A mobilidade contra a previsibilidade – ANÁLISE TÁTICA MAN UNITED 0 x 1 JUVENTUS

Por Pedro Galante e Luiz Juno 

Manchester United e Juventus se enfrentaram na tarde dessa terça (23) pela terceira rodada da fase de grupos da Champions League. A Juve vinha de uma vitória de 3 a 0 sobre o Young Boys e o United de um empate por 0 a 0 contra o Valencia.

Mourinho escalou os Red Devils em 4-3-3, com o tripé de meio campistas invertido. Pogba e Matic ficavam na base e Mata aparecia mais à frente. Já Allegri, armou a Vecchia Signora em 4-3-3 convencional com Cristiano Ronaldo partindo da ponta esquerda e Dybala como atacante com muita mobilidade.

22Tripé invertido do United. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O trio de ataque juventino, Cuadrado, Dybala e Cristiano funcionou muito bem. Cristiano e Dybala tinham liberdade para se movimentar por todo campo, enquanto Cuadrado fazia um papel muito importante de contraponto. Se Dybala caísse pelo lado, ou Cristiano recuasse para buscar o jogo, Cuadrado fazia a leitura do lance e ocupava o espaço aberto, por isso, o colombiano podia ser flagrado tanto na referência, gerando profundidade, quanto na base da jogada. É importante destacar que essas movimentações de Cuadrado abriam o corredor para as subidas de João Cancelo.

O lance do gol ilustra bem essa dinâmica. Desde o princípio da jogada, Cuadrado vem por dentro, oferecendo o corredor a Cancelo. Cristiano cai pelo lado direito e recebe a frente, nisso Cuadrado já se projeta para a área fazendo um papel de centroavante, e ele que disputa a bola cruzada por Ronaldo, para Dybala guardar na sobra.

Na segunda etapa com o placar já em vantagem de um a zero, pelos pés de Dybala, a Juve continuou sendo a equipe com maior posse de bola, sempre iniciando as jogadas através de Pjanic, que se colocava próximo aos zagueiros. Esse é um padrão de jogo adotado pela equipe de Allegri, sempre tendo um jogador de boa capacidade de criação iniciando as jogadas desde a base.

22Pjanic organizando o jogo desde a base. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

A partir desta situação, o jogador já buscava passes no campo ofensivo, encontrando com facilidade seus companheiros em zonas próximas a área. No setor de ataque a mobilidade característica da Juve nesta temporada, permaneceu muito nítida mesmo com a presença de Dybala no lugar de Mandzukic, mas ao invés de partir do lado de Cristiano como faz o croata, o jogador partia de uma posição mais atrasada, se posicionando do lado direito para o meio. Já Cuadrado fazia o movimento inverso, jogando mais centralizado, mas sempre buscando se associar com João Cancelo que tem muita liberdade de chegar a frente, buscando a linha de fundo.
Cristiano demonstrava sua peculiar mobilidade, como referência móvel, buscando se juntar aos companheiros, sendo importante na construção, confundindo muito bem a marcação.

O United demonstrava dificuldades em acompanhar a marcação, deixando muitos espaços atrás dos volantes, local onde Bentancur conseguia receber a bola, sendo um dos melhores jogadores da partida.

22Perceba como os jogadores de ataque do United estão encaixotados pela marcação. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Com as dificuldades o United demonstrava poucas chances de chegar a frente, sentindo desconforto em vencer a forte marcação do time italiano. As melhores chances do time inglês ocorriam sempre que partiam dos lados de campo, buscando a chegada de Pogba na entrada da área (que arriscava finalizações, uma delas na trave) ou em cruzamentos para Lukaku, que perdia a maioria das disputas para Chiellini e Bonucci.

Com o placar a seu favor e sentindo que o United parecia estar conformado com a derrota, Allegri sacou Dybala e Cuadrado, colocando em campo Bernardeschi e Barzagli, reforçando a posse de bola no meio campo e também a defesa, configurando o time com uma linha de 3 zagueiros.
Já próximo ao fim da partida, sacou João Cancelo, colocando Douglas Costa, dando mais minutos ao jogador brasileiro, que retorna de lesão, pensando em ter velocidade de contra-ataque, caso tivesse oportunidade.
Pelo lado do United, José Mourinho não realizou nenhuma troca na equipe, demonstrando toda a passividade e aceitação da derrota em pleno Old Trafford.

@Pedro17Galante e @ojunomartins

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s