Um breve perfil de “El Loco” Bielsa e de seu Leeds – Parte 2/2

Por Gustavo Johnson e João Victor Cardoso

ibraImagem: www.thesun.co.uk

Depois de falarmos de Marcelo Bielsa, iremos analisar o seu atual time, o Leeds United. Passadas nove rodadas da EFL Championship (segunda divisão da Inglaterra), o Leeds de Marcelo Bielsa já chamou atenção, não só pela liderança, mas principalmente pelas boas atuações em um modelo de jogo pouco comum na liga inglesa. Em resumo, o estilo que “El Loco” propõe parte das bases do Juego de Ubicacion (jogo de posição) que vários treinadores utilizam, como Pep Guardiola, Juan Carlos Osorio, Maurizio Sarri. Porém, aplicando ao Leeds, tem as variantes de qualidade técnica dos jogadores e da competição, por exemplo. Então é mais comum vermos um jogo mais apoiado, uma espécie de embrião do jogo de posição, ou seja, há a aproximação de jogadores para a criação de triangulações, mas não é o ponto fundamental em que se desenrola o esquema do Leeds. Há a busca pela superioridade numérica, da amplitude e da profundidade, mas o terceiro homem não é um dos princípios que Bielsa buscar cobrar de seus comandados.

Modelo de Jogo

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Na organização defensiva, a equipe se formata em um tradicional 4-1-4-1, isso se não consegue a recuperação da bola logo após a perda. Essa pressão pós-perda é característica dos times de Bielsa, como o próprio treinador já afirma “La única manera que entiendo el fútbol es la presión constante, jugar en el campo rival y el dominio de la pelota“. Ou seja, sempre que se perde a bola em ataque, já há uma comoção para recuperá-la. Muito bem representada por jogadores como Klich e Roofe, que partem como feras atrás da bola perdida. Se o time adversário vence essa pressão, o time se organiza então em seu próprio campo. Os laterais fazem encaixes nos pontas adversários, mas não os acompanham todo o campo. O pivote (1º volante) Phillips fica nas coberturas na frente da primeira linha. Já na defesa, um dos zagueiros faz o encaixe e o outro fica na sobra. Assim, há um sistema muito equilibrado de compensações nas linhas, embora alguns jogadores ainda sofram para interpretá-lo.

ibraPressão do Leeds no campo adversário. (Imagem: @LUFCDATA)

Como dito, o volante Phillips tem uma função importantíssima dentro de campo. Primeiro homem de meio que é o ponto de equilíbrio do time. Muito seguro nas interceptações defensivas e nas vigilâncias, mantendo as compensações dos encaixes completas. Porém, a principal qualidade do jogador de 22 anos não é na cobertura defensiva, mas sim quando atua nas construções. As vezes baixa para a altura dos zagueiros, como líbero, permitindo que os laterais avancem como alas, oferecendo amplitude e profundidade. Além disso é um grande líder em campo, sempre com coragem para furar as linhas adversárias e se apresentando para as jogadas.

ibraReprodução: LUTV

Agora partindo para a construção de jogo do Leeds, é necessário focar muito na saída de bola. Como todo time que busca praticar alguma espécie de jogo posicional, a saída de bola é algo que é tratado com grande relevância. Como supracitado, Phillips é um jogador que impacta com uma magnitude tremenda nas ações de saída. Sempre a frente dos zagueiros, permitindo que os laterais avancem. Quando sofre com pressões mais altas, Phillips é um jogador chave. Orienta as linhas para atrair os adversários enquanto Alioski, Hernandez/Harrison e Roofe se movimentam nas entrelinhas, tentando criar linhas de passe suscetíveis de ativação.

Quando o time vence essa primeira barreira de marcação adversária, entra em ação o principal nome criativo da equipe: Samu Sáiz. Um grande condutor e armador de meio. O espanhol consegue desenvolver muito bem as transições ofensivas do time de Elland Road, com bons dribles curtos e grande liberdade para se movimentar entrelinhas, sempre se aproximando da bola para melhorar a circulação e criar triangulações. Pelo lado esquerdo isso ocorre muito, pelo fato de se juntar ao ponta macedônio Ezgjan Alioski. Os dois juntos formam uma dupla brutal nas criações do Leeds, com ótimas jogadas individuais e aproximações.

ibraSamu Sáiz e Alioski comemorando uma vitória pelo Leeds. (Imagem: GettyImages)

Em seu ataque posicional, o Leeds busca criar amplitude com seus laterais, profundidade com seu centroavante Roofe, e muita aproximação dos interiores, Saiz e Hernandez possuem bastante liberdade para flutuar entrelinhas e Roofe costuma se movimentar muito para criar espaços para infiltrações de Klich ou dos extremos, a equipe sempre busca a criação de triângulos associativos para criar jogadas. O Leeds é capaz de se adaptar ao seu adversário, mas não abre mão de ter um jogo apoiado e intenso como Marcelo Bielsa gosta.

ibraReprodução: LUTV

Como podem ver, a equipe de Bielsa é muito organizada com seus conceitos próprios. Claro que ainda há muitas imperfeições a serem acertadas, como dito as coberturas defensivas ainda deixam a desejar, normal por ser início de temporada, mas já é um princípio de trabalho muito bom. Como diria Cruyff: “Jogar futebol é muito simples, mas jogar um futebol simples é a parte mais difícil do jogo“. “Loco” Bielsa desconstrói a ideia que muitas pessoas possuem, erroneamente, que para ter uma equipe que propõe o jogo é necessário um apoio milionário. Senso comum. Com muito trabalho e empenho é possível, sim, propor bem o jogo.

@gujohnson03 e @jvcardoso05

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