Em jogo movimentado, clássico termina sem gols no Mineirão – Análise tática de Cruzeiro 0 x 0 Atlético

Por Davi Magalhães

O clássico entre Cruzeiro e Atlético já havia começado com diversas polêmicas. Dentro de campo, como era de se esperar, o Cruzeiro jogaria com um time alternativo, poupando os titulares para o importante jogo diante do Boca Juniors na quarta-feira pelas quartas de final da Libertadores. Para o Atlético era a chance de embalar três vitórias seguidas no Brasileirão.

O Atlético foi a campo no 4-3-3/4-1-4-1 com Adílson como primeiro volante, Cazares como meio-campista esquerdo, Elias na direita, Chará aberto pela esquerda e Luan pela direita. Um dos pontos fortes da equipe são as triangulações pelos lados do campo. Conceito que Larghi aplica para dar ao portador da bola, 2 opções de passe. E tendo do outro lado, Bruno Silva e Ezequiel, o lateral-direito cruzeirense havia tido dificuldade na marcação contra o Grêmio. Foi pelo setor dele que o time sofreu o gol nessa partida. Diante disso, o Atlético apostava muito nas combinações pelo lado esquerdo. Não só por detectar um possível deficiência no lado direito da defesa do Cruzeiro. Mas, também por conter Cazares e Chará por aquele lado. Os estrangeiros do Atlético tem muita qualidade e em campo interagem muito bem. As combinações entre eles foram fundamentais na vitória contra o Botafogo. Ontem, novamente a aproximação dos dois, somada a aproximação do lateral Fábio Santos era a grande aposta ofensiva do Atlético.

ibraPosicionamento do time do Atlético segundo o site WhoScored, vemos como o Atlético procurou jogar pelos lados do campo, como é sua característica. O lado esquerdo do ataque. Foram 89 passes trocados entre a trinca: Fábio Santos, Cazares e Chará. Enquanto do lado direito Emerson, Elias e Luan trocaram apenas 59 passes.

Ainda segundo o site WhoScored, 52% dos ataques atleticanos foram pela esquerda. 21% foram pelo meio e 27% pela direita. Em relação a origem das finalizações, 88% foram pelo meio e 13% pela esquerda. Ou seja, o lado direito do ataque foi muito pouco acionado.

Isso foi muito em razão do sistema defensivo do Cruzeiro que é muito forte. Claro que o time alternativo não se defende tão bem quanto a equipe principal. Porém, diante do Atlético conseguiu defender bem em seu campo, não deixando o Atlético infiltrar na sua defesa. Grande jogo da dupla de zaga cruzeirense, anulando Ricardo Oliveira, o atacante alvinegro.

ibraNa imagem, percebe como o Cruzeiro protege bem a entrada da área. Cruzeiro se defendeu no 4-4-1-1 deixando Raniel a frente. E com Sóbis a frente das duas linhas de marcação. (TV Globo)

Assim, mesmo que o Atlético tivesse mais posse de bola na primeira etapa, (67%) não conseguia ter muito volume de jogo. Pois esbarava na defesa do Cruzeiro. O Atlético finalizou 6 vezes, criou 2 chances claras, obrigando Rafael a trabalhar.

Se na primeira etapa, o jogo estava equilibrado, com o Atlético propondo o jogo, procurando construir desde o seu campo de defesa, trabalhando a bola e criando 2 chances claras de gol; na segunda etapa, o Cruzeiro foi superior.

Conseguia pressionar saída de bola do Atlético na sua defesa e dificultar a construção do jogo atleticano. Recuperando a bola no campo de ataque ou forçando o Atlético a rifar a bola. Equipe comandada por Larghi teve 53% de posse na segunda etapa, trocando 106 passes a menos.

ibraQuando o Atlético saia jogando pelos lados, os jogadores do Cruzeiro procuravam pressionar o portador da bola e cortas as linhas de passe dele. Na imagem, Cabral encaixa em Elias, Romero em Adílson e Raniel corta linha de passe para Léo Silva que não aparece na imagem. Resultado dessa jogada foi a recuperação de bola cruzeirense. (TV Globo)

Com esse direcionamento, procurando dificultar a saída de bola atleticana, o Cruzeiro cresceu na partida. A estratégia não havia mudado, mas com a entrada de Sóbis, o time conseguiu marcar mais forte, diminuindo o número de passes trocados da equipe alvinegra.

No segundo tempo, o que se viu foi o sistema defensivo ter grande atuação. E as entradas de Sassá e Thiago Neves foram fundamentais para a criação ofensiva do time. Na etapa complementar, o time triplicou o número de finalizações da primeira etapa (9 contra 3). Sendo 6 dessas 9 finalizações de dentro da área do Atlético. Ao recuperar a bola, os jogadores mais avançados se infiltravam nos espaços que o Atlético deixava no seu campo. No segundo tempo, além de se defender bem como na primeira etapa, o Cruzeiro conseguiu criar boas chances de gol. Forçando erros de passe do rival.

Muito bem novamente, Lucas Romero vencendo 9 de 11 duelos disputados. Diminuindo os espaços no meio de campo, sendo importante para anular a criação ofensiva atleticana. E as substituições do treinador foram certeiras. As entradas de Sóbis, Sassá e Thiago Neves elevaram o nível ofensivo da equipe. Ao todo, eles finalizaram 5 vezes e o Cruzeiro esteve perto de vencer o clássico.

@magalhaesDavi_

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