Soluções para o São Paulo FC

Por Pedro Galante e Caio AIves

Depois de um primeiro turno excelente, o São Paulo de Diego Aguirre passa por dificuldades. Com a queda de rendimento de valores importantes, a lesão de Everton, um elenco que não oferece reposições e a obrigação de propor o jogo o tricolor paulista não vence a mais de um mês.

O time precisa melhorar seu jogo com a bola nos pés, desde a saída, passando pela circulação até a criação de oportunidades. No entanto, o elenco tricolor não tem características que favoreçam esse jogo com bola. Ao meu ver, a melhor saída para Aguirre é reorganizar o sistema ofensivo, e usar um jogador como ponto de partida e referência, facilitando que o resto do time compreenda melhor o sistema.

O setor ofensivo do São Paulo sempre funcionou de forma intuitiva. No contra-ataque, os jogadores se movimentam de acordo com o espaço que o adversário deixa. Contra uma defesa postada, isso é muito mais difícil, é preciso ter um mecanismo que force o adversário a abrir espaço.

Abaixo algumas sugestões de possíveis sistemas e seus respectivos “jogadores bases. ”

 

Essa alternativa mantem a formação habitual, mas sugere uma mudança no papel do centroavante. Hoje o São Paulo tenta criar com a bola pelo chão e pelos lados do campo, mas essa estratégia não tem funcionado. A ideia aqui é usar passes mais longos, a famosa ligação direta, para que Carneiro busque o duelo aéreo e o time esteja rapidamente no campo de ataque. Carneiro pode escorar a bola para corrida dos pontas, ou manter ela no meio campo para que os volantes briguem pela segunda bola.

Nessa alternativa, Diego Souza até poderia ser o centroavante, afinal tem um pivô muito bom e sabe usar sua força física. O ponto é que Diego não é de recepcionar bolas extremamente longas, direto dos zagueiros, além de que poderia ser usado como meia, uma vez que Nenê tem rendido muito pouco e poderia usar sua força por ali para brigar pela segunda bola.

Aqui o jogador chave seria Nenê. Flutuando a partir da esquerda o camisa 10 poderia andar por todo campo e criar superioridade. Além disso, abriria o corredor esquerdo para a movimentação de Reinaldo. Rodrigo Caio seria importante pela lateral direita, dando qualidade na saída de bola.

Sabe-se que Nenê é praticamente nulo na recomposição. Há duas opções de recomposição: se Trellez for o centroavante, ele inverte com Nenê no momento defensivo e fecha a linha de meio campo pela esquerda – Aguirre usou isso no início de seu trabalho; se Diego for o centroavante, Rojas recompõe normalmente pela direita e Liziero, que atuaria como meia, vira ponta fechando a linha pela esquerda.

 

Um 3-5-2 com Reinaldo e Rojas como alas, usando bem o corredor, chegando ao fundo para cruzar para uma dupla de centroavantes. Nenê seria essencial nesse sistema, o camisa dez teria de cair pelos lados e oferecer apoio a esses alas. Além disso, Rodrigo Caio daria qualidade a saída de bola como zagueiro central.

O ponto negativo dessa alternativa é a recomposição. Para os conceitos defensivos que Aguirre usa, defender com uma linha de três não é o mais adequado. Há a possibilidade de defender com duas linhas de quatro, Rodrigo Caio – ou Arboleda – vai para a lateral direita, Reinaldo recua para a lateral esquerda e Trellez fecha a linha de meio pela esquerda. A questão aqui é a parte física de Reinaldo que teria de ir e voltar muitas vezes ao longo do jogo.

Marcação NapoliO esquema foi testado contra o Ceará. Caique entraria na pontas esquerda.

Aguirre tentou criar um sistema ofensivo, e ele era baseado no desequilíbrio pelos lados. Só que a lesão de Everton impossibilitou a aplicação dessa ideia. Caique é um jogador que veio da base e tem características bem semelhantes a Everton.

O sistema funcionaria com laterais atacando por dentro – até por isso Rodrigo Caio funcionaria melhor que Bruno Peres na lateral direita – Diego Souza mais fixo, Nenê na entrelinha e os pontas bem abertos. A ideia é colocar os pontas em situação de mano a mano e apostar no desequilíbrio através do drible.

Essa é uma alternativa arriscada. Caique é um jogador jovem, ainda precisa amadurecer e mesmo que fosse um jogador mais “pronto” é um grande peso substituir Everton.

Em suma, o grande dilema de Aguirre é entre o pragmatismo e um estilo mais complexo. Na maioria das partidas, ele busca implementar a segunda opção, mas quando a coisa aperta recorre sempre a mais um centroavante e muitos cruzamentos. O uruguaio precisa escolher uma opção e mantê-la, só assim a equipe pode evoluir.

@Pedro17Galante e @CaioAIves

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