Quando a análise não explica tudo – Análise tática vascaína de Vasco 1 x 1 Flamengo

Por Ricardo Leite

Após uma semana preocupante, de protestos e com o Vasco entrando na zona de rebaixamento mesmo sem entrar em campo, o torcedor vascaíno estava muito descontente e desacreditado para o clássico diante do Flamengo.

E todo esse clima ruim só aumentou quando a escalação foi divulgada, e com razão. Alberto Valentim se utilizou novamente do esquema com três volantes mas optou por Bruno Silva (contestado) na vaga de Desábato. Willian e Raul foram os escolhidos para jogarem abertos, assim como na última partida. No meio, Valentim parecia optar por um esquema sem meia centralizado, com Fabrício e Rios abertos e Maxi à frente. Mas não foi isso que aconteceu, pois Fabrício relembrou o início de carreira e jogou como um armador. E deu certo. Apesar da pouca intensidade do jogador, ele se apresentou ativamente nos primeiros minutos e distribuiu excelentes passes e lançamentos, ditando o ritmo do Vasco e do jogo.

O Vasco começou, ao contrário do que se imaginava, tomando a iniciativa e ocupando o setor defensivo do Flamengo. Por ter um time mais leve e por não contar com Cuellar, o rubro negro foi “frouxo” na marcação, o que possibilitava ao Vasco a troca de passes no ataque. Vale destacar a melhor ocupação do setor de meio campo e a maior participação dos volantes com a bola.

Raul, principalmente, se apresentava, fazia as transições ofensivas pela direita e até mesmo participava da criação.

Raul vai ao fundo e percebe movimentação de Andrés Rios, que finaliza com perigo.

E a jogada do gol vascaíno, nasceu dos pés dos dois melhores jogadores em campo: Fabrício notou a infiltração de Raul e deu ótimo passe para o volante cruzar e depois da dividida de Maxi Lopez, Andrés Rios abriu o placar.

O Vasco pela primeira vez na era Valentim, adiantou as marcações e exibiu a marcação alta por várias vezes. Maxi, Fabrício e Rios adiantavam para incomodar os zagueiros e os volantes vascaínos também avançavam em bloco.

O Vasco chegou a colocar oito jogadores para marcar no campo do Flamengo.

Além disso o cruzmaltino apresentou também uma marcação mais forte concentrada na zona da bola. O Vasco mostrou uma evolução considerável nas coberturas e nas antecipações.

Vasco ocupa em maioria o setor que o Flamengo tem a bola, diferentemente da marcação mais passiva das últimas partidas.

Após os 20 minutos, o Flamengo que aceitava a boa marcação do Gigante da Colina, começou a criar uma superioridade numérica pelo lado direito de defesa vascaina, fazendo assim um 3×2 e possibilitando a criação de algumas jogadas. Apostando nas jogadas pelos flancos, o Flamengo conseguia espaçar um pouco a marcação do Vasco e com isso viu o aparecimento de muitos espaços na intermediária (a partir dos 30 minutos), mas com dificuldades de infiltrar na área, o Flamengo optou pelas finalizações de fora da área. Apesar da pressão no final do 1T, a equipe vascaína foi superior na etapa inicial.

Na segunda etapa o Flamengo saiu mais pro jogo, e continuava dando espaços no seu campo de defesa. Apesar de não ter um time veloz, o Vasco mostrou mais inteligência e objetividade que o de costume e conseguiu aproveitar alguns contra ataques. Um problema vascaíno, que era reter a bola no ataque, foi aliviado com a aproximação entre os atletas e a presença de jogadores mais fortes, como Maxi, Rios e Fabrício. Outra dificuldade da equipe de Valentim, que era ganhar as segundas bolas (rebotes) foi bastante melhorada com a melhor ocupação e distribuição em campo.

Assim como no 1T, o Flamengo abusava dos cruzamentos e isso era um problema para o Vasco por dois motivos:
1- O Flamengo levava vantagem nas bolas aéreas.
2- O cruzmaltino dava muito espaço para os jogadores adversários efetuarem os cruzamentos (problema antigo).

Lennon marca à distância e facilita cruzamento.

E quando tudo parecia se encaminhar para uma vitória, pela vantagem no placar e pela expulsão do Diego, o Vasco sofreu dois golpes que colocaram o Flamengo de volta ao jogo. O inacreditável gol contra de Luis Gustavo (que fazia partida corretíssima), e a séria lesão de Bruno Silva, após Valentim já ter efetuado as três substituições, deixando assim ambas equipes com 10 jogadores.

O empate precisa ser valorizado, apesar de não tirar o Vasco do Z4, mas o que mais pode dar esperanças ao torcedor vascaíno é a forma que a equipe jogou. Mostrando uma boa evolução das últimas partidas e diante de um adversário extremamente qualificado. O Vasco (após a primeira semana de trabalho do treinador) mostrou algumas das características que marcam o trabalho dele, como marcação mais alta e por zona (com pressão no setor da bola), além da valorização da posse da bola. Ainda falta muito, evolução defensiva, evolução física, ter regularidade na sequência de jogos e dentro dos 90 minutos também. Apesar da boa partida, não é necessariamente esta escalação que levará o Vasco ao sucesso, mas sim essa postura. De demonstrar vontade, movimentação, organização, buscar jogar bola e acreditar nas ideias do seu comandante.

@analisevasco

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