudar. O Papão costumeiramente atua com dois volantes atrás de Carmona, que joga flutuando na zona central. O Paysandu joga muito melhor com a bola por dentro, tem seu jogo central ampliado, mas perde na recomposição.
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4-2-3-1 – Momento Defensivo
Quando Carmona joga, o Paysandu ainda forma duas linhas de quatro, mas sem aquele homem entre elas. A defesa bicolor passa a se posicionar em 4-4-2. Antes, Renato e Willyam é quem faziam a pressão nos zagueiros junto com Hugo Almeida, agora esta função é de Pedro Carmona.
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Mike e Magno ainda voltam pelos lados, mas Renato e Nando agora precisam se organizar melhor, pois não há cobertura. Aquele espaço entre as duas linhas de 4 já foi muito aproveitado pelos adversários com os lançamentos longos. É neste momento que Brigatti precisa refletir se a criatividade de Carmona vale a pena. O jogador deu 4 assistências e marcou 3 gols na Série B, seus números ofensivos são bons, mas é fraco nos duelos e no momento defensivo.
4-2-3-1 – Momento Ofensivo
É neste momento que a mudança de formação se mostra benéfica. O Paysandu passa a ter passes de ruptura, então infiltrar na área pelos lados ainda é possível, mas com a bola entrando pelo centro ou em profundidade.  Carmona flutua por dentro e Nando e Renato têm mais liberdade para infiltrar – mas normalmente um deles fica atrás para proteger a defesa.
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Os laterais ainda geram amplitude, os pontas fecham por dentro e quando precisa muito marcar, apenas os dois zagueiros ficam mais atrás (se Renan Rocha fosse melhor no jogo com os pés, poderia se adiantar e formar um triângulo com os defensores). Nesta formação, Nando ganha um pouco mais de liberdade para atacar, mas sofre com a limitação técnica. Portanto, Carmona é o dono do jogo e trabalha muito com os laterais e com os pontas. Usa lançamentos longos, cruzamentos e os passes de ruptura, além de infiltrar na área (esperando o cruzamento dos laterais) e chutar de média distância.
Nesta formação, o maior problema é mesmo a forma como a equipe defende. A zaga precisa muito de proteção, por Diego e Perema serem lentos. Quando Renato e Nando a fazem, sobra espaço na entrada da área bicolor e é dali que o time já tomou quase 10 gols na competição. Para ter a solidez defensiva e a criatividade, o elenco do Paysandu ainda tem uma alternativa.
Falso Nove – É possível?
Falso Nove é aquele cara que joga centralizado, mas não é um centroavante de fato, não chega a ser uma referência física. Este homem flutua para construir o jogo. Pensando nisso, o elenco do Paysandu gera essa possibilidade. Carmona poderia ser colocado nessa função. Por ter habilidade na construção de jogo, capacidade de finalização e ser limitado defensivamente, o meia bicolor se encaixaria em uma função mais adiantada.
IMAGEM 9O Paysandu poderia jogar com um falso 9?
 
Nesta formação, os três centrais ainda estariam na equipe – mantendo a solidez defensiva, e o time ainda teria criatividade. Talvez, Thomaz tenha uma oportunidade, mas apenas em jogos que necessitem de mais técnica do que velocidade.
Falso Nove – Momento Defensivo
Uma alternativa para o momento defensivo do Falso Nove seria formar duas linhas de quatro, com um dos centrais (Nando ou Renato pela esquerda | Nando ou Willyam pela direita) abrindo para a ponta, enquanto na outra um dos extremos recua, enquanto o outro avança para marcar junto com Carmona.
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Caso Magno entre na equipe, a linha de meio-campo poderia ser formada até por cinco homens, com a recomposição de ambos os pontas e apenas Carmona na frente, esperando o contra-ataque. Esse time teria capacidade de se defender e criatividade para atacar, mas perderia referência na área – o que pode ser benéfico, já que os zagueiros adversários não saberiam quem marcar. No ataque, a equipe teria varias alternativas.
Falso Nove – Momento Ofensivo
Para atacar, o Paysandu poderia preencher o campo adversário de algumas maneiras. Com o recuo de Carmona, há espaço para a infiltração dos pontas e nesse movimento, os laterais teriam liberdade pelos lados.
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Como é característica do time, Willyam e Renato ainda podem infiltrar com seus movimentos e realizar as ultrapassagens. Nando fica para defender, formando a linha com os zagueiros. Os cruzamentos do Paysandu mudariam, o jogo aéreo seria diminuído e trocado por cruzamentos tensos (a meia altura, passando à frente da zaga) ou rasteiros, para aproveitar a velocidade da equipe. A falta de referência seria o principal problema. Contra um time bem fechado, seria difícil manter o padrão e um centroavante mais físico seria necessário.
O Papão está há quatro pontos do CRB (37×41) e precisa torcer para o primeiro time fora da zona não se descolar. O elenco do Paysandu é frágil, mas gera alternativas e nesse momento o Bicolor precisa aproveitar todos os recursos disponíveis. Após esses dois jogos, o Bicolor volta para Belém, onde encerra a Série B contra o Atlético Goianiense.
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