Goleada as margens do Tâmisa: ANÁLISE PÓS-JOGO FULHAM 1×5 ARSENAL

Por Luiz Martins

O Arsenal foi até o Craven Cottage e sem tomar conhecimento, goleou por 5×1 o mandante Fulham, se impondo durante os noventa minutos ao adversário. Esta foi uma das melhores partidas do time desde o início de trabalho de Unai Emery, colocando o time do norte de Londres na quarta posição da tabela da Premier League.

Análise da Partida

Desde o início da partida a bola foi dos Gunners. Sem ceder hipótese alguma de o time da casa tentar ter a bola, por roubá-la sempre com rapidez e facilidade, principalmente dos meias adversários, o Arsenal impôs cada vez mais as ideías de Unai Emery em campo. Partindo de um clássico 4-4-2 inglês (com duas linhas de quatro), com Lacazette e Welbeck no ataque, tendo Iwobi e Mikhitarian abertos, mesmo que em certos momentos, principalmente Mikhi em momento ofensivo, centralizassem suas ações (formando um 4-2-2-2), a equipe demonstrava velocidade nas transições para agredir a defesa do Fulham.
Estas modificações foram importantes, mudando o contexto antes utilizado anteriormente por Emery de trabalhar mais a bola, com Ramsey e Özil.
Neste jogo o Arsenal apostou em jogadas mais verticais, utilizando bastante os laterais sempre em progressão, se incorporando aos jogadores de ataque, buscando sempre ultrapassagens pelos pontas, com o lateral do lado oposto chegando até a área se colocando como opção nas conclusões de jogadas.

Arsenal01No gol de Lacazette, laterais do Arsenal se juntando aos atacantes e meias, próximos a área no momento ofensivo. Uma ação recorrente nestes primeiros momentos de Emery.

O Fulham sentia dificuldades de atacar e ultrapassar a defesa Gunner, sofrendo muita marcação em cima de Seri e Anguissa, além de Sessegnon ser sempre brecado por Bellerín, que fez uma grande partida na defesa. As melhores chances do Fulham ocorreram com os desmarques de Vietto, buscando agressividade em suas ações, envolvendo Mitrovic, que embora tenha recebido poucas bolas, levou perigo nas escassas oportunidades.

Arsenal02Saída de bola do Arsenal, tendo sempre os volantes como opção de continuidade das jogadas
Arsenal03Uma variação da saída de bola, com um dos volantes (Torreira), aberto próximo na linha de zagueiros.

Apesar do grande volume ofensivo e não tendo dificuldades de atacar, pela inexpressiva defesa do Fulham, pecava no momento da finalização, tendo aberto o placar apenas aos trinta do primeiro tempo com Lacazette. O camisa 9 Gunner, antes do gol, já demonstrava um maior destaque no jogo, sempre se movimentando próximo dos meio-campistas, saindo bastante da área e não se prendendo em posicionamento fixo lá na frente, atuando mais como um segundo atacante atrás do centroavante, deixando esta posição de ataque a Welbeck, que em muitas situações também se movimentava, confundindo a defesa.
Mas aos 44 minutos da etapa inicial, sofreu o empate em um contra-ataque do Fulham, após saída errada de Monreal, pelos pés de André Schürtle, dando fim ao primeiro tempo.

O Arsenal no início da segunda etapa, continuou com seu forte volume ofensivo e em falha defensiva do Fulham, Lacazette desempata a partida em um chute de primeira.Atrás do placar o time do Fulham se lançou ao ataque, na tentativa de buscar o resultado, com o técnico Slaviša Jokanović retirando Tim Ream e colocando Kamara, apostando em um jogo de mais transição, cedeu muitos espaços para que o Arsenal trabalhasse a bola na base da jogada, mas quando chegava próximo a metade do campo adversário acelerava o jogo, com muita troca de posicionamento dos homens de frente e em certos momentos apostava em bolas longas nas laterais.

Sem ter efetividade Slaviša Jokanović, alterou novamente a equipe retirando Anguissa do jogo, que não fez boa partida, sendo facilmente vencido pelos marcadores Gunners, cedendo lugar McDonald, jogador de melhor controle de bola e defesa, melhorando as ações do time, igualando os duelos no meio-campo. Já Unai Emery, retirou Welbeck que fora importante nas movimentações da primeira etapa, entrando Aubameyang. Uma troca que não alterou a estratégia adotada desde o início.

Percebendo que o jogo parecia mais propício para jogadas mais trabalhadas, Emery mexeu novamente na equipe, retirando Iwobi, que enquanto teve espaços esteve muito bem na partida, para a entrada de Ramsey, jogador com bom controle de bola e chegada na área buscando a finalização.

No contexto do jogo, o time melhorou a circulação de bola, conseguindo abrir espaços na defesa adversária, tendo muitas infiltrações dos atacantes. Em um destes momentos, em belíssima jogada, Aubameyang conseguiu encontrar Ramsey, que de calcanhar ampliou o placar.

Após o gol o Arsenal tomou conta do jogo, sendo soberano até o final, ampliando sua vantagem em mais 2 gols, marcados por Aubameyang. O jogador gabonês, parece aos poucos assimilando as movimentações solicitadas aos atacantes no modelo proposto, saindo bastante da área e caindo pelos dois lados e quando possui a bola busca bastante velocidade em suas ações. Quando está mais centralizado busca um posicionamento mais próximo aos zagueiros, abrindo espaços para a chegada dos companheiros. Fez ótima partida.

screenshot_2018_10_11_14_17_25Ramsey por dentro, com Torreira e Xhaka na saída de bola e os laterais já em progressão ao campo ofensivo.

Já próximo do final, ocorreu a entrada de Matteo Guendouzi, um jogador jovem, ganhando mais minutos em sua adaptação a Premier League e que possui boa visão de jogo, movimentações na base da jogada, se associando com os companheiros, sempre dando opção de passe, pra continuidade das jogadas. Com ele em campo, Torreira, se posicionou em uma faixa de campo mais acima, pressionando diretamente jogadores adversários na intermediária, conseguindo certa efetividade na recuperação da bola, além de muitas infiltrações na área.

Unai Emery aos poucos vai conseguindo implementar suas ideias, muito próximas aos tempos de Sevilla, mas adaptando-se a exigência do futebol inglês, de velocidade nas transições. O futuro no norte de Londres parece ser promissor até aqui.
@ojunomartins

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