Analisando a instabilidade do desempenho do Inter de Odair

Por Rafael Maciel

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O INÍCIO

O trabalho de Odair Hellmann à frente do Inter, fala por si só. Retirando a equipe do ostracismo da série B e devolvendo para um nível competitivo de primeira divisão. O caminho percorrido por Odair até que a equipe assimilasse seus conceitos, foi árduo e repleto de espinhos: eliminações precoces no Gauchão, Copa do Brasil e arrancada preocupante no Campeonato Brasileiro da Série A.

No início da temporada, a equipe manteve a base da série B e tinha como característica a manutenção da posse de bola, aproximação para passes curtos, construção desde a defesa e jogo com passes mais curtos. A pré-temporada não foi suficiente para que a equipe dominasse esses conceitos, o que dificultou o desempenho da equipe. Após a eliminação no campeonato estadual, Odair teve o privilégio de poder realizar uma intertemporada de 3 semanas cheias para rever seus conceitos.

RECONSTRUINDO A EQUIPE

Este meio de temporada foi fundamental para que Odair pudesse conhecer melhor a característica individual dos atletas disponíveis no elenco. Foi neste momento que Odair percebeu que poderia transformar o Inter em uma equipe mais competitiva, explorando os pontos fortes do elenco:

ataA mudança de chave só ficou visível e nítida para todos, após o primeiro GreNal do Campeonato Brasileiro disputado na Arena: Grêmio tendo domínio da posse, mas com dificuldade de romper o sistema defensivo colorado. Inter abdicou da posse e reagiu muito bem ao Grêmio (que possuía uma das melhores equipes na circulação e construção ofensiva do Brasil).

O Inter emplacou 10 jogos de invencibilidade (maior sequência de invencibilidade colorada) e conquistou 73% dos pontos disputados.

Nestes 10 jogos da equipe, em 5 (50%) a equipe não sofreu gols. Este era o primeiro indício da solidez defensiva encontrada por Hellmann. Estas 10 rodadas, retiraram o Inter da 13º colocação e colocaram a equipe na 3º lugar.

A derrota que interrompeu esta boa sequência, ocorreu para o América MG (fora de casa), quando houveram erros decisivos de arbitragem, ausência de Dourado e Adilson Batista estreava no comando do Coelho.

MELHOR DEFESA DO BRASIL

Após a derrota para o América-MG, o Inter ajustou os últimos detalhes que faltavam para seu Sistema Defensivo. Patrick encontrou o equilíbrio apoio-reposição e melhorou o entrosamento com Iago para as compensações de cobertura de espaço. Rodrigo Dourado passou a dominar o meio campo: protegendo de modo único os espaços e aumentando a qualidade da sua circulação de bola.

A equipe ficou 7 jogos inteiros sem sofrer gols e as poucas bolas que chegavam com perigo, Marcelo Lomba (em excelente fase) salvava a equipe.

  • Índice de Fechamento dos Espaços da Equipe (Até a derrota para o América-MG):
    • 21,7 passes adversários para cada tentativa de desarme
  • Índice de Fechamento dos Espaços da Equipe (Sequência de 7 jogos pós derrota para o América-MG):
    • 19,1 passes adversários para cada tentativa de desarme
    • Melhora de 12%!
    • Inter passou a ter o melhor índice de Fechamento dos Espaços (Passes Adversários / Tentativa de Desarme) do Campeonato Brasileiro!

Durante muitas rodadas, a Seleção Bola de Prata do Campeonato Brasileiro, continha Victor Cuesta, Moledo, Dourado (Bola de Ouro) e Patrick.

O desempenho defensivo do Inter passou de uma média de 0,73 gols sofridos por jogo (até a derrota contra o América-MG) para 0,54 gols por jogo (melhora de 27%)!

Com um modelo pautado na reação, mas com certa qualidade para executar jogada mais trabalhadas, Inter passou à brigar pela ponta do campeonato, com atuações discretas, porém seguras. Através de uma nítida valorização do sistema defensivo, equipe atuava concentrada em anular seus adversários, para posteriormente poder agredi-los.

Números Individuais da Dupla de Zaga na Temporada:

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Números Individuais de Dourado e Patrick na Temporada:

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A INSTABILIDADE NO DESEMPENHO

No início da temporada, poucos acreditavam que o Inter teria forças para ficar próximo ao G4. Após o início irregular no Gauchão, as expectativas para o Brasileirão baixaram ainda mais.

Porém com um material humano limitado e vindo de um período de reconstrução na gestão do clube, Odair vem entregando um resultado muito superior à qualquer expectativa. Mais de 70% do campeonato já passou, e a equipe ainda é vice-líder, com razoáveis chances de título.

Por atuar em apenas uma competição em praticamente todo segundo semestre, o Inter possuía certa vantagem em relação aos seus adversários. Em 2018, o Inter joga 1 partida à cada 5,5 dias. Boa média, para um calendário que muitos clubes ficam próximos aos 4 dias.

  • Das 10 derrotas do Inter na temporada:
    • 80% foram em jogos com menos de 6 dias de intervalo
    • 20% foram em intervalos maiores ou iguais à 6 dias.
    • Ou seja, quando o Inter atua de forma mais frequente, equipe fica mais propensa à ser derrotada;
    • Intervalo Médio das Derrotas: 4,50 dias

  • 33% das vitórias na temporada, ocorreram em intervalos maiores ou iguais a 6 dias!
    • Intervalo Médio das Vitórias: 5,04 dias

Entretanto, após chegar ao topo, equipe passou à encarar um problema recorrente em campeonatos de longa duração (principalmente em calendários apertados, como no Brasil): desfalques!

Nos últimos 10 jogos pelo campeonato Brasileiro, Inter teve uma nítida queda de desempenho, que refletiu nos resultados. O aproveitamento da equipe caiu de 65% para 60% e a média de gols sofridos subiu de 0,67 para 0,68. Parece pouco, porém em um campeonato tão disputado, isso é um diferencial.

Estes 10 jogos, coincidiram com uma sequência incrível de desfalques (suspensão ou lesão) de jogadores importantes para o sistema defensivo: Cuesta, Moledo, Dourado, Edenilson, Iago ou Patrick.

Nestes 10 jogos, apenas em 2 oportunidades a equipe atuou com o sistema defensivo completo (vitória contra Flamengo e empate contra Palmeiras). Nos demais, sempre houve algum tipo de desfalque.

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BALANÇO DA TEMPORADA

CONCLUSÃO: por ter uma tabela teoricamente mais fácil, Inter tem boas chances de disputar o título com Palmeiras, mas essa não é uma obrigação, tendo em vista às limitações técnicas do plantel e as expectativas originais da temporada! Belo trabalho inaugural do jovem Odair Hellmann!

@rafaellomaciel

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