Um jogo marcado pelo equilíbrio: ANÁLISE TÁTICA DE SÃO PAULO 0 X 0 ATLÉTICO-PR

Por André Ribas e Pedro Galante.

São Paulo e Atlético-PR se enfrentaram no Morumbi, no sábado, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A. No lado do Tricolor paulista, o jogo era o cenário perfeito para voltar ao estilo de contra-ataques do time, por isso Aguirre apostou em uma escalação diferente. Já o Furacão buscava sua primeira vitória como visitante na competição.

ESTAT
Atlético-PR ficou mais com a bola.
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Com a bola, o Atlético costuma jogar no 4-2-3-1. Mas, quando o volante Wellington se posiciona entre os zagueiros para qualificar a saída de bola, a estrutura fica no 3-4-3. Dessa forma, os laterais avançam e ficam abertos. Pablo traz profundidade ao time.

Sem a bola, o São Paulo jogou no 4-4-2 com Jean, Araruna, Arboleda, Bruno Alves e Edimar; Rojas, Luan, Hudson e Reinaldo; Diego Souza e Carneiro. A ideia era se defender em bloco médio/alto, pressionar a saída de bola paranaense com a dupla de atacantes e combater muito pelo meio com os volantes.

A estratégia funcionou de certa forma. A defesa se postou muito bem e não permitiu que o Atlético-PR convertesse sua posse de bola em chances e domínio do campo de jogo. Luan e Hudson tiveram papel essencial, sempre combatendo e vencendo os duelos, pressionando no setor da bola e fazendo as devidas compensações.

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No entanto, o time mostrou muita dificuldade em trabalhar com a bola. Faltava ligação entre o ataque e o meio campo, alguém precisava aparecer na entrelinha para facilitar a criação. Rojas não tem o perfil de cortar para o meio, é um jogador que se limita ao lado do campo. Reinaldo não consegue sequer fazer o papel de ponta, quem diria cortar para o meio e ajudar os volantes. O encarregado lógico, portanto, deveria ser Diego Souza, que é meia de origem, mas Diego se manteve à frente, quase não fez o movimento de recuar e criar.

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Mesmo assim o time teve algumas – mesmo que poucas – chances, principalmente quando roubava a bola e acelerava. Diego Souza acertou a trave.

Com a bola, o Atlético se armou estruturalmente no 3-4-3 (explicação na primeira imagem) e precisou propor o jogo em boa parte da partida. Nos primeiros 30 minutos, devido a marcação intensa e alta da equipe São Paulina, o Furacão teve dificuldades na saída de bola e cometeu vários erros. Assim que tinha a bola, o time rubro-negro executava uma saída de 3 com Wellington entre os zagueiros. Dessa forma, os laterais tinham liberdade para descer e trazer amplitude (abrir o campo) ao time. 

Wellington, responsável por qualificar a saída e circular a bola, não fez um bom jogo, prejudicando a criação do Furacão.

No final do primeiro tempo, o São Paulo diminuiu a intensidade na marcação, e o Furacão teve mais facilidade para sair e circular a bola no seu campo de ataque. Suas principais chances foram pelo lado esquerdo, com Renan Lodi atacando bastante o espaço.

Mesmo assim, pela posse que teve, poderia ter chegado e finalizado mais. O time parou na boa marcação do São Paulo, que procurava pressionar e criar superioridade numérica na zona da bola.

Sem a bola, o Atlético-PR jogou no 4-4-2 (marcação zonal), com um bloco médio e marcando muito bem. Em transição defensiva, o Furacão realizou encaixes e perseguições curtas, dificultando os contra-ataques do Tricolor, que procurava velocidade pelos lados. 

O início do segundo tempo foi monótono como toda primeira etapa. O Atlético-PR tentava entrar com passes pelo chão, o São Paulo negava espaços, mas não conseguia agredir o rival.

Aos vinte e cinco minutos da segunda etapa, Aguirre promoveu a entrada de Nenê no lugar de Diego Souza, afim de criar essa ligação entre ataque e meio. Nenê não fez má partida, se movimentou e tentou aproximar o ataque e o meio campo, mas seus esforços não foram o bastante.

O Furacão seguiu tendo dificuldades para romper as linhas do São Paulo. Quando chegava, suas melhores chances eram pelo lado esquerdo, com Pablo se associando muito bem nas jogadas e sempre tentando quebrar a última linha do Tricolor.

Aos 33, Aguirre fez uma mudança sem muito cabimento. Trocou Carneiro, que vinha sendo um dos melhores do time, por Trellez. Uma troca de centroavante por centroavante, que em termos práticos não fez efeito nenhum.  Quatro minutos mais tarde, fez a alteração que deveria ter feito em primeiro lugar: colocou Liziero. Araruna saiu, Hudson foi deslocado para lateral e Liziero entrou no meio. Era um jogo que pedia Liziero, alguém que poderia aumentar a qualidade no passe e acionar o ataque em boas condições. Mas a alteração do uruguaio foi muito tardia.

Ao final do jogo, em um contra-ataque, o Atlético-PR teve a chance de matar o jogo e sair com a vitória, mas acabou desperdiçando. 

No lado do time da casa, é um empate razoável, contra um adversário arrumado e o time voltando ao seu estilo habitual. Mas é claro que a torcida não se satisfez com o resultado. Aguirre deu um passo rumo a um estilo de jogo, que deve funcionar muito melhor. Mas a torcida está impaciente.      

Já o rubro-negro segue sem vencer fora de casa, mas, mesmo assim, conquistou um ponto importante diante do São Paulo. Time foi bem sem a bola, mas teve problemas para propor o jogo. Ganha confiança para o jogo de quarta-feira pela Sul-Americana.

@Andre_Frehse e @Pedro17Galante 

 

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