Mais uma mudança tática de Renato – Análise tática de Atl. Tucumán 0 x 2 Grêmio

Por Maurício Wiklicky

Hoje, dia 19 e setembro de 2018, quando essa análise é publicada, completam-se dois anos que Renato Portaluppi, para os gaúchos, ou Renato Gaúcho, para os demais, está no comando do Grêmio. Já foram quatro títulos conquistados (Copa do Brasil, Libertadores da América, Recopa e Gauchão), e na disputa de mais dois títulos até o fim de 2018 (Brasileirão e Libertadores).

Nesse período Renato mostrou crescimento, maturidade, e que estuda sim muito futebol. A prova disso é que nesse período, com perda de jogadores por lesões e vendas, ele conseguiu manter o nível competitivo e vencedor do Grêmio através de mudanças táticas. Ao total já foram seis mudanças táticas (mais detalhes nesse texto):

  1. Douglas de meia e Luan de falso 9
  2. Luan e Bolaños revezando como atacantes de mobilidade
  3. Luan como armador e Barrios de centroavante
  4. Maicon e Arthur como controladores que fazem o time jogar
  5. A busca do substituto de Arthur, com Cícero e Jailson, Maicon e o centro do time
  6. Sem centroavante, a ideia do 433, com dois pontas

A partida contra o Tucumán gerou uma dúvida entre todos. Sem os dois centroavantes do elenco (Jael e André), como Renato escalaria o time? Optou por Alisson, que vive grande fase, e o recuo de Ramiro para o meio, como citei nesse tweet antes do jogo, após a confirmação da escalação:

O Grêmio demorou 20 minutos para se organizar em campo. Em especial na frente da zaga onde Ramiro na direita, Maicon no meio e Cícero na esquerda, não encontraram a organização necessária. Primeiramente, pois no 4 2 3 1 os dois extremas (Everton e Ramiro), marcam o adversário até a linha de fundo. Já no 4 3 3, sai a figura dos extremas e centroavante, e entram os PONTAS (Everton e Alisson), que marcam até a intermediária, e de um atacante de mobilidade (Luan). Para essa organização defensiva com três meias é fundamental que o balanço seja sincronizado. Quando falo em balanço, pense num pêndulo onde os três devem acompanhar a bola em sincronia. Outro ponto importante sobre essa mudança foi a entrada de Leo Gomes na lateral direita. Não só pela questão física, muito comentada devido ao time do Tucumán ser fisicamente forte, mas também pelo poderio defensivo melhor que Leo Moura.

Após esses minutos iniciais o Grêmio se organiza em campo e faz um gol com uma jogada explicada por Renato na coletiva pós jogo, mudando mais uma característica do jogo tricolor, com lançamentos. Nesse caso sempre procurando Cícero (o sempre importante Cícero, autor de gols em todas finais que disputou pelo Grêmio) para dar uma “casquinha” para a entrada em diagonal de Alisson e Everton.

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No segundo tempo, após a expulsão do jogador Diaz ainda no primeiro tempo com o correto uso do VAR pela primeira vez usado na Libertadores, o Grêmio tem controle absoluto do jogo. Apesar de não ter grande superioridade em posse de bola (finalizou o jogo com 51%) era muito mais efetivo, com Everton e Alisson como atacantes, sempre preparados no contra ataque. Assim saiu o segundo gol, com um excelente lançamento de Leo Gomes, que coroou sua boa atuação e o novo titular da lateral direita gremista (na minha opinião), onde Alisson ganhou na velocidade e cruzou rasteiro para Everton, que também em velocidade na segunda trave fez o gol.

Essa jogada em muito lembra o Manchester City de Guardiola, com Sterling e Sané que jogam pelas pontas.

Alisson com um gol e uma assistência foi o destaque do jogo, confirmando a sua boa fase, e se credenciando a titularidade. Não há como tirá-lo do time, pela velocidade, drible, finalização. Seja no 433, como contra o Tucumán, seja no 4231, pois também faz a recomposição.

Ajustes devem ser feitos, como a proteção defensiva e seu balanço, como falamos. Luan que teve liberdade para flutuar no ataque, em um movimento diferente do que fazia em 2016 que era o falso 9. Muitas vezes Luan recuava para que Everton e Alisson ficassem a frente. Taticamente Luan fez um bom jogo, muitas vezes não percebido ao torcedor, que analisa mais o técnico, onde realmente não foi bem. Mas aos poucos Renato, novamente, reinventa o Grêmio.

@mwgremio

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