Cruzeiro sai na frente nos primeiros 45 minutos da semi-final da Copa do Brasil – ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 0 x 1 CRUZEIRO

Por Breno Barbosa e Davi Magalhães

Mais uma vez, o Cruzeiro consegue um grande resultado no primeiro jogo em uma competição mata-mata. A tônica do time tem sido essa. Nas classificações diante de Atlético-PR, Santos pela Copa do Brasil e Flamengo na Libertadores, o Cruzeiro ganhou o primeiro jogo e administrou a vantagem no Mineirão.

Contra o Palmeiras, a história se repetiu. E logo cedo, o time de Mano Menezes marcou o gol aos 4 minutos de jogo. Após um contragolpe executado com perfeição, o Cruzeiro estava diante do cenário que se sente mais confortável.

Com a vantagem no placar, o time pode adotar uma postura mais reativa. Deixando o adversário propor o jogo (ter a bola e procurar criar chances de gol). Assim, a estratégia passou a se defender bem, com duas linhas de marcação compactas e sair em velocidade nos contragolpes. Através de uma troca de passes rápida ou na esticada de bola para o centroavante Barcos, que fica mais a frente no momento defensivo. Foi através de um contragolpe muito bem executado que o Cruzeiro marcou o gol:

A partir daí a estratégia cruzeirense era entregar a bola ao adversário e aproveitar os espaços na retomada de bola. O Cruzeiro teve 41% de posse na primeira etapa. Finalizou 4 vezes, sendo 3 de dentro da área adversária. Ainda que o Palmeiras tenha finalizado 9 vezes (5 de dentro da área), o Cruzeiro jogava bem. Se a proposta era negar espaço ao adversário, se defender bem e contragolpear, o time obtinha sucesso.

O Palmeiras teve um grande volume nas ações ofensivas, valorizando a posse de bola e tentando fazer variações entre os extremos, porém esbarrou-se na forte marcação do Cruzeiro. O adversário dobrava a marcação no portador da bola, impedindo que o verdão tivesse espaço para infiltrações, triângulações e profundidade, o Palmeiras limitou-se a cruzamentos e jogadas individuais pelas beiradas do campo. A bola rodou por muito tempo no meio-campo, aonde o Cruzeiro tinha superioridade numérica, enquanto o verdão detinha a posse, entretanto não encontrava maneiras de agredir e avançar ao último terço. Nas jogadas aonde conseguiu construir oportunidades, o time de Scolari não teve eficiência e desperdiçou boas chances.

ibraImagem: Footstats
  • O Palmeiras teve superioridade na posse da bola e nas finalizações, porém teve seu jogo concentrado no meio, aonde a marcação adversária era muito forte e faltou eficiência nas finalizações.

Todos sabem que Mano Menezes é um especialista em montar bons sistemas defensivos. Motivo pelo qual, o Cruzeiro atua tão bem com a vantagem no placar e sem a responsabilidade de ir para cima vencer o jogo. Sem a bola, Arrascaeta e Robinho voltam formando a segunda linha de marcação. Cruzeiro marcava no 4-4-1-1, deixando Thiago Neves a frente da segunda linha de marcação e Barcos mais a frente para aproveitar os contragolpes. O posicionamento do atacante também faz com que o Palmeiras não ataque com os 10 jogadores no campo de ataque. Pois Mano, gosta de marcar a partir do meio-campo, e não muito próximo ao seu próprio gol. Para assim, não chamar o adversário para o seu campo.

Para realizar uma marcação forte, o Cruzeiro realiza encaixes individuais no setor do portador da bola. O que seria isso? O time marca por zona, onde a referência é a bola, e cada jogador se posiciona de acordo com a posição da mesma. Porém para não deixar o adversário furar sua defesa, no setor da bola, os jogadores do setor cortam as opções de passe do portador. Para assim, deixá-lo sem opção de passe. E não tendo para quem tocar, o adversário não consegue furar a defesa do Cruzeiro. Tendo uma posse de bola sem efetividade. Resultado: o Cruzeiro executou bem sua proposta de jogo. Ou seja, mais uma vez, atuou bem. Pois sem a bola, se defendeu bem, sem sofrer muito. Era comum ver o Palmeiras tocar a bola de lado para o outro e encontrar dificuldade na construção ofensiva. Ponto para o Cruzeiro que atuou bem dentro do que se propôs a fazer.

No vídeo abaixo, é possível ver bem isso:

Outro fator preocupante no verdão, foi a recomposição lenta dos atletas de meio-campo e a falta de cobertura dos defensores. Em muitos momentos, o Cruzeiro tinha inferioridade numérica nos contra-ataques, mas conseguia achar espaços e incomodar o Palmeiras, inclusive o gol dos visitantes saiu dessa forma. A equipe mineira incomodou em alguns momentos na primeira etapa. O Palmeiras tinha ansiedade no setor ofensivo e não obtinha êxito nas conclusões, com isso sobrecarregava o setor defensivo, no qual apresentou falhas pontuais. Mesmo não sofrendo pressão, a defesa alviverde não conseguiu encaixar a marcação intensa.

ibraImagem: Sportv
  • No gol cruzeirense, Thiago Neves acha lindo passe e “quebra” a marcação do Palmeiras, deixando o ataque da raposa em vantagem numérica.

ibraImagem: Sportv
  • O Palmeiras tinha seis jogadores no sistema defensivo, porém a maioria atrás da bola. Defesa ficou desprotegido e sem cobertura. Isso possibilitou o Cruzeiro achar espaço e criar uma ótima oportunidade.

Ao perceber que não iria conseguir encontrar espaços trabalhando a posse da bola, o técnico Felipão fez sua equipe explorar jogadas no atacante Dudu, aonde o atleta usou e abusou de lances individuais, sendo um dos jogadores com mais participações no jogo. O extremo esteve em todas às partes do campo, porém não conseguia levar tanta vantagem, Dudu teve muitas perdas de bola (9 no total), e acabou sendo encaixotado pela marcação adversária.

ibraImagem: Sportv
  • Dudu foi o jogador que mais tentou criar jogadas, explorando os lances individuais.

Outro jogador que teve muita movimentação foi o centroavante Miguel Borja, o colombiano não ficou preso na marcação, buscou sair da área e trabalhar pelos lados do campo. O jogador até conseguiu alguns bons passes e teve uma oportunidade clara, mas por sair muito da área, possibilitou a defesa adversária não ser incomodado e poder ajustar a marcação. Esse talvez tenha sido um dos principais erros do verdão, como o time fazia muitos cruzamentos, precisava de um jogador dentro da área e segurando a bola no pivô, para possibilitar a aproximação dos extremos e meio-campistas.

ibraImagem: SporTV
  • Borja saiu muito da área, mas seus companheiros não conseguiram fazer a infiltração, como vinha acontecendo nas últimas partidas.

Novamente, os volantes foram muito importantes nessa estratégia. Henrique, principalmente. O capitão realizou 2 desarmes. Ganhou 5 de 6 duelos vencidos. Os dois são fundamentais para proteger a entrada da área. Claro que é um movimento coletivo. Pois como o time se defende de forma compacta, é possível fechar melhor os espaços. Mas, Henrique e Lucas precisam preencher bem aquele espaço. A entrada da área é uma região perigosa e que Mano gosta de muita proteção. Por isso, os dois procuram proteger muito bem a entrada da área e deixar o adversário jogar pelos lados, zonas mais propicias para roubar a bola.

ibraCruzeiro protege muito bem a entrada da área para que o adversário não consiga infiltrar em sua defesa.

No segundo tempo, com a lesão de Arrascaeta e a expulsão de Edílson, o Cruzeiro recuou mais suas linhas de marcação. Ponto negativo do jogo: nenhuma finalização na segunda etapa. Na etapa complementar, virou um jogo de ataque contra defesa. Com a expulsão de Edílson, Raniel teve quer recompor pelo lado direito. E Bruno Silva fez a lateral direita. Sem um atacante mais a frente para segurar a defesa palmeirense, o Cruzeiro se defendeu com suas linhas de marcação de 4 jogadores e Thiago Neves, a frente delas.

Na segunda etapa, o Palmeiras perdeu-se um pouco taticamente, tentou agredir o adversário o sufocando, entretanto não conseguiu concluir bem. Felipão colocou o meia Lucas Lima, o jovem atacante Artur e até o lateral-direito Marcos Rocha, para buscar alargar às jogadas e melhorar sua criação, mas conseguiu esbarrando-se na marcação da raposa. O Palmeiras perdeu a segunda em casa na era Scolari, mas tem totais condições de reverter a situação no jogo de volta. São esquemas semelhantes, aonde ambos preferem um estilo reativo, e como o Cruzeiro estará atuando no Mineirão, o Palmeiras pode atuar da forma que sente-se confortável.

Com 10 jogadores em campo, foi preciso ao Cruzeiro saber sofrer e conquistar um grande resultado em São Paulo. Mais uma vez, a consistência defensiva desse time foi testada e se saiu muito bem, apesar de precisar que seu goleiro fizesse algumas defesas.

Como é um dos treinadores no Brasil a mais tempo no cargo de um clube, percebe-se no Cruzeiro que os jogadores sabem o que tem que fazer em campo. Compraram a ideia do treinador. Que goste você ou não, tem obtido sucesso porque é bem assimilada pelos jogadores. Hoje o Cruzeiro é um time maduro, consciente, organizado e bem treinado.

ibraApós a expulsão, Cruzeiro se defendeu muito próximo ao seu gol para garantir a vitória. Com Thiago Neves a frente das duas linhas de marcação.

Claro que o Cruzeiro apresenta dificuldades para propor o jogo, principalmente em pontos corridos. Mas quando não tem a responsabilidade de jogar e entrega a bola ao adversário, atua muito melhor e é muito competitivo, um dos melhores time no Brasil. Motivo pelo qual, o time tem tanto sucesso nas competições mata-mata.

@12brenobarbosa e @magalhaesDavi_

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