O Chelsea de Maurizio Sarri

Por Caio Alves 

O italiano Maurizio Sarri ficou em evidência após desempenhar uma grande trajetória sob o comando do Napoli. Acima dos resultados – que foram ótimos, diga-se –, sua equipe passou a ser conhecida por um futebol propositivo e merecedor de grandes conquistas, chegando a ser adversário direto da Juventus na briga pelo título da Serie A. Após demitir o também italiano Antonio Conte, o Chelsea buscou, em Sarri, os mesmos resultados e ideologia que o treinador implantou no San Paolo.

Durante a pré-temporada, a maior incógnita e medo por parte dos torcedores foi a ruptura de um trabalho concreto e a transição entre estilos totalmente opostos. Enquanto Conte impunha um jogo reativo e sólido, atuando com 3 zagueiros e limitando Eden Hazard em um determinado setor, Sarri tinha a responsabilidade de, em seu 4-3-3 e jogo posicional, propor o seu modelo de jogo. A dúvida tornou-se ainda maior pelo fato de o técnico ter chegado com a pré-temporada já em andamento e tendo poucas semanas de treinamento.

Ainda que com menor tempo que os demais adversários da pré-temporada e da própria Premier League, Maurizio Sarri foi capaz de implantar, de forma clara, sua ideologia. Inegável que, com o passar do tempo, o estilo de jogo se torne ainda mais fino, mas já era possível ver suas ideias dentro de campo.

Na fase ofensiva, 4-3-3, a mesma plataforma utilizada no Napoli. Em seu jogo posicional, profundidade por parte do atacante, amplitude por parte dos laterais e domínio da base com Kanté-Jorginho-Kovacic. Ao atacar, o Chelsea propõe um bloco médio-alto, os laterais se posicionam à frente da linha do meio-campo e Hazard, protagonista do time, em liberdade posicional, sempre oferecendo alternativas pelo campo, enquanto conduz, transita e distribui, além de finalizar de forma acima da média.

Até aqui, o Chelsea, seja na Premier League, Europa League ou qualquer outro torneio em que disputa, demonstra um estilo de jogo bastante propositivo, dominante e intenso. Nas mãos de Sarri, Jorginho, Kanté e Hazard são os jogadores mais potencializados pelo treinador. Jorginho é a base. Atuando como pivote, o ítalo-brasileiro é responsável por recepcionar o jogo na saída de 3 e distribuir à partir da base, além de transitar em todo campo com o intuito de destruir e recuperar. Com a chegada do camisa 5, Kanté foi obrigado a tornar-se um interior. Ainda que tenha havido desconfiança, o francês vem desempenhando bom papel até aqui. Refém do jogo posicional, N’Golo guarda mais a posição do lado direito. Mas, ainda assim, não se mostra limitado, desarmando e interceptando desde a saída de bola adversária, com a soma do poder organizacional.

riNúmero de interceptações e desarmes de Kanté diminuem com sua nova função.

riRecepções de jogo de Jorginho vs Liverpool

Além dos já mencionados, um jogador bastante beneficiado com a chegada de Maurizio Sarri é o brasileiro David Luiz. Com Cahill em constante queda técnica e Christensen possuindo menos recursos técnicos, o zagueiro – que havia sido afastado por Conte – voltou a somar minutos como titular. Formando dupla com o alemão Antonio Rudiger, o Chelsea passa a ganhar na saída de bola

David Luiz, atualmente, é o zagueiro mais técnico no plantel que o Chelsea dispõe. Por consequência, principalmente no modelo de jogo em que Sarri busca implantar, é de extrema importância possuir um jogador desse nível. Com a equipe executando uma saída limpa desde os centrais, David Luiz, principalmente quando pressionado pelo adversário, acaba tornando-se responsável por dar verticalidade e distribuir bolas longas aos setores à frente.

Defendendo seu próprio campo, um nítido 4-4-2. Nesse sistema, sem intercâmbio e bastante sólido numericamente falando, o Chelsea é capaz de oferecer pressão ao portador constante e encaixes individuais intensos. Além do mais, muito pela busca em ocupar o campo adversário na fase ofensiva, o time procura executar a pressão pós-perde em, no mínimo, igualdade numérica, possibilitando maior chance de desarme.

Muito pelo poder combativo de Kanté no corredor central e da soma de Jorginho na base, a transição defensiva do Chelsea acaba não sendo prejudicial em um time que atua com o bloco médio-alto e possuindo zagueiros não tão velozes em campo aberto. Ainda que venha sofrer com esse fator em certas ocasiões, a equipe segue administrando o problema. Um fator para isso é que, nas transições adversárias, justamente por ter características defensivas, Azpilicueta torna-se importante. Assim que Rudiger sai de seu setor para combater, o espanhol faz a leitura de jogo e ocupa sua posição.

ri

Uma prova de que Sarri busca a missão de potencializar ainda mais Eden Hazard é no próprio momento defensivo, utilizando o jogador como válvula de escape nas possíveis transições ou administrações da posse de bola. Nas cobranças de escanteio, por exemplo, enquanto toda a equipe ocupa a própria área, apenas Hazard se posiciona para puxar o contragolpe. Além disso, nas fases defensivas, é o belga quem compõe a última linha, juntamente com o atacante – normalmente Olivier Giroud –, para pressionar a saída de bola e oferecer contra-ataques.

É a primeira temporada de Maurizio Sarri sob o comandando do Chelsea, além de ser início de temporada, mas, ao menos por enquanto, as pretensões são positivas. É uma equipe que não dispõe de um plantel tão grande, também sendo refém de poucas opções em setores específicos, como na zaga e nas pontas. Entretanto, principalmente por esses fatores postos, o trabalho do treinador italiano demonstra ser maior ainda. Somando bons resultados e implantando uma promissora ideologia, Sarri pretende escrever sua história no futebol inglês da mesma forma que o fez em seu país de origem.

@CaioAIves

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