É preciso saber sofrer – ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 1 x 1 PALMEIRAS

Por Davi Magalhães

Pelo segundo ano consecutivo, o Cruzeiro está na final da Copa do Brasil. O time defenderá o título contra o Corinthians na final. Na semifinal, eliminou o Palmeiras da mesma maneira que eliminou o Atlético-PR nas oitavas da Copa do Brasil e o Flamengo nas oitavas da Libertadores, a equipe conseguiu um ótimo resultado fora de casa. E jogando em seus domínios, administrou a vantagem adquirida no primeiro jogo.

Um dos diferenciais do time é o seu comandante. Mano Menezes que está há dois anos no clube, sabe muito bem o que fazer para obter sucesso nesse tipo de competição. A classificação conquistada foi um ótimo exemplo.

Como no primeiro jogo, o Cruzeiro havia vencido o Palmeiras por 1 a 0, bastava um empate para o time se classificar para a próxima fase. Por isso, era fundamental que o time não levasse um gol logo no início da partida jogando toda a vantagem por água abaixo. Para isso, a estratégia nos minutos inicias era desacelerar o jogo, impedir que o Palmeiras viesse para cima, tivesse volume de jogo, começasse bem e ganhando campo. Então, o Cruzeiro entregava a bola ao Palmeiras, porém sem fornecer campo a  equipe palmeirense. O Cruzeiro marcava em bloco médio, começava a pressionar o adversário com a bola, a partir da intermediária. Ao recuperar a bola, tirava a velocidade do jogo.

ibraSem Arrascaeta, Rafinha entrou no seu lugar pela direita. Assim se comportava o Cruzeiro no momento defensivo. Time se defendia com duas linhas de 4 em bloco médio. Ou seja, a marcação começava a parir do meio de campo.

A posse nos primeiros 15 minutos de jogo era muito equilibrada entre os times. A intenção do Cruzeiro não era adiantar a marcação e tentar roubar a bola próximo ao seu gol. A estratégia era deixar o Palmeiras trocar passes no seu campo de defesa. Uma vez que o time se defendia de forma compacta e o Palmeiras não conseguia progredir no campo com a bola. Quando retomava a bola, o Cruzeiro fazia o mesmo. Circulava a bola de forma lenta, procurando passes de segurança, quase sempre pelos corredor laterais. Assim, o jogo esfriava o jogo e não deixava o adversário ter volume de jogo.

Essa estratégia deu muito certo, o Cruzeiro não sofria no seu campo de defesa. E quanto mais o tempo fosse passando, melhor era o time mandante. O time é muito concentrado e maduro.

Não se importava com um jogo com poucas oportunidades de gol. Pois poderia jogar no erro do adversário. Possuía uma boa vantagem no placar agregado e jogava toda a responsabilidade de atacar para o Palmeiras. E aos 17 minutos de jogo, Barcos abriu o placar para a equipe cruzeirense. Após recuperar a bola, Thiago Neves tocou para Lucas Silva, que deu um ótimo passe para Barcos. Deixando o centroavante na cara do gol. O pirata não desperdiçou. O gol era tudo que o time queria. Visto que, o time cresceria no jogo. A torcida jogaria junto com o time e o Palmeiras iria ter que atacar cada vez mais se quisesse classificar. Deixando espaços para que o time cruzeirense aproveitasse após erros forçados. Como havia sido no primeiro gol da partida.

ibraCruzeiro marca o gol em espaço deixado pelo zagueiro palmeirense. Como tinha a avantagem no confronto, o time jogava nos erros do adversário.

Após o gol era vital que o time não recuasse muito suas linhas de marcação, dando campo ao adversário. Por isso, passou a ter menos a bola. Nos 15 minutos inicias, teve uma média de 48%. Depois de marcar o gol, terminou o primeiro tempo com 41% de posse. Mas, sem chamar o Palmeiras para o seu campo, o time continuava realizando a marcação a partir do meio-campo.

ibraÁ direita, a região da posse de bola palmeirense. Nota-se que o time tava mais posse no meio-campo. Porém encontrava dificuldade de entrar no ótimo sistema defensivo cruzeirense. Via: FootStats

Como é característica do time, o Cruzeiro se defende de forma muito compacta. Na fase defensiva, procura compactar suas linhas de marcação em 30 metros. Para negar espaços ao adversário. Sobretudo pelo meio. Como o time marca de forma compacta, fica mais fácil fazer a flutuação defensiva. Movimento que o time realiza de acordo com a trajetória da bola. Ou seja, quando a bola está na direita, todos se movimentam em direção a direita. Atuando assim, de forma compacta. Sobretudo pelo meio.

ibraÓtima partida do Henrique novamente. O capitão cruzeirense protege muito bem a entrada da área. Ele ganhou 8 de 11 duelos individuais, fez 2 interceptações e fez 3 desarmes. Via: SofaScore
ibraLucas Silva também fez bom jogo. Além de assistência e ditar o ritimo de jogo no momento ofensivo, na fase defensiva também foi muito importante. Ocupando muito bem a entrada da área, não deixando o Palmeiras infiltrar na defesa celeste. Via: SofaScore

Com essa ótima partida do sistema defensivo cruzeirense. Que jogou de forma muito correta, segura, marcando muito bem, o Palmeiras procurava os lados do campo para atacar. Muitas vezes com Dudu pelo lado esquerdo. Por esse motivo, Mano deslocou Rafinha para a direita e colocou Robinho pela esquerda. Mudança para que o camisa 18 auxiliasse Lucas Romero pelo lado direito.

POR QUE MANO GOSTA TANTO DE PROTEGER A ENTRADA DA ÁREA?

O treinador do Cruzeiro acredita que a região na entrada da área é mais perigosa. É ali que a maioria dos gols saem. Visto que o adversário se encontra de frente para o gol e tem diversas opções de passe. Já pelos lados, o adversário tem menos opções de passe e ainda tem menos espaços para jogar. Sendo assim, fica mais fácil defender o seu gol. Tem um ótimo texto do Leonardo Miranda, onde ele fala sobre isso:

https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2018/09/13/funil-fechado-o-cruzeiro-de-mano-menezes-e-uma-aula-de-como-montar-defesas-fechadas.ghtml

No segundo tempo, o Palmeiras voltou melhor para o jogo. Conseguiu encurralar o Palmeiras em seu próprio campo. A primeira linha de marcação cruzeirense estava muito próxima ao gol de Fábio. Algo que Mano não gosta. Uma vez que qualquer bola rebatida pode gerar muito perigo e o time pode acabar sofrendo o gol.

ibraCruzeiro marcando em bloco baixo. Nos primeiros 15 minutos dos 2° tempo, o Palmeiras conseguiu encaixotar o Cruzeiro em seu campo de defesa. (TV Globo)

E em uma bola parada, Felipe Melo empatou o jogo. Traduzindo a superioridade dos vistantes na volta do intervalo. Vendo isso, Mano respondeu com duas alterações, colocando Bruno Silva no lugar de Thiago Neves e Sassá no lugar de Barcos.

Thiago não fez bom jogo. Não estava 100%, por isso Bruno Silva foi jogar na direita, Rafinha na esquerda e Robinho com liberdade pelo meio. Vendo essa pressão inicial palmeirense, Sassá seria fundamental segurando a bola na frente. Pela força que tem, o camisa 99 poderia ajudar muito segurando a bola la na frente. Ao defender mais próximo do seu gol, o time precisaria de um atacante para esticar a bola quando recuperasse a bola e não deixasse o Palmeiras jogar no campo de ataque.

Na segunda etapa, o Palmeiras conseguiu criar algumas chances de gol. Se no primeiro tempo, o time finalizou apenas uma vez no gol de Fábio. Após o gol marcado, o time vistante cresceu no jogo e finalizou 5 vezes. Por isso, Mano teve que reforçar a marcação com Bruno Silva. Uma vez que o sistema defensivo estava tendo dificuldade que na primeira etapa não teve.

Com essa mudança, o time perdeu muito nos contragolpes. Quando conseguiu acelerar após retomada de bola, pecava na tomada de decisão Como na vez que Robinho desperdiçou grande oportunidade ofensiva. Mas, o time é muito organizado e pelo tempo de trabalho, os jogadores sabem muito bem o que fazer em campo para conquistar o resultado. Uma vez que Henrique e Lucas Silva protegiam muito bem o meio-campo, negando espaço na entrada da área, o Palmeiras forçava o jogo pelo lado. Como disse, pelo lado é muito mais fácil defender o seu gol. Pela região do campo e por ter menos espaço ser mais fácil cortar as opções de passe do adversário. Aí entra a boa partida do sistema defensivo. Como o jogo estava sendo muito jogado no campo de defesa celeste, os defensores tiveram papel fundamental para anular a criação ofensiva do adversário. Romero e Egídio atuaram muito bem. E mais uma vez, a partida da dupla de zagueiro foi muito boa. Impedindo que o ataque palmeirense finalizasse no gol de Fábio.

ibraLéo ganhou 7 de 8 duelos disputados. Fez 10 cortes. Protegendo muito bem a área. Via: SofaScore
ibraA regularidade das atuações de Dedé impressiona. Fez mais uma ótima partida diante do Palmeiras. Vencendo 8 de 12 duelos. E fazendo 14 cortes. Via: SofaScore

A definição de saber sofrer cabe muito bem o Cruzeiro. Em um segundo tempo onde foi encaixotado no seu campo de defesa e não conseguiu contragolpear tanto, a partida do sistema defensivo, impedia que o adversário conseguiu finalizar e traduzir sua posse em chances de gol. Ao todo, a dupla de zaga celeste fez 24 cortes, e vencendo 75% dos duelos disputados. Com isso, o time suportou muito bem a pressão, protegendo bem o gol, sem passar grandes sufocos.

O Cruzeiro chega a mais uma final de Copa do Brasil. Fruto do tempo do trabalho do treinador. Que colhe os frutos agora. Hoje, os jogadores do Cruzeiro entendem muito bem o modelo de jogo do treinador e conseguem competir muito bem. Suportando a pressão do adversário e sabendo muito bem o que fazer para conseguir obter o resultado. É possível ver que os jogadores estão unidos, focados e muito familiarizados com as ideias do treinador. Por isso, chega muito forte para conquistar mais um título da Copa do Brasil

@magalhaesDavi_

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