Pressão e Intensidade – ANÁLISE TÁTICA PSG 2 x 2 NAPOLI

Por Alif Oliveira e João Victor Cardoso

Ocorreu uma grande partida no Parc des Princes. PSG e Napoli protagonizaram uma batalha incrível com chances para ambos os lados, mas com uma leve superioridade dos italianos. O time de Paris com sua legião de craques, liderados por Mbappé e Neymar, não conseguiu condensar toda sua qualidade ofensiva em gols e isso se explica pela facilidade com que Hamšík e Allan conseguiam desarmar as jogadas por dentro. Normalmente, via-se os jogadores parisienses isolados em meio a 2, 3 e até 4 napolitanos. O esquema de Carlo Ancelotti buscou a anulação dessas jogadas internas para que, justamente, Neymar não pudesse receber na entrelinha e se virasse para conduzir com dribles até a área. Assim, vimos um jogo que se desenhou de forma que o sistema coletivo de Ancelotti combatia os craques individuais do PSG, até porque Thomas Tuchel ainda precisa melhorar alguns fatores operacionais com relação a coletividade do PSG.

22Linha de 4 do Napoli impossibilitavam o PSG de criar oportunidades. IMAGEM: BTSPORT.

Napoli

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Carlo Ancelotti apostou no 4-4-2 que vem utilizando já a algum tempo, desde quando percebeu que Marek Hamšík não pôde exercer a mesma função de Jorginho em tempos de Sarri. Neste 4-4-2, tínha-se Maksimović pelo lado direito, aonde ofereceu pouquíssimos espaços para Di María e, pelo lado esquerdo, havia Mário Rui. O português que, defensivamente, costuma ser o ponto fraco dos italianos, fez boa partida, mesmo que tenha tido a má sorte de desviar a bola e feito um gol contra. No meio, além de Allan e Hamšík, já citados como cruciais para o bom funcionamento da marcação, havia também os extremas: Callejón e Fabián Ruiz. Ambos com ótimas atitudes para tornar a transição ofensiva mais veloz e vertical. Ofereceram boas conduções e passes em profundidade, tanto que o gol de Insigne saiu de um passe de ruptura de Callejón. Aqui um detalhe interessante, no 2º tempo Lorenzo Insigne deu lugar a Zielinski no Napoli e o polonês entrou pelo lado esquerdo, assim Fabián atuou atrás de Mertens, explorando os espaços deixados por Rabiot e Verratti e mostrando sua qualidade em conduções e chute de média distância, tanto que o gol de Mertens surge de um rebote de Aréola em um chute de Ruiz.

Em resumo, o Napoli foi melhor que o PSG. Buscou anular suas principais peças e acabou sofrendo o empate por questão do acaso e da qualidade dos adversários mesmo. Ainda há grandes chances dos napolitanos se classificarem para as oitavas de final, afinal ainda há todas partidas da 2ª rodada.

PARIS SAINT GERMAIN

O PSG começou os primeiros 20 minutos muito bem dentro de sua proposta ao longo do jogo, havia certa intensidade, mas ainda era muito pouco para enfrentar uma equipe do peso do Napoli. A dupla de meio campo não conseguia fazer a cobertura aos zagueiros, fazendo com que a equipe visitante ficasse com muito espaço para contra-atacar. Os napolitanos castigavam nas transições muito pelas pressões de Allan, que é mestre em roubar e pressionar o seu adversário.

Neymar ficava entrelinhas ligando em profundidade os dois pontas de lança de sua equipe, o camisa 10 sempre conseguia ligar seus companheiros para o momento de arremate, mas infelizmente seus companheiros não conseguiam concluir com clareza as oportunidades requeridas.

A equipe procurava Neymar entrelinhas, que vem cada vez mais evoluindo como armador, e chamando a responsabilidade para si. Os passes eram precisos para Cavani e Mbappé, mas a defesa deixava lacunas nas transições defensivas oferecendo campo para Hamsik e Callejón aproveitarem o espaço deixado pela movimentação lenta de Marquinhos e Kimpembe. Foi um primeiro tempo pouco competitivo para a equipe, mostrando que ela tem carências para ganhar um torneio do tamanho da UCL.

22Neymar baixa a linha para pegar bola com os defensores, e ficando bem centralizado durante toda a partida. IMAGEM BTSPORT.

A segunda etapa da equipe parisiense melhorou muito com a entrada do jovem Kehrer no lugar de Bernat, liberando mais Di Maria e Meunier para chegar ao ataque, já que o técnico Tuchel formaria uma formação com 3 defensores, para que seu time aumentasse a pressão e produção de oportunidades. Mas logo o PSG se recolheu baixando suas linhas, diferentemente de sua proposta ao longo da partida, fazendo com que o Napoli ficasse mais confortável para segurar o empate.

A reta final da partida ficava cada vez mais intensa e desesperadora, o time estaria perto do vexame da provável eliminação, seria um vexame histórico para um time que planeja ganhar a competição, mas o desespero serviu para o gol de Di Maria igualar o placar da partida, que fica indefinido o “famoso grupo da morte”.

A situação do PSG fica preocupante no seu grupo, tendo que vencer os seus próximos jogos para passar de fase, tendo carências dentro de seu plantel. O próximo jogo é contra o próprio Napoli, desta vez, fora de casa.

@jvcardoso05 e @AlifOliveira14

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