O sistema defensivo atleticano ainda precisa melhorar – ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO 2 x 1 ATLÉTICO-MG

Por Davi Magalhães

Diante do Flamengo, o Atlético tinha pela frente um grande desafio. Se atualmente, o time possui um ótimo poderio ofensivo e é um dos melhores ataques do Brasileirão, a defesa não passa toda essa confiança. Fato é que se o Atlético tivesse um sistema defensivo mais sólido deixaria de perder alguns pontos importantes na competição.

Pela 26° rodada, o time enfrentaria o Flamengo. Uma das equipes que também possui um bom sistema ofensivo. Sendo assim, o jogo no Maracanã seria um teste para o sistema defensivo alvinegro. E se jogar bem, abrange todos os momentos do jogo, era fundamental que o sistema defensivo funcionasse bem para que o fizesse uma boa partida.

O Atlético foi para campo no 4-2-3-1, com José Welison e Elias formando dupla de volantes; Chará, Luan, Tomás Andrade atrás do centroavante e Ricardo Oliveira mais a frente. Thiago Larghi mudou o desenho do time procurando reforçar a marcação. Para assim anular a equipe flamenguista.

Mas, logo nos primeiros minutos de jogo, William Arão abre o placar da partida. Após cruzamento vindo da esquerda, o camisa 5 teve muita liberdade para finalizar. Tomás Andrade sobrecarregou o lateral direito Emerson no lance do gol.

ibraAtlético marcou muito mal a entrada da área. Veja como William Arão teve muita liberdade para finalizar.

Aos 13 minutos, o Flamengo teve um gol marcado por Henrique Dourado anulado em mais um cruzamento vindo da esquerda. Tomás Andrade estava recompondo mal pelo lado direito, sobrecarregando o Emerson. E era por ali que em menos de 15 minutos de jogo, o Flamengo criou duas chances claras de gol.

O Atlético também procurava criar chances de gol. Nesses primeiros minutos de jogo, os dois times a média de posse de bola era bastante equilibrada entre as equipes. Mas, o Atlético tinha muita dificuldade na construção das jogadas, pois o Flamengo pressionava sua saída de bola. Essa pressão exercida pelo time da casa, anulava a construção de jogo alvinegra. Uma vez que o time tinha dificuldade de triangular pelos lados do campo e construir o jogo através de passes curtos, como é sua característica. Luan e Elias não conseguiam ajudar na construção do jogo.

Porém, Léo Silva, capitão do time, empatou o jogo aos 22 minutos de jogo em um escanteio cobrado por Luan.

Depois do gol de empate, o cenário do jogo mudou. Essa mudança se deu pela estratégia que o Atlético adotou após o gol marcado. Depois do gol de empate, o time não procurava mais propor o jogo. A estratégia passou a deixar o Flamengo ter mais a bola, se defender bem e sair em velocidade ao retomar a bola.

Thiago Larghi já havia dito que quer o Atlético se adapte ao contexto da partida. Adotando uma postura mais reativa quando fosse necessário. Pensando nisso, o time procurou se defender mais. A média de posse de bola da equipe após o gol marcado era de 38%.

Entretanto, com Elias marcando Arão, Luan marcando Cuéllar e José Welison Paquetá, o Flamengo não tinha grande volume de jogo.

Por que?

Para entender o motivo disso, é preciso explicar como o time atleticano marca. O Atlético realiza uma marcação por encaixes individuais. Sendo assim, a referência na marcação é o espaço. Quando um adversário entra na sua zona de marcação, o jogador atleticano encaixa nele para impedi-lo de receber a bola.

ibraAtlético realizando uma marcação por encaixes. Na imagem, Zé Welison se desloca para pressionar Paquetá e impedi-lo de receber a bola. (TV Globo)

Os jogadores só deixam de acompanhar o adversário quando a jogada acaba. Sendo assim, eles encaixam nos adversários até o final da jogada. É uma marcação que precisa ser bem assimilada pelos jogadores. Razão pela qual, Larghi colocou Cazares no lugar de Tomás Andrade que vinha tendo dificuldade na marcação pelo setor direito da defesa. A entrada do camisa 10 deslocou Luan para o lado direito.

ibraNa imagem, Cazares encaixa em Cuéllar para não deixá-lo receber a bola. (TV Globo)
ibraPerceba que ele acompanha o adversário até o final da jogada. (TV Globo)

Essa marcação é uma escolha do treinador. E todas escolhas há prós e contras. O lado positivo dessa marcação é sempre procurar pressionar o portador, tirando toda sua liberdade para jogar. Como era possível ver ontem. A desvantagem é acaba surgindo espaços na defesa. Esses deslocamentos geram espaços na defesa que precisam ser cobertos.

ibraAinda nessa imagem, note como a marcação por encaixes gera um espaço entre as linhas da defesa e do meio. (TV Globo)

O Flamengo circulava a bola e apresentava dificuldade de traduzir a posse em chance de gol. Mas, quando encontrava os espaços na defesa atleticana, chegava com muito perigo. Como foi no gol Paquetá. Após Ricardo Oliveira perder a bola no ataque, o Flamengo teve muito campo e Paquetá aproveitou para marcar o segundo gol.

ibraPerceba como a origem dos chutes do Flamengo foram na maioria na entrada da área. Área da defesa atleticana desprotegida. Na origem dos chutes do Atlético, é possível ver como o time chutou em sua maioria de fora da área por não conseguir furar a defesa adversário através da troca de passes curtos, como é característica do time. (Via: FootStats)

Quando recuperava a bola, o Atlético não era tão efetivo. O jogo ficava muito concentrado pelo lado esquerdo. O time pecava muito nas tomadas de decisão no último terço do campo. Faltava aos jogadores tomar melhores decisões na criação do jogo. Pensado nisso, Larghi colocou Edinho no segundo tempo para procurar aproveitar melhor os contragolpes. O jogador é muito veloz e poderia ser útil na estratégia do time.

Entretanto, Barbieri respondeu colocando um volante no lugar do atacante Henrique Dourado chamando o Atlético para o seu campo.

A partir daí, o Atlético foi para cima buscar o empate mais uma vez. A construção de jogo acontecia mais pela esquerda. Cazares deu 2 passes decisivos, Chará também.

ibraNo mapa de passe das equipes, é possível ver como o Atlético atacou mais pelo lado esquerdo. Chará e Fábio Santos trocaram 31 passes na partida. (Via: FootStats)

Mas, o time pecava na criação das jogadas. Dependia muito dos “gringos” , que não fizeram um bom jogo. Das 8 finalizações, 5 foram de fora da área. Razão pela qual, o time passou a cruzar muito. Como tinha dificuldade na criação, a alternativa encontrada foi jogar a bola na área. Porém, sem muito sucesso. Dos 17 cruzamentos na segunda etapa, apenas 2 foram certos. Emerson cruzou 4 vezes; Fábio 3, nenhum deles foi certo. No último lance do jogo até o goleiro Victor foi para área, mas não adiantou.

O sistema defensivo do Atlético não conseguiu a solidez necessária. Tônica da equipe nesse campeonato. Apesar de válido ressaltar que do outro lado havia uma grande equipe do futebol brasileiro, que briga na parte de cima da tabela.

Estatísticas: FootStats

@magalhaesDavi_

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