A seleção Argentina e o ciclo da renovação

Por Michel Corbacho

Quando se fala em seleção Argentina não tem como não pensar em Lionel Messi, ou até mesmo em outros jogadores tarimbados no futebol como Agüero, Di María, Banega, Biglia, Garay, Higuaín, Mascherano… Mas nenhuns destes citados estarão no amistoso contra o Brasil desta terça-feira (16).

Na verdade, poucos destes voltarão a vestir a camisa da seleção. Mascherano e Biglia já anunciaram aposentadoria, enquanto os outros poucos são mencionados devido ao processo de renovação que vive a seleção ‘Albiceleste’.

Neste processo de renovação, a Argentina tenta definir nomes para o novo ciclo, desde os jogadores em campo ao comando técnico fora das quatro linhas. Enquanto não há definição para o técnico da seleção (muito se fala em Tata Martino, Gallardo ou até mesmo em Javier Mascherano), Lionel Scaloni – de maneira interina – vai tentando cravar o seu nome como uma possibilidade real ao cargo.

As principais ideias de Scaloni

Lionel Scaloni iniciou o seu trabalho como técnico nas categorias inferiores da seleção Argentina. Assume a interinidade da seleção principal com o objetivo crucial de renovar, inovar e provar!

Os nomes escolhidos por Scaloni para compor o elenco já não são mais os mesmos da Copa do Mundo. Novos atletas pedem passagem e titularidade na seleção, mesmo ainda com pouca ‘cancha’, sobretudo no futebol europeu.

Scaloni pensa em preparar o terreno para a chegada do novo técnico, já com alguns novos nomes firmados na equipe e uma ideia de jogo bem posta em campo, porém, no fundo, Scaloni sabe que vencendo o superclássico contra o Brasil seria um aspecto positivo para a manutenção dele no cargo, apesar de citar: “vale muito a ideia em campo, pouco importa o resultado”.

A Argentina passa a ter um desenho tático inicial de 4-3-3 – para alguns a variação de um 4-1-4-1 – porém, apesar da opção por esse desenho, Scaloni já deixou brechas que pode variar a equipe taticamente ao decorrer das partidas. Contra o Iraque, por exemplo, testou o 4-4-2 e uma linha de três zagueiros no 3-4-3. Contra o Brasil, pode haver uma variação entre o 4-3-1-2 e o 4-3-3.

jairO 4-1-4-1 que se transforma no 4-3-3 com os avanços dos extremos

Sem poder contar com Armani, Exequiel Palácios, Pity Martínez e Cristian Pavón – destaques de River Plate e Boca Juniors, além da titularidade nesse ciclo de renovação -, a Argentina ainda não está definida para o amistoso. Apesar disto, poderemos ver algo semelhante à Romero; Saravia, Pezzella, Otamendi, Tagliafico; Paredes, Battaglia, Lo Celso; Dybala, Icardi e Ángel Correa (Lautaro Martínez) entre os titulares. Notem!

Principais características do novo ciclo argentino

A Argentina de Scaloni chega invicta (sete gols marcados, nenhum sofrido) após a Copa do Mundo e início deste novo ciclo. Conquistou a vitória nos amistosos diante da Guatemala (3-0) e Iraque (4-0), além do empate contra a Colômbia (0-0).

A cada partida, muitas mudanças, vários jogadores em fase de testes, a busca por uma equipe, pelas características da seleção Argentina que estiveram ocultas na última geração: uma equipe aguerrida, com ‘alma e coração’ ao vestir à ‘Albiceleste’. Tudo isso sem perder a qualidade proveniente dos diversos talentos argentinos.

Um sistema defensivo sólido, compacto, que transmita segurança para toda a equipe, está nas premissas de Scaloni. Potencializar a defesa com uma mescla de juventude, experiência, garra e técnica. Experiência oferecida por Sergio Romero e Armani – goleiros – além de Otamendi, Pezzella e Funes Mori, presentes no elenco, mesclada à juventude de Rulli, Saravia, Bustos, Foyth, aliados à garra e determinação de Kannemann, Tagliafico e Acuña.

jairNicolás Tagliafico, capitão e referência na lateral esquerda da Argentina (Foto: afa.com.ar)

A qualidade nos passes, sobretudo na faixa central do campo, também é uma das ideias de Scaloni. Recursos como passes qualificados, infiltrados, manutenção da posse e ditar ritmo com qualidade são características de Leandro Paredes e Giovani Lo Celso, por exemplo, que deverão ser titulares diante do Brasil.

Paredes e Lo Celso, apesar de pouco alarde, podem ser considerados uns dos mais importantes deste novo plantel argentino. Criam as jogadas ofensivas, qualificam a saída de bola pelo centro, oferecem ritmo ao meio de campo da equipe, enfim, são atletas de encher os olhos! Em contrapartida, a velocidade pode ser considerada ponto negativo nos jogadores citados.

jairParedes e Lo Celso na marcação sobre o italiano Verratti (Reprodução: IconSport)

Apesar de todo o destaque no meio de campo para Paredes e Lo Celso, outros atletas desempenham bem quando exigidos. Na função de primeiro volante, com características mais combativas e de marcação, Santiago Ascacibar e Rodrigo Battaglia são as alternativas.

Ainda sem poder contar com Exequiel Palácios – destaque do River Plate – Scaloni tem outros volantes de muita mobilidade, a citar, Roberto Pereyra – polifuncional, pode jogar de volante ou extremo – e Maximiliano Meza, do Independiente.

Qualidade técnica nunca foi precariedade para a Argentina no setor ofensivo. Pelos lados do campo, jogadores agudos, com muita velocidade, que rompe as linhas de marcação adversária. Eduardo Sálvio e Angel Correa são exemplos. Ainda pelos flancos, jogadores que possuem características de criação, com qualidade técnica nos passes, por exemplo, Franco Cervi e Rodrigo De Paul. Pity Martínez e Pavón, destaques de River e Boca, estão ausentes desta convocatória por lesão.

Para o ataque, a mesma tônica de sempre: sobram nomes, faltam espaços! O que dizer da qualidade técnica e poder de decisão de Paulo Dybala, Lautaro Martínez, Giovanni Simeone e Mauro Icardi? Todos fazem parte desta renovação e precisam demonstrar tais qualidades com a camisa da seleção Argentina.

Para esse novo ciclo, a Argentina ainda pode levar em conta algumas opções que não estiveram presentes na atual convocatória: Emmanuel Mammana, Gonzalo Montiel, Mateo Musacchio, Manuel Lanzini, Ezequiel Barco, Emiliano Rigoni, Lucas Alario, Erik Lamela, Lucas Ocampos, e por que não aguardar o retorno de um tal Lionel Messi?

@michelcorbacho

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