Não foi só culpa do VAR – ANÁLISE TÁTICA BOCA JUNIORS 2 x 0 CRUZEIRO

Por Davi Magalhães

É impossível não falar da influência da arbitragem no resultado de ontem. Com uma expulsão completamente questionável do zagueiro Dedé, o arbitro da partida acabou prejudicando o time do Cruzeiro. Em um jogo tão decisivo entre duas grandes equipes do futebol sul-americano, a expulsão acabou favorecendo muito a equipe da casa. Principalmente pela maneira que foi, os jogadores cruzeirenses sentiram muito ao perder o seu zagueiro e terminar a partida com dez jogadores em campo. O Boca aproveitou o cenário para ampliar o marcador e conquistar um ótimo resultado no primeiro jogo das quartas de final da Libertadores.

ibraOs jogadores do Cruzeiro inconformados com a expulsão de Dedé. Foto: AFP PHOTO / EITAN ABRAMOVICH

Sem Arrascaeta, Mano Menezes manteve o tradicional 4-2-3-1, com Rafinha pela esquerda.

ibraCruzeiro foi a campo no esquema 4-2-3-1. Esquema tático padrão do time.

Rafinha não possui a qualidade técnica e a habilidade de Arrascaeta. Porém, recompõe muito bem pelo lado do campo. Como a estratégia do time, era entregar a bola ao Boca Juniors e explorar os espaços ao retomar a bola, o camisa 18 poderia ser útil. Formando segunda linha de marcação e partindo em velocidade nos contragolpes.

Mano é um treinador que sabe jogar as competições de mata-mata como poucos. Para o duelo contra o Boca Juniors, a estratégia era jogar com inteligência. Apostando na solidez defensiva para fazer um bom jogo e conseguir um bom resultado. A média de posse de bola do time foi de 42% na primeira etapa. A estratégia era se defender bem, negando espaços ao adversário. Entretanto, era de suma importância não chamar os argentinos para o seu campo. Uma vez que eles contam com grandes jogadores como: Pavón e Benedeto. Sendo assim, jogar muito próximo ao gol defendido pelo goleiro Fábio poderia ser fatal. Visto que uma bola sobrada, uma jogada individual criada pelo adversário poderia acabar em gol e complicar toda a proposta do time. Para isso, o Cruzeiro se defendia em bloco médio. Barcos e Thiago Neves se alinhavam no momento defensivo e começavam a pressionar os adversários a partir da intermediária defensiva.

Motivo pelo qual, a posse de bola ficava a maior parte do tempo no meio de campo. Com as linhas de marcação compactas, 52% da posse do Boca era no meio de campo. Assim, o time mandante procurava circular a bola no meio campo, para a construção do jogo. Como é característica do time, o Cruzeiro fechava muito bem o meio, protegendo a entrada da área. O Boca procurava então abrir o jogo, usar toda a largura do campo para aumentar o espaço efetivo de jogo e encontrar espaços para criar. Mas, esbarrava no forte sistema defensivo cruzeirense. Das 9 finalizações do time mandante, apenas uma foi de dentro da área. Finalização essa, que acabou em gol. A única que acertou o gol. Das outras 8 de fora da área, 4 foram para fora e as outras 4 foram bloqueadas pela defesa. Dados que mostram a dificuldade do Boca de entrar na defesa do Cruzeiro. O time argentino circulava bem a bola. Porém, pecava na criação, nos passes finais no último terço do campo.

Todavia, a partir dos 15 minutos, o Cruzeiro recuou suas linhas de marcação e começou a chamar a equipe argentina para o seu campo de defesa. Média de posse dos 15 aos 30 minutos de jogo, a equipe teve uma média de 37% de posse de bola. O Boca marcou o gol após desatenção do sistema defensivo. Um dos grandes conceitos defensivos que o treinador aplica, é a defesa da área. Para isso nos cruzamentos, os jogadores encaixam no adversário para não marcar apenas a bola e deixar os adversários livres. E após rebote da cobrança de escanteio, três jogadores avançam para pressionar o portador e esquecem o adversário que infiltra. Desatenção que custou o primeiro marcado pelo Boca Juniors.

Após o gol sofrido, a equipe celeste teve que propor o jogo, ir atrás do gol de empate. O desfalque de Arrascaeta na partida também ajudou para que o time recuasse tanto suas linhas de marcação. Uma vez que o time sentia muito a falta do jogador na criação das jogadas. Com Rafinha, o Cruzeiro não conseguia encaixar contragolpes. E tinha muita dificuldade de criar situações de gol. Arrascaeta flutua muito pelo campo para ajudar o time a criar, pela habilidade que tem é fundamental ofensivamente para o time. Ontem, o time finalizou 2 vezes apenas na primeira etapa. Sem o uruguaio flutuando pelo campo, se aproximando dos jogadores mais avançados e liberando o corredor para Egídio, o time mineiro não conseguia ser perigoso na retomada de bola. Perdendo muito ofensivamente, a atuação não era tão boa quanto as atuações contra Palmeiras e Flamengo fora de casa.

Depois do gol, o cenário da partida mudou. Era necessário que o Cruzeiro buscasse o gol de empate. Pensando nisso, Mano alterou o posicionamento do time na segunda etapa. Colocou Rafinha na direita, Thiago Neves na esquerda e Robinho pelo meio. Por ter uma ótima qualidade de passe, Robinho seria fundamental na criação do jogo. O camisa 19 não teria a responsabilidade de recompor pelo lado, podendo atuar com liberdade pelo campo. E as alterações surtiram efeito, Rafinha pela direita abria mais o jogo do Cruzeiro. Que estava muito concentrado pela esquerda. Com Neves por ali, Egídio teria o corredor para avançar e Robinho por dentro seria fundamental na criação.

A mudança de posicionamento melhorou o desempenho do Cruzeiro após a volta do intervalo, Robinho era a grande referência técnica ofensivamente do time. Por ter um passe de ruptura muito bom, aquele passe que quebra as linhas de marcação do adversário, Robinho fez o desempenho ofensivo do time crescer. O camisa 19 criou 2 chances, dando assistência para as finalizações de Thiago Neves e Rafinha, que desperdiçaram ótimas chances de gol.

Porém, aos 30 minutos da segunda etapa, o zagueiro Dedé foi expulso de jogo. De fato, a expulsão não era necessária. Em disputa de bola com o goleiro, o arbitro da partida acabou tomando a decisão de expulsar um dos melhores zagueiros do Brasil atualmente. Mais uma vez, o camisa 26 fazia grande partida. Ganhando 12 duelos de 17, fazendo 10 cortes.

Até pela forma que foi, o Cruzeiro sentiu demais a expulsão. Os jogadores se abalaram e atuação que havia melhorado no segundo tempo, ficou bastante comprometida. De imediato, Mano não colocou um zagueiro em campo. Sóbis havia entrado no lugar de Thiago Neves. Raniel entrou no lugar de Barcos. A expulsão fez com que Henrique fosse atuar como zagueiro e Robinho como volante.

Com essas alterações, o time recuou muito. Atuando com as linhas muito próximas ao seu próprio gol. A equipe argentina aproveitou da situação e foi para cima para ampliar o marcador. Até pela questão emocional, os jogadores recuaram muito, deram campo para o Boca. Sendo fatal, pois qualquer finalização de fora da área, um cruzamento poderia gerar muito perigo ao time. Dito e feito! Em uma bola que a defesa cruzeirense afastou mal, Pablo Perez marcou o segundo gol do Boca.

Esse é o grande problema de marcar com as linhas de marcação muito próximas ao seu gol. Entretanto, após a expulsão, o time teve que jogador com um jogador a menos. Os jogadores sentiram muito e acabou se tornando inevitável.

A decisão do arbitro acabou influenciando muito o resultado. Ainda que o Boca tenha atuado melhor na primeira etapa. Na segunda etapa, antes da expulsão, o Cruzeiro havia voltado bem para o jogo. Conseguindo criar chances de gol através dos bons passes de Robinho. Uma boa adaptação ao desfalque de Arrascaeta, peça fundamental no ataque cruzeirense.

Daqui a duas semanas, os times voltam a se enfrentar no Mineirão. O Cruzeiro terá que reverter o placar para se classificar para a próxima fase. Algo ainda não visto na Copa do Brasil e na Libertadores. Uma vez que o time sempre conseguiu uma boa vantagem no jogo de ida. A última vez que perdeu o primeiro jogo foi na decisão do Campeonato Mineiro. Onde reverteu a derrota sofrida para o Atlético no primeiro jogo.

Será uma tarefa complicada. Ainda mais que o time não contará com Dedé, um dos melhores jogadores do time.

@magalhaesDavi_

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