Cruzeiro eficiente vence jogo de ida da final – ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 1 x 0 CORINTHIANS

Por Davi Magalhães

Pela segunda vez consecutiva, o Cruzeiro disputaria a final da Copa do Brasil. Para defender o título, encararia um cenário diferente. Se uma das grandes características do time é a solidez defensiva, contra o Corinthians precisaria propor o jogo. Uma vez que depois de algum tempo, o Cruzeiro faria o primeiro jogo da eliminatória jogando dentro de casa.

Por isso, Mano Menezes colocou Ariel Cabral como titular, formando dupla de volantes com Henrique. O treinador disse após o jogo que a entrada do argentino se devia a estratégia cruzeirense na partida. Sabendo que o Corinthians fecharia a casinha, se defendendo de forma compacta, o Cruzeiro precisaria propor o jogo. Para isso, precisaria de um meio de campo como Ariel Cabral para ajudar na construção do jogo.

No início da partida, o Cruzeiro já mostrava que a sua postura seria diferente, o time começou o jogo adiantando a marcação para pressionar a saída de bola corintiana. Sabendo que enfrentaria um time fechado, o Cruzeiro começou em cima, para encaixotar o adversário em seu próprio campo, ter mais bola e traduzi-la em chance de gol. Um gol marcado era tudo que o time de Mano queria. Pois o gol poderia jogar a estratégia do adversário por água abaixo.

Como não contava com Arrascaeta, Rafinha entrou no lugar do uruguaio pela esquerda. Para compensar a ausência, Robinho ganhou mais liberdade para flutuar pelo campo. Coube ao camisa 19, ser importante na construção do jogo. Robinho recuava até a base da jogada (espaço à frente dos volantes adversários) para receber a bola. O meia tem ótima qualidade de passe e diante de um adversário truncado, era essencial a sua movimentação para se apresentar como opção de passe e ajudar o time a construir o jogo.

combate ao firminoA esquerda, mapa de passe de Robinho na partida. O meia se deslocava da direita em direção ao meio, no momento ofensivo. Recuando para iniciar a construção do jogo e se posicionando entre as linhas de marcação, quando a bola chegava no último terço do campo. Robinho fez a função de Arrascaeta, flutuando pelo campo. Via: FootStats

Porém, quando o Cruzeiro criava chance de gol, o Corinthians desacelerava o jogo, e começou a frear o ímpeto cruzeirense. Não permitindo que a equipe tivesse muito volume de jogo na partida. Embora, em alguns momentos, o centroavante Barcos apresente dificuldade de finalizar as jogadas, o “pirata” conseguia ganhar a primeira bola, estabelecendo o time no campo de ataque. Mano Menezes utiliza muito o seu atacante quando procura propor o jogo. Nesse cenário, Barcos recuava para fazer o pivô, escorar a bola e criar espaços na defesa adversária.

Ainda que o time da casa conseguisse ter essa posse no último terço do campo, pecava muito na tomada de decisão para a criação de chances de gol. Errando alguns passes no campo de ataque que impediam o time de finalizar no gol adversário. Sobretudo pelo lado direito, quando Robinho se deslocava para o meio, Edílson avançava e atacava o corredor para tentar chegar a linha de fundo. Mas, o lateral direito só conseguiu fazer um cruzamento na partida. E perdeu 5 de 7 duelos individuais.

O time comandado por Mano ataca muito pelos lados do campo. Iniciando a construção pelo meio com os volantes, tendo Thiago e Robinho se revezando recuando e se apresentando como opção de passe, para acabar a jogada pelo lado. O time joga de dentro para fora. Se no lado direito, o time não estava obtendo muito sucesso, o Cruzeiro passou a jogar mais pela esquerda. Por ali havia a dobradinha Egídio-Rafinha. Quando o extremo-esquerdo (Rafinha) estava aberto, o lateral esquerdo (Egídio) jogava por dentro. Quando Rafinha fazia a diagonal, procurando jogar entre as linhas de marcação, Egídio passava e avançava pelo corredor.

ataNos frames do ícaro Caldas (@CoachAbilio10 no twitter), note como Egídio e Rafinha realizavam a dobradinha pelo lado. Quando Egídio estava por dentro, Rafinha estava aberto e vice-versa. Para assim, criar superioridade numérica no setor da bola e tabelar para chegar até a linha de fundo.

O jogo pelo lado esquerdo funcionou mais. Os dois trocaram 21 passes na partida. Contra 16 da dupla Robinho e Edílson pela direita. 42,4% da posse de bola cruzeirense era pelo lado esquerdo do ataque. Obtendo mais sucesso por ali. Uma vez que Rafinha e Egídio interagiam bem e faziam bom primeiro tempo. Tanto que no final do primeiro tempo, foi através de um cruzamento do lateral esquerdo Egídio, que Thiago Neves abriu o placar para o Cruzeiro. Egídio é um dos jogadores mais importantes na criação do time, suas subidas pelo lado esquerdo são fundamentais para o time criar chances de gol. Ontem, ele foi decisivo cruzando para Neves marcar. O camisa 30 que havia acertado uma bola na trave, marcou o gol de cabeça. Gol esse que teve a cara de Mano Menezes: jogada pelo lado do campo e os jogadores entrando na área par finalizar. Questionado por fazer uma temporada um pouco abaixo, o meia atacante apareceu no momento certo. Em um dos jogos mais importantes da temporada, ele recuava para buscar o jogo, e fez bom jogo atuando entre as linhas de marcação.

Na segunda etapa, o cenário era favorável ao Cruzeiro. Que poderia jogar com tranquilidade, deixando o Corinthians ter a bola e sair em velocidade. Uma vez que a equipe paulista encontra dificuldade de propor o jogo, a equipe de Mano recuou as linhas de marcação. Não pressionava mais a saída de bola do rival. Se postava com suas duas linhas de 4 compactas, a partir do meio-campo. Negava espaço ao adversário e esperava o momento certo para matar o jogo.

Mano ainda colocou David, Raniel e Sóbis para tentar aproveitar os espaços na defesa corintiana. Após o jogo, o treinador declarou que em uma final é preciso atuar com eficácia e não com excelência. Pensando nisso, o time atuou na segunda etapa procurando aproveitar os erros do Corinthians. Ficou a impressão que cabia mais. Pelas chances desperdiçadas pelo time. As 3 chances de gol criadas no segundo tempo foram claras. As três de dentro da área do goleiro Cássio. Numero que ajuda a entender como o Cruzeiro procurou jogar com inteligência em vez de uma atuação soberba. Ficou claro que Mano adotou a estratégia de jogar com sabedoria, sem deixar o adversário finalizar no seu gol e esperar o erro dos visitantes para matar o jogo. O segundo gol não veio. Entretanto, era preferível vencer o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, independente da vantagem.

Foi o que aconteceu. No Mineirão, o Cruzeiro venceu o jogo por 1 a 0 merecidamente. Permitindo apenas 3 chutes do adversário em seu gol. Nenhum acertou o alvo de Fábio. É notável ver como o time atua com muita consciência, sabendo muito bem jogar esse tipo de confronto. O time leva uma boa vantagem para o jogo de volta. Vantagem conquistada no maior estilo Mano Menezes. Um time competitivo, equilibrado, sólido e cascudo. Que ontem demonstrou que sabe propor o jogo também. Apesar de se sentir mais confortável entregando a bola ao adversário. Em Itaquera, o Cruzeiro encontrará um cenário conhecido. Terá que administrar a vantagem conquista no jogo de ida. Como foi diante do Santos, Palmeiras pela Copa do Brasil e Flamengo pela Libertadores.

@magalhaesDavi_

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