O pulso ainda pulsa – ANÁLISE TÁTICA SPORT 2 x 1 INTERNACIONAL

Por João Pedro Pereira

Precisamos contextualizar para entender como o Sport chegou nesse confronto: Milton Mendes, o quarto treinador da equipe na competição, estava à frente do time no seu segundo jogo, o primeiro em casa e com tempo para trabalhar. Na sua estreia, a equipe havia levado uma sonora goleada do Atlético Mineiro no Independência com espaço para muito mais. Por ter chegado na quarta-feira, viajado na sexta e entrado em campo no domingo, Milton priorizou a manutenção da equipe base de Eduardo Baptista. Morato, Rogério e Cláudio Winck que treinaram na quarta e na quinta na equipe titular foram vetados da partida contra o Galo por causa de lesão. Aos cacos e numa tarde infeliz, o Leão levou 5 a 2 do Galo e o cenário era de desolação total. Mas ali, mesmo com o cenário de Terra Arrasada, Milton Mendes encontrou pontos positivos para motivar a equipe e promoveu mudanças que se faziam necessárias.

ata

Em 8 rodadas com Eduardo Baptista no comando da equipe, o Sport conquistou apenas 4 pontos (1 vitória, 1 empate e 6 derrotas). Havia uma sensação de que o time estava evoluindo, mas essa evolução nunca se converteu em pontos, e muito menos em gols, já que no período de 8 rodadas a equipe marcou apenas duas vezes (média de 0,25 gols por partida).

Então este era o cenário em que o time chegava numa decisiva partida contra o Internacional. Calculadora na mão e as projeções diziam que o time precisaria de 6 ou 7 vitórias nos 11 jogos restantes, sendo 6 desses jogos em seus domínios, na Ilha do Retiro. Seriam 11 finais, e o primeiro adversário era o Internacional.

Sem poder contar com Hernane, Rogério, Morato por conta de lesão, Durval que fora expulso na última partida, Ernando, Léo Ortiz, Andrigo e Cláudio Winck por questão contratual (os 4 jogadores pertencem ao Internacional) esse foi o time escalado por Milton Mendes para a primeira das 11 decisões.

Atacava no 4-2-3-1 e defendia num 4-4-2 em duas linhas.

ata

ata

A partida começou bastante disputada, mas o Sport buscava uma pressão inicial e estava melhor na partida. Após 15 minutos de pressão, o Inter dominou o meio campo e consequentemente as ações do confronto. O sistema defensivo leonino, que marcava por zona utilizando duas linhas de 4 e uma dupla na frente, não conseguia encaixar na dupla de volantes do Inter (Dourado e Patrick) e a mobilidade do meia Camilo dificultava ainda mais essa tarefa. Mas o jogo seguiu morno durante todo o primeiro tempo, sem muito trabalho para nenhum dos goleiros.

ata

Foi aí, que as diferenças começaram a aparecer do time de Milton para o de Eduardo. O de Milton, apesar de se basear defensivamente num 4-4-2 parecido com o Eduardo, quando o Internacional chegava ao terço final do campo, variara bastante a forma como se defendia. Marcão Silva passou a acompanhar Camilo mais de perto, quase que numa marcação individual, e o sistema defensivo passou a variar do 4-4-2 para o 5-4-1 com o ponta que atuava pelo lado da jogada “afundando” para a última linha, Marlone descendo para complementar a linha de 4 (vezes pelo meio como interior, vezes pela ponta como extrema) e Michel Bastos ficando sozinho à frente pressionando Rodrigo Dourado, que por muito tempo esteve livre para distribuir a bola.

ata

ata

Ofensivamente o time buscava com muita velocidade chegar ao último terço, para aí sim trabalhar mais a bola através de triangulações. Do lado direito, Gabriel dava amplitude e trabalhava a bola com Raul Prata (trocaram 40 passes na partida) e o volante Jair. Normalmente buscavam Michel Bastos que era a referência ofensiva, ou Marlone que tentava a todo momento infiltrar. Pela esquerda, Mateus Gonçalves estava um pouco mais isolado. Marlone e Marcão pouco aproximavam para tabelar, e Sander buscou fazer ultrapassagens para cruzar, mas mais uma vez errou bastante.

ata

No início segundo tempo, após duas falhas de Raul Prata na saída de bola, D’Alessandro encontra Nico López livre para abrir o placar da partida. Foi aí que Milton Mendes passou a variar ainda mais a equipe, dessa vez na parte ofensiva. Marlone deu lugar à Rafael Marques. A equipe recifense chegou ao empate através da bola parada. Gabriel cruzou e encontrou Adryelson, garoto de apenas 20 anos estreante em série A, que subiu mais que todo mundo para testar a bola para o gol. Vendo o momento e buscando a virada, o comandante rubro-negro tirou Gabriel e Marcão de campo para as entradas do centroavante Matheus Peixoto e do volante Fellipe Bastos que tem boa chegada ao ataque e finalização de longa distância.

ata

Foi assim que a equipe conseguiu a virada. Fellipe Bastos pressionou a transição ofensiva do Internacional, recuperou a bola após um péssimo passe de Charles e encontrou Michel Bastos, que por sua vez, aproveitando que a defesa aberta do Inter deixou Mateus Gonçalves cara a cara com Marcelo Lomba, aí foi só empurrar para as redes e sair pra festa.

ata

A missão para sair dessa péssima fase que o Sport vive ainda é bastante árdua, mas com tempo para trabalhar, boas ideias de jogo e execução, Milton Mendes e seus comandados mostraram que é sim possível ser competitivo e jogar de igual para igual contra qualquer time. Resta saber se essas mudanças serão duradouras ou só mais um vento passageiro pelas bandas de Recife.

Na próxima rodada o Leão viaja até o Paraná para enfrentar o Atlético Paranaense na Arena da Baixada. O jogo será no domingo (14) às 19 horas.

@Joao_PPereira

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s