As diferenças do 4-3-3 para o 4-2-3-1 – ANÁLISE TÁTICA GRÊMIO 4 X 0 ATL. TUCUMÁN

Por Maurício Wiklicky

No jogo de classificação para as semi finas da Copa Libertadores da América, o Grêmio repetiu o esquema na utilizado no primeiro jogo das quartas de final na Argentina, o 433. Comentamos isso nessa análise tática do primeiro confronto e vamos explorar mais nessa análise.

Primeiramente a mudança se deu por não termos os dois centroavantes à disposição. Esse foi o grande movimento que fez com que mudasse do caracteristico 4231 para o novo 433.

Imagem acima mostra o posicionamento médio do Grêmio. Podemos ver claramente o tripé de volantes e os três atacantes.

Mas quais foram as mudanças?

DEFENSIVAMENTE

A característica principal de marcação individual foi mantida. Como não temos volantes “cães de guarda” Geromel e Kannemann continuam com vários confrontos diretos.

A marcação pelas laterais mudou. No 4231 os extremas (Ramiro e Everton) voltam até a linha de fundo defensiva, caso necessário, para fazer a marcação ao adversário. No novo sistema esses agora pontas (Alisson e Everton) acompanham o adversário até uma linha intermediária. Isso porque há mais consistência defensiva com um tripé de volantes. No caso de ontem Matheus Henrique centralizado, Cícero protegendo mais o lado esquerdo e Thaciano na direita.

Grêmio defensivamente no 433. Frame de Ícaro Caldas.

Na saída de bola a caractericista do 4231 se manteve. Utilizamos a saída de 3, ou também conhecida como a saída La Volpiana (em homenagem ao seu criador e desenvolvedor, o técnico mexicano Ricardo La Volpe). Essa saída constitui em um dos volantes começar a jogada no meio dos dois zagueiros. Quem faz isso é Maicon, mas com sua ausência Matheus Henrique e Cícero tiveram a incumbência de sair jogando, tendo assim melhor qualidade no passes.

Saída de três do Grêmio, com Matheus Henrique fazendo a função de Maicon nesse frame feito pelo Ícaro Caldas.

No início do jogo sofremos três chutes do Tucumán, pois estávamos desorganizados. Em especial Matheus Henrique ficava muito próximo da linha defensiva, por vezes parecia compor um linha com cinco defensores, porém era um erro de posicionamento. Com isso havia espaços na frente da área, o que oportunizou essas três finalizações. Aqui um comentário que somente quem está no estádio teve a chance de perceber. Kannemann conversa por quase 1 minuto com Matheus Henrique em um momento que a bola estava parada. Há a orientação de se posicionar mais a frente pelos gestos feitos pelo argentino.

Matheus Henrique na frente da linha defensiva. Foto do amigo Daniel Klabunde.

OFENSIVAMENTE

A grande vantagem desse novo sistema mostrada até aqui é o sistema ofensivo. Muito mais leve, rápido, de movimentação.

Como explicado os agora pontas não tem funções extremamente defensivas. O posicionamento é de buscar o ataque. Junto com Luan no meio (falamos mais dele abaixo) eles ficam sempre em posição de puxar o contra ataque, segurando os defensores.

Grêmio preparado para atacar.

Luan tem mais liberdade de se movimentar e confundir a defesa adversária. Seu jogo demonstra o porquê foi eleito o melhor da América no ano passado. Com espaço em todo campo de ataque, seja para os lados, seja para frente (onde não há a figura centroavante “trancando” sua movimentação) e funções de marcação somente na saída de bola do adversário, Luan pode usar e abusar de todo seu potencial. Luan se torna fluído e com isso o Grêmio também.

Lance do gol anulado do Grêmio. Participação de todos jogadores de ataque, Luan com liberdade de movimentação e associação. Ele começa e termina a jogada.

Outro fator importante é a participação de Cícero e em especial Thaciano na área adversária. Ambos tem características semelhantes na marcação, pois mais se posicionam e cercam do que vão para o confronto. Já no ataque, até mesmo pela condição física, Thaciano é muito mais participativo, estando quase sempre dentro da área como foi no caso contra Tucuman, onde deu assistência no primeiro gol, participou do lance do gol em impedimento, sofreu um penalti para muitos não marcado.

Ações de Thaciano contra o Tucumán. Pedido do seguidor Cesar Dorneles.

Outro ponto importante desse são as variações nas associações entre jogadores. No 4231 quase sempre temos Cortez-Everton / Leo Moura-Ramiro / Maicon-Luan / Luan-centoavante. No 433 eu vejo uma movimentação dos jogadores.

Há diferentes associações com os dois laterais três volantes e três atacantes. Por isso eu acho que devemos ter esse esquema na partida da semifinal contra o River Plate. A defesa dos Gallinas com Maidana e Pinola. Em contrapartida tem um sistema ofensivo forte, com velocidade e intensidade. O que Renato vai apostar, no ataque ou se resguardar na defesa? Os jogos do brasileirão mostrarão, mas acredito que o time seja esse:

@mwgremio

Anúncios

4 comentários sobre “As diferenças do 4-3-3 para o 4-2-3-1 – ANÁLISE TÁTICA GRÊMIO 4 X 0 ATL. TUCUMÁN

  1. Mauricio, boa noite, otimo texto!! Vc nao acha que Michel, Ramiro e Maicon trariam maior equilibrio fisico e tecnico do que com o Cicero? Digo isso pela maior vitalidade e combatividade de Michel vs Cicero, podendo liberar o Maicon de algumas obrigacoes defensivas e articular a saida da bola com o Ramiro.
    Creio que Ramiro recuado a 2o volante poderia triangular perigosamente com Alisson e Leo Gomes nos jogos fora de casa, criando sempre uma vantagem numerica numerica.. o que acha ??

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s