Um jogo de propostas – ANÁLISE TÁTICA DE ATLÉTICO-MG 3 X 1 ATLÉTICO-PR

Por: Matheus Eduardo e André Frehse Ribas

No duelo dos Atléticos, o que se viu foi um grande jogo no Independência. Com duas propostas diferentes, Galo e Furacão protagonizaram um duelo de ideias, intensidade, tática e de muita qualidade técnica. Hoje, vamos analisar como os times se apresentaram em Belo Horizonte. 

PRIMEIRO TEMPO E COMO ESTIVERAM AS EQUIPES

O Atlético Paranaense veio com uma proposta bem clara em seu 4–2–3–1 tradicional (4–4–2 sem a bola). Fechar os espaços, jogar compacto, dificultar ao máximo o time da casa e atacar de forma direta e rápida, conseguindo ter o controle do jogo sem e com a bola. Isso aconteceu muito bem no primeiro tempo. Sem a bola, o time subia suas linhas em bloco médio/alto, com agressividade e intensidade, dificultando a saída de bola do Atlético-MG, que sofria para sair da zona da pressão. Sabia a hora de subir e recuar, em movimento sincronizado e bem treinado. 

No ataque, o Furacão procurava trabalhar sempre pelos lados, com triangulações entre seus homens de frente. Os lances eram criados, mas, no último terço do campo, perdia em intensidade e sofria para finalizar suas jogadas e tomar a melhor decisão. Faltava ser mais decisivo e preciso. O time paranaense também se saiu melhor nas dividas, nos confrontos 1×1 e na disputa pela segunda bola. Achou espaços, mas não foi eficiente com a bola rolando. 

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Sem a bola, Atlético jogou no 4-4-2, anulando dos espaços.
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Atlético-PR tenta dificultar a transição ofensiva do Galo. Pressão na região da bola.

O Gol rubro-negro saiu em cobrança de escanteio. Vale destacar o lance, pois é uma jogada característica do time de Tiago Nunes. Jogadores se concentram na pequena área, principalmente no primeiro pau, causam uma grande “confusão” e dificulta a vida do goleiro, que fica na dúvida se sai ou não do gol. 

 Após marcar, o time “relaxou” e desceu um pouco suas linhas. A pressão na saída de bola diminuiu, e o Galo conseguiu criar mais chances. 

O Atlético Mineiro, por outro lado, entrou com a proposta padrão que possui, em especial quando joga em casa. Prioritariamente, uma equipe de mais posse de bola, construção por meio de muitos toques curtos e sequenciais, desde o goleiro até os pontas no campo ofensivo, quase sempre se aproximando em triangulações e jogadores concentrados no campo defensivo para a saída sustentada — com sete jogadores de linha: quatro defensores + três meio-campistas, ocupando campo para tocar a bola de forma segura.

Com Juan Cazares como um dos meio-campistas, era habitual ver o camisa 10 mais recuado para receber a bola e auxiliar na construção do jogo desde o campo defensivo. Também foi bem comum ver o argentino Tomás Andrade — como ponta esquerdo — bem espetado para receber a bola na beirada em busca do cruzamento. Além disso, chamou a atenção o alto número de bolas alçadas na área, seja pelos laterais ou pontas de ambos os lados. Não à toa, o gol de Leonardo Silva, que empatou a partida, saiu assim. 

A todo o tempo, a construção se dava com os meio-campistas levando a bola até o ponta/lateral, para tentativa de cruzamento e posterior rebote. Além disso, houve um comportamento padrão nas cobranças de escanteio: sempre com os dois zagueiros (Maidana e Leonardo Silva), Adilson e Ricardo Oliveira na área, enquanto Cazares era o cobrador, e Tomás Andrade esperava os rebotes na meia-lua. Quatro jogadores na área para o cabeceio (contra nove marcadores rivais) e o restante em busca da sobra, fora da área, para “continuar” o lance e buscar um novo cruzamento ou finalização em caso de corte do adversário. Assim surge o lance do gol.

SEGUNDO TEMPO 

Na segunda etapa, o jogo continuou com uma grande intensidade. O Atlético-PR marcou em bloco alto, pressionou forte a saída de bola do Galo e conseguiu roubar várias bolas próximas da área. Com isso, criou muitas chances de gols, que não foram aproveitadas pelo rubro-negro. Faltou tranquilidade para ser decisivo, caprichar na finalização e sair com um resultado melhor. 

Especialmente pressionando o setor esquerdo dos rivais, o Furacão conseguiu produzir e criar chances claras de gol. Nesse lado do campo surgiram as duas finalizações que acertaram a trave defendida por Victor: primeiro com Nikão, em um chute de média distância, depois com Pablo, após boa retomada de bola no setor mais frágil da defesa adversária. 

Por outro lado, o Galo voltou do intervalo ainda mais intenso: mantendo o 4–1–4–1, mas com agressividade maior. Tendo Elias na vaga de Matheus Galdezani desde o primeiro minuto da etapa final, o time tinha Luan mais recuado para construir e o meio-campista infiltrador mais próximo da área para concluir. Assim, aumentava a pressão sobre os defensores, e os mandantes eram ainda mais intensos para retomar a bola no campo do adversário.

Outro fator preponderante para a vitória alvinegra foi a dificuldade dos paranaenses em jogar curto desde a sua defesa. Tendo o meio-campista Bruno Guimarães muitas vezes perseguido por Cazares para evitar que trabalhe com espaços e saia jogando de forma limpa, o jogo mais direto se tornava a opção mais viável. Nisso, o Galo retomava e subia com agressividade. Numa dessas bolas diretas, os jogadores do time mineiro recuperam a bola e começam o jogo de forma rápida com o goleiro Victor e uma forte triangulação entre Elias, Patric e Luan no lado direito — um dos pontos mais fortes do time no ano — , que termina com gol de Elias e desempate.

A partir do 2 x 1, o cenário apresentou um Atlético Paranaense correndo mais riscos em busca do gol: os dois meio-campistas mais recuados, Lucho González e Bruno Guimarães, foram substituídos e, no fim, Raphael Veiga e Matheus Rossetto (mais participativos à frente) eram os responsáveis por esse papel. Mesmo com uma equipe mais agressiva, e o atacante Bergson para atrair a defesa rival, faltou efetividade e controle para criar chances na reta final. 

Na contramão, o xará mineiro esteve mais calmo e convicto do que fazer para vencer a partida. Com seus jogadores se aproximando mais, tendo o uruguaio David Terans (inicialmente, um ponta) centralizando e perto dos meias, a bola rodava e o jogo fluía. Em especial, Juan Cazares teve muito brilho nas ligações ao ataque e, por meio dele, saiu o terceiro gol: roubou a bola de Raphael Veiga no campo defensivo, tocou, recebeu à frente e ligou Ricardo Oliveira perto da área. O centroavante conseguiu aproveitar (no rebote) a boa oportunidade em velocidade para marcar o terceiro do Galo e sacramentar a vitória.

Ainda assim, o lado esquerdo dos mandantes seguiu com dificuldades, especialmente após o cansaço de Tomás Andrade e sua saída. Com David Terans, menos fôlego para cobrir o setor, e o lateral Fábio Santos mais sobrecarregado. Por outro lado (literalmente), a direita esteve mais fluida com mais jogadores próximos, até os que partiam do lado oposto. Na etapa final, um Galo mais funcional e menos posicional fortaleceu um lado e criou suas melhores oportunidades por ali. Significou muito ter o controle com a bola (e mais posse: 52%) diante de um dos adversários que melhor a tratou durante o campeonato e, nesse caminho, o Atlético Mineiro segue em busca da retomada do melhor nível de jogo e de ofensividade que apresentou no primeiro turno, enquanto o Furacão segue em busca da sua primeira vitoria como visitante.

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