O último jogo de Barbieri no Fla – ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 2 x 1 FLAMENGO

Por Vinícius Melo

Após vitória por 2 a 1 ante o Atlético-MG pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo foi à São Paulo para disputa da segunda partida qualificatória das semifinais da Copa do Brasil. O adversário, o Corinthians do técnico recém-contratado Jair Ventura, e o resultado, um revés por 2 a 1 que abalou a confiança da diretoria de futebol em Mauricio Barbieri, seu treinador.

Ciente das progressivas cobranças sobre seu trabalho desde que perdera a liderança do campeonato nacional e fora eliminado da Copa Libertadores da América, principal torneio internacional do continente, Mauricio Barbieri iniciou, após empate contra o Vasco da Gama pela 25ª rodada do Brasileirão, a preparação para o jogo decisivo a partir da semana de treinos que teve entre os dias 17 e 22 de setembro e do hiato de jogos entre os dias 23 e 25 do mesmo mês.

Nesse período, o técnico dedicou tempo à reafirmação do modelo de jogo e, sobretudo, ao desenvolvimento de variações no processo de construção e alternativas para os movimentos ofensivos no terço final do campo. Fazia-se perceber, já àquela altura, a necessidade de estimular comportamentos diferentes no ataque do Flamengo, tendo em vista a dificuldade apresentada pela equipe contra o próprio rival paulista no primeiro jogo da semifinal, no qual sobrou pressão, mas faltou organização ofensiva, movimentos e velocidade de execução para superar a boa defesa adversária.

É sobre parte do que foi apresentado pelo time de Mauricio Barbieri no segundo confronto, e alguns princípios notados, que nos debruçaremos, de forma resumida, a partir de agora.

POSICIONAMENTO INICIAL

O time partiu do esquema-tático 4-4-1-1 / 4-4-2 em linhas.

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Cuéllar e Willian Arão compuseram a dupla de volantes no meio-campo; Lucas Paquetá teve liberdade à frente da linha de meio-campistas e partia de altura próxima à Dourado, já no ataque; Diego foi deslocado para o lado esquerdo do campo, de onde partia como um “meia-atacante de lado”.

ibraL. Paquetá partia da frente da linha de meias, e “puxava” da marcação alta; Diego, partindo da “ponta-esquerda” flutuava.

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

Com a bola o Flamengo apresentou alguns princípios importantes dentro do seu modelo de jogo, tais como:

– Amplitude máxima, ao procurar manter jogadores próximos às linhas laterais do campo para tentar romper a compactação horizontal adversária e garantir inversões e diagonais durante a circulação da bola;

– Profundidade, com H. Dourado no limite da linha de defesa adversária e infiltrações e movimentos diagonais de desmarque de jogadores como L. Paquetá e W. Arão;

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– Construção apoiada, ao procurar manter a posse circulando a bola a partir da troca de passes curtos, inclusive desde o próprio campo de defesa com auxílio do goleiro.

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Entretanto, faltou-lhe velocidade ao circular a bola e invertê-la em momentos chave da construção ofensiva, bem como mais movimentos sem a bola, para tentar gerar desequilíbrios e desorganizar a defesa adversária, além de profundidade na progressão em direção ao campo rival.

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

O Flamengo iniciou a partida alternando a altura do bloco de marcação posicionando-se ora mais recuado perto da própria área, ora mais próximo ao meio-campo. A plataforma defensiva, basicamente, mantinha a estrutura do posicionamento inicial do time (4-4-2), alternando, contudo, a forma de recuperação da posse e de constrangimento da circulação de bola adversária.

– Posicionamento

ibraImagem congelada – Flamengo posicionado defensivamente num 4-4-2 em bloco médio; Linha de 4 defensiva sustentada.

Marcação por zona

ibraMarcação por zona. Bola nos lados: Extremo (É. Ribeiro) pressiona e volante (W. Arão) faz a cobertura; L. Paquetá auxilia na pressão ao portador da bola.

– Marcação por zona pressionante

ibraRepresentação de movimento em imagem congelada. Companheiros flutuam para o setor da bola acompanhando o responsável pela pressão (Diego) de forma sistemática tentando encadear um sistema de coberturas para fechar as linhas de passe rivais próximas.

– Marcação alta

Em alguns momentos também subiu a marcação e avançou peças para o campo rival, capitaneada por Lucas Paquetá à frente.

Sobretudo na marcação por zona faltou mais ímpeto e intensidade na execução da pressão ao portador da bola desde os primeiros minutos. Nesse sentido, o lance do primeiro gol do Corinthians é paradigmático. Jadson tem tempo e espaço para lançar às costas de Pará.

ibraJadson lança, sem pressão, para Danilo Avelar que se projeta, enquanto Clayson induz Pará em direção ao centro da área.

Com dois laterais mais baixos, a linha de defesa fica mais vulnerável a inversões pelo alto visando à segunda trave.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Há um saber popular que diz que basta “uma noite ruim” e seu time é eliminado num mata-mata. O Flamengo viveu uma má noite e invariavelmente foi eliminado. Faltou intensidade em alguns momentos, pressionar em outros, bem como ser mais agressivo, tanto com a bola quanto sem ela.

Venceu o time que melhor executou a proposta de jogo dentro da sua identidade e que foi capaz de manter o ímpeto durante os 90 minutos. Diante desse cenário, é recomendável refletir e procurar sanar os equívocos para retomar o alto nível de competitividade e seguir na disputa pelo título do campeonato brasileiro.

@Analise_CRF

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