Boca x River – A FINAL DO SÉCULO!

Por Michel Corbacho

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Já sabemos que a Copa Libertadores é a principal competição entre clubes da América. Conhecemos ainda o desejo das equipes do nosso continente em conquistá-la e a importância que carrega essa competição, além da concessão ao campeão disputar o Mundial de Clubes.

Mas, convenhamos, quem quer saber do Mundial de Clubes quando a Final da Libertadores é diante do seu principal rival? Com todo respeito aos outros clubes, mas esta é a Final dos sonhos de todos os admiradores do futebol. É como aguardar ansiosamente por um Brasil x Argentina em Final de Copa do Mundo ou por um Barcelona x Real Madrid em decisão da Champions League.

Na Argentina, a decisão é definida como uma ‘Final histórica’, alguns citam ‘Final do Mundo’ – realmente o mundo estará de olho – enquanto os torcedores vislumbram a possibilidade de ganhar a Libertadores diante do arquirrival – certeza de uma marca que nunca irá se apagar na memória dos ‘hinchas’ e história dos clubes. E diria mais: é a Final do Século!

Guillermo Schelotto vs Marcelo Gallardo – Duelo dos Misters

CdnSchelotto x Gallardo: conhece as características dos técnicos? (Reprodução: Diário Olé)

Dois treinadores que representam a nova safra do futebol argentino. Tanto Schelotto, quanto Gallardo, já presenciaram Superclássicos quando jogadores – conquistaram a Libertadores por seus respectivos clubes – e na função atual de ‘Misters’, se encaram por Boca e River desde o ano 2016.

Nos primeiros embates entre os técnicos de Boca e River houveram dois empates sem gols. No geral, além dos empates citados, são cinco vitórias para Marcelo Gallardo e três em prol de Guillermo Schelotto. Chegou a hora do Superclássico mais importante da história para os clubes e envolvidos.

Guillermo, auxiliado pelo seu irmão Gustavo Schelotto, teve dificuldades para encontrar um Boca Juniors seguro. Primeira fase da competição inconstante – muitos atletas lesionados – e uma dificuldade de definição tática e técnica para a equipe titular. Para as fases decisivas, o Boca passou a contar com os jogadores que voltaram de lesões e Schelotto conseguiu fomentar uma segurança defensiva: o Boca ainda está invicto nas fases decisivas desta edição de Libertadores e não sofreu gol em casa desde as Oitavas. É um técnico que busca adaptar suas equipes para manter uma defesa forte, equilíbrio tático e velocidade pelas bandas.

Por outro lado, Marcelo Gallardo talvez seja o principal comandante técnico da América no momento. Assumiu o River Plate após um rebaixamento e reconstruiu a imagem do clube entre os principais do continente. Conquistou a Libertadores em 2015, elevou o nível de futebol jogado da equipe que busca pelo protagonismo sem abrir mão de um equilíbrio tático e chega para decidir a Libertadores no Superclássico mais importante da história.

Características de Jogo

Boca Juniors

Não dá para dizer que o Boca Juniors mudou “da água para o vinho” nesta fase decisiva da Libertadores. A equipe ainda deixa a impressão de que poderia render mais do que demonstra, muito pelas qualidades individuais.

Ainda assim, o Boca chega a mais uma decisão de Libertadores ao seu velho estilo de fazer uma fase de grupos regular, o mínimo para classificar, e crescer a partir das fases decisivas. Decidir a primeira partida em seus domínios (La Bombonera) também parece ser um trunfo do Boca Juniors na disputa pela competição.

Apesar das dificuldades de gestão do grupo, Schelotto deixa explícito a sua preferência pelo 4-3-3. Um sistema defensivo sólido é uma das premissas de Schelotto neste Boca. A defesa elevou o rendimento após a chegada de Carlos Izquierdoz. O zagueiro que estava no futebol mexicano assumiu a titularidade e ganhou a vaga do experiente Paolo Goltz. Olaza, lateral-esquerdo contratado junto ao Talleres, é outro que assumiu a posição após a grave lesão de Frank Fabra. Os recém-contratados formam o setor defensivo ao lado de Rossi, Jara – frágil na marcação e cede espaços – e Magallán, de bom posicionamento, porém pouco veloz.

Leia também: Schelotto e a busca por uma definição no Boca Juniors

Encorpar o meio de campo com uma trinca de volantes que possa oferecer alguns atributos, dentre eles, o dinamismo, o poder de marcação e finalizações de média distância – vide abaixo a chegada de Pablo Pérez como fator supresa. Após encontrar essas características, Schelotto não abre mão de Nahitán Nández, Wilmar Barríos e Pablo Pérez no setor. A confiança é tamanha que, por exemplo, Fernando Gago – identificado com torcida e clube – fica entre os reservas.

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Para formar o ataque, Schelotto opta por jogadores de mobilidade, poder de finalização e, sobretudo, velocidade pelos lados. Característica esta, a principal do jovem atacante Cristian Pavón. A velocidade de Pavón auxilia ao Boca Juniors nas tentativas de aproveitar as brechas deixadas na marcação dos laterais adversário. Pavón é o jogador que mais ofereceu assistências para gol (05) no Boca nesta edição de Libertadores.


CdnPablo Pérez lança, Pavón se infiltra por trás da marcação (Imagem: FoxSports)

No flagra, vale a percepção para a movimentação (saída) de Benedetto da referência, atraindo a marcação dos zagueiros para facilitar a infiltração do atacante velocista enquanto que Zárate e Olaza se aproximam e pisam na área pelo flanco oposto.

O setor ofensivo ainda é dúvidas para Guillermo Schelotto. Ábila ou Benedetto? Pavón pela direita ou esquerda? Villa, Tévez ou Zárate? Cardona ainda corre por fora. Muitas são as opções, apesar de que, o comandante ficou satisfeito com a atuação da trinca Villa, Ábila e Pavón diante do Palmeiras. Seria um presságio?

River Plate

Já a equipe de Gallardo é adepta ao protagonismo. Não que o Boca não tenha capacidade para atacar – chega até com mais gols marcados (21) para a decisão da Libertadores do que o River (14) – porém as ideias de Gallardo são mais propositivas.

O River Plate tem um plantel de qualidade invejável, principalmente no setor ofensivo, por isso a aposta de Gallardo nas qualidades individuais dos seus atletas. Uma das premissas da equipe de Gallardo, sobretudo quando atua no Monumental de Nuñez, é a marcação à pressão.

A ideia é elevar o número de jogadores no campo de ataque e pressionar a saída de bola adversária com a possibilidade de recuperar a bola o mais próximo possível do gol do rival.

CdnMarcação à pressão do River Plate (Imagem: pasionriver.tv)

A intensidade que os atletas do River Plate colocam a cada partida é fundamental para essa pressão nas saídas de bola do adversário. Rápida troca de passes, infiltração dos volantes na área, a aproximação dos meias criativos e a amplitude dos laterais são características ofensivas deste River de Gallardo.

Dizem que toda boa equipe começa por um bom goleiro. Essa premissa é válida para o River de Gallardo. Franco Armani, goleiro de seleção Argentina, é um dos – poucos – pontos de segurança da defesa do River Plate. Montiel na direita e Casco pela esquerda são laterais que aportam muito no jogo ofensivo, oferecendo amplitude à equipe.

Essa amplitude é realizada para que os pontas possam infiltrar ao centro, que por características fazem o famoso ‘facão’ e auxiliam na criatividade da equipe. Os laterais aumentam o número de homens no setor ofensivo e auxiliam nas tentativas de abrir as linhas de marcação do adversário.

CdnMovimentação ofensiva do River Plate (Imagem: pasionriver.tv)

Fechando a defesa, muita experiência com os zagueiros Jonathan Maidana e Javier Pinola. É uma dupla de vigor físico, gostam do embate com os atacantes, fortes na antecipação, técnica para iniciar as jogadas com a bola nos pés, sobretudo o Pinola, porém sentem dificuldades quando encaram atacantes velocistas e cometem falhas de posicionamento nas jogadas aéreas.

A equipe de Gallardo, geralmente, atua apenas com um volante de características de marcação – na Bombonera deve jogar com dois: Zuculini e Enzo Pérez, Ponzio está fora por lesão – e a aproximação aos volantes de contenção é realizada por Exequiel Palácios que possui características de um ‘volante área a área’ ou ‘ida y vuelta’. Especulado pelo Real Madrid, Palácios oferece mobilidade, dinamismo, chegada ao ataque como fator surpresa e finalizações de média distância.

O ataque é a principal força deste River Plate. ‘Nacho’ Fernández, ‘Pity’ Martínez e ‘Juan Fer’ Quintero disputam por vaga para completar o meio de campo. Fernández é um jogador com passe qualificado, pisa na área do adversário, porém é menos criativo que Martínez e Quintero. O camisa 10 é a principal peça do elenco de Gallardo: velocidade com a posse, técnica, criativo, rompe linhas de marcação e, ao seu favor, excelentes atuações nos últimos Superclássicos.

Para completar o setor ofensivo, Santos Borré com características de velocidade, explora os lados do campo, mas também auxilia no combate e recomposição sem a bola e terá a companhia de Lucas Pratto, um típico “9” com excelente poder de finalização, porém que consegue fazer bem o ‘fora área’, abrindo espaços para os que chegam de trás.

Leia também: Bola Cheia! Conheça o River Plate de Gallardo

No banco, Gallardo ainda conta com Ignácio Scocco, atacante que se movimenta bem em todo o último terço e tem um excelente poder de finalização. Marcou gol nos dois últimos Superclássico.

Além da incidência ofensiva, o River tem um estilo de jogo vertical, que busca, em poucos passes, chegar ao gol adversário. Essa rápida transição ofensiva faz com que os contragolpes sejam trunfos no estilo de jogo da equipe de Gallardo.

CdnJogada de contra-ataque do River Plate (Imagem: pasionriver.tv)

A Final do Mundo

É uma decisão de Copa Libertadores, a principal competição entre clubes da América, porém é uma rivalidade que transcende as linhas geográficas do Continente. O mundo fala desta final, pessoas influentes no futebol palpitam sobre o Superclássico.

“Boca ainda não tinha se classificado, mas todos já falavam sobre o Superclássico na final. Não tenho favoritos, que vença o que apresente um melhor futebol” – Paulo Dybala.

“Não torço por nenhum deles, mas uma final assim vai mexer com o mundo. Desejo sorte e que vença o melhor. Sou torcedor do Newell’s Old Boys” – Mauro Icardi.

Além dos argentinos que formam a dupla de ataque da seleção neste momento, outros jogadores palpitaram sobre o Superclássico e até deixaram claro a sua torcida.

“Pela relação que tenho com Tévez quero que o Boca seja campeão. Perdemos uma final de Champions League juntos, quero que ele seja e faça o seu povo feliz” – Buffon.

“Escolho o Boca pela tradição. É uma equipe que sabe jogar a Libertadores. Não sigo muito o futebol argentino, mas ao falar em Boca Juniors temos que respeitar bastante” – Júlio César, ex-goleiro de Flamengo e Inter de Milão.

“Não sei quem vai ganhar, mas tenha a certeza que vou assistir” – José Mourinho.

Contudo, chegam à Final duas equipes com elencos qualificados e que desempenham bem as suas características de jogo. Por fim, abaixo, todos os gols de Boca Juniors e River Plate nesta edição de Libertadores.

Todos os gols de Boca Juniors na Libertadores 2018

Todos os gols do River Plate na Libertadores 2018

@michelcorbacho

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