Quebra de tabu – ANÁLISE TÁTICA SÃO PAULO 0 x 2 PALMEIRAS

Por Pedro Galante e Breno Barbosa

O choque-rei desse sábado (06) foi uma espécie de final, o duelo entre o primeiro e segundo colocado foi decisivo no rumo de ambas as equipes.

O São Paulo contou com a volta de Everton, mas Aguirre optou por deixá-lo no banco de reservas. Rojas foi escalado pela ponta esquerda, Bruno Peres pela direita e Rodrigo Caio de lateral direito.

A criação tricolor não funcionava. Nenê era vigiado por Felipe Melo, Bruno Peres e Rojas não conseguiam dar continuidade as jogadas. Jucilei e Hudson ficaram sobrecarregados, soma-se a isso as suas características nada condizentes com o que o jogo pedia. Hudson é um volante de condução, Jucilei de lançamentos longos e o necessário era trocar passes curtos com velocidade.

ibraNenê marcado por Felipe Melo, volantes sobrecarregados. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O técnico Felipão apresentou uma variação no esquema tático, fortalecendo sua defesa e potencializando o setor ofensivo. A ideia de jogo foi a mesma nos 90 minutos, independente das peças que estavam em campo. Na marcação, os visitantes estavam postados no 4-1-4-1, esperando o adversário fazer a progressão ao campo ofensivo e pressionando o portador da bola. Inibindo o São Paulo de achar espaços e criar oportunidades, os mandantes tiveram sete finalizações, sendo somente uma grande chance.

riNa primeira etapa, o Palmeiras  marcando no 4-1-4-1 (Marcos Rocha; Luan e Gustavo Gomez; Victor Luís; Felipe Melo; Hyoran, Moisés, Lucas Lima e Dudu; Deyverson). Variando entre pressionar com às linhas altas ou esperar com às linhas baixas. (Foto: Premiere)

Com a posse da bola, o esquema mudava para o 4-2-3-1, tendo dois volantes para iniciarem a criação das jogadas, isso possibilitava o Palmeiras ter superioridade numérica no meio-campo. O Alviverde teve apenas 40% de posse, deu 207 passes precisos e obteve oito finalizações, porém foi uma equipe eficiente no último terço.

ataO adversário proporcionou muito espaço aos volantes do verdão, com isso eles tiveram tempo para pensarem e criarem os melhores lances. (Foto: Premiere)

Nas jogadas ofensivas, o verdão fazia lançamentos buscando a referência de Deyverson, além de ter a aproximação dos outros jogadores, com profundidade e infiltrações. Os dois extremos ajudavam na recomposição, ficavam abertos para dar profundidade e com o domínio da bola, afunilavam pelo meio.

ataDeyverson se projeta nas costas da última linha defensiva, enquanto Mayke pelo lado direito acha lindo passe, o Palmeiras quase marcou na jogada. (Foto: Premiere)

O Palmeiras abriu o placar aos 34 minutos, em uma jogada de escanteio. O paraguaio Gustavo Gomez saiu sozinho após uma falha sistêmica. Gomez parte de trás, seu marcador inicial era Nenê, no entanto o camisa dez não o acompanha, Rodrigo Caio marca a bola e Anderson Martins erra totalmente o tempo de bola para interferir.

Apenas três minutos depois, os comandados de Felipão chegam ao segundo gol. Em contra-ataque, após cobrança de escanteio, o Palmeiras ataca com três jogadores contra dois do São Paulo. Dudu acerta a trave, no rebote Mayke cruza e Deyverson – em mais um erro da defesa tricolor – aparece sozinho para cabecear.

Um dos destaques individuais foi o zagueiro Gustavo Gomez (dois desarmes, quatro interceptações, quatro cortes, cinco duelos ganhos, cinco lançamentos precisos e um gol marcado), ao lado de Luan formou uma dupla segura. Quando o paraguaio saiu para a marcação do centroavante adversário, o volante Felipe Melo fazia a recomposição na primeira linha.

riFelipe Melo ocupando o espaço deixado por Gustavo Gomez, que pressionava o portador da bola. O Palmeiras tinha superioridade numérica no setor da bola. (Foto: Premiere)

Aguirre promoveu duas alterações para a segunda etapa: tirou Rodrigo Caio e Nenê, e colocou Everton e Gonçalo Carneiro. A ideia era devolver Rojas para a ponta direita, voltar Bruno Peres para a lateral, abrir Everton pela esquerda e apossar na força física de dois centroavantes. No entanto, essas alterações mataram a criação – que já não era boa. Sem nenhum meia, a dupla de volantes ficou ainda mais sobrecarregada, os pontas sempre estavam em inferioridade numérica.

riSão Paulo atacando com dois atacantes, mas ninguém ocupando a entrelinhas. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O time queria apostar em cruzamentos mas acertou apenas um de quinze, míseros 7% de aproveitamento. Foram quatro chutes e apenas um no gol. Dados do SofaScore.

Ainda havia uma substituição a ser feita e a esperança de que Liziero poderia reorganizar o meio campo, mas Aguirre trocou Diego Souza por Trellez, o que em termos práticos, não mudou nada. O uruguaio foi muito mal em suas alterações.

O Palmeiras ainda teve chances de ampliar em contra-ataques, a defesa tricolor sempre ficava exposta. Os comandados de Felipão demonstraram uma obediência tática e comprometimento na marcação, como vem acontecendo desde a chegada de Scolari.

ataOs visitantes atuando da forma que mais gosta, fazendo o jogo reativo. Deixando o adversário propor, porém sem sofrer riscos e com velocidade nos contragolpes. (Foto: Premiere)

Para o São Paulo é uma derrota extremamente lamentável, vencer era essencial. Agora o São Paulo se mostra mais distante da briga pelo título, mas a distância ainda é pequena (quatro pontos). Tudo vai depender de como a equipe absorverá essa derrota, se permitirá que isso abale a confiança, ou fará disso uma motivação para melhorar.

Agora pensando em questões mais práticas para melhorar o desempenho do time, falta ao São Paulo um referencial na hora de atacar, algo que auxilie a equipe na ocupação do espaço. Atualmente, a organização é bagunçada e confusa. O Palmeiras tem isso muito bem definido na figura de Deyverson, é algo que Aguirre poderia observar.

No mais, fica a certeza que é preciso repensar alguns mecanismos. Mas pedir a cabeça do técnico beira o absurdo, ele devolveu competitividade a uma equipe que lutaria contra o rebaixamento, deu ao torcedor a possibilidade de sonhar com o título, tudo isso com um elenco menor e pior se comparado ao dos rivais. A continuidade é essencial.

Com a vitória fora de casa, o Palmeiras quebra um longo tabu, aumenta a vantagem sobre o rival e segue na liderança. Equipe muito forte defensivamente e fatal ofensivamente. Excelente trabalho do técnico Luís Felipe Scolari.

@Pedro17Galante e @12Brenobarbosa

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