O pesadelo começou – ANÁLISE TÁTICA AMÉRICA MG 2 x 1 VASCO

Por Ricardo Leite

A situação do Vasco no campeonato é definitivamente preocupante. Alberto Valentim acumulou a terceira derrota seguida e a terceira escalação diferente em três rodadas.

Mudanças de esquema, adoção de regime de concentração, muitas conversas individuais com os atletas e tentativa de um futebol mais ofensivo são alguns pensamentos e atitudes que marcaram as primeiras semanas de Valentim à frente do Vasco.

Especificamente neste jogo contra o America MG, Valentim contiuou com uma duola de volantes, mas preferiu voltar com Desábato na vaga de Andrey.

No início do jogo algumas tentativas de impor a filosofia de seu comandante. Apesar da marcação por zona, quando o América chegava na intermediária o Vasco fazia uma pressão mais contundente no detentor da bola, mas essa atitude durou poucos minutos. Com a bola, o Vasco tentava sair jogando pelo chão desde o campo de defesa, inclusive usando Martin Silva. Mas a falta de mobilidade, velocidade e qualidade nos passes comprometeu essa estratégia. Apesar de bloco médio/baixo, o Vasco subiu a linha de marcação algumas vezes, principalmente com Galhardo e Pikachu.

Mas o América era quem tinha a bola e mandava no jogo. Saía pro jogo com muita tranquilidade e verticalidade, chegava rapidamente no último terço. Utilizava muito o Carlinhos, lateral esquerdo e Gerson Magrão para construir suas jogadas ofensivas.

voJogador americano recebe sem marcação em local decisivo para construção das jogadas e tem três opções claras.
voRaul e Lennon marcando um adversario enquanto outro recebe na entrada da area com total liberdade para finalizar.

E foi dessa forma que chegou, com justiça, ao seu primeiro gol. Assim como os últimos gols sofridos, o adversário fez boa trama pelos lados (Pikachu e Raul não auxiliaram Lennon e permitiram 2×1 contra Lennon) e o Vasco deixou a entrada da área simplesmente deserta.

 voCarlinhos pega de primeira sem marcaçao para abrir o placar.

O Vasco não trocava passes com velocidade, não se movimentava e se limitava a bolas forçadas ou lançamentos para Maxi. Wagner e Raul simplesmente pareceram invisíveis no 1T. A falta de Andrey prejudicou demais a transiçao ofensiva e a capacidade de romper linhas de marcação e ate de aproximação da area. Pikachu e Galhardo até se apresentavam, mas esbarravam numa péssima noite individual e falta de aproximação. Era um time pragmático, sem capacidade de surpreender em nenhum momento. Faltava criatividade, mobilidade, faltava atacar em bloco, faltava preenchimento do setor de meio campo e participação vertical dos volantes.

O Vasco ficava sem a bola, e mesmo assim marcava mal, sem se compactar bem, sem gerar superioridade na intermediária e nos flancos e também não mantendo a posse de bola.

No segundo tempo houve uma melhora ilusória. O Vasco teve mais a bola e não era ameaçado. Mas era impotente e não conseguia criar chances reais. Muitas vezes apenas rodava a bola entre seus defensores. Ate melhorou com a entrada de Andrés Rios, que chegava a recuar para armar a equipe devido a falta de ocupação e qualidade na faixa central. Marrony também entrou para jogar aberto pela esquerda e apresentou uma melhora de desempenho em relaçao ao Wagner. O Gigante da Colina chegou ao empate em bela cobrança de pênalti de Maxi Lopez. O argentino aliás, é uma gota de lucidez no mar de insegurança e falta de objetividade vascaína. Mas bastou o América precisar novamente de um gol para vencer o jogo que o Vasco demonstrou mais uma vez sua fragilidade defensiva e psicológica. Logo na primeira jogada trabalhada apos o gol vascaíno, o América recuperou sua vantagem no placar num belo gol de Gerson Magrão, apos outra jogada prla lateral. Marrony e Henrique foram facilmente driblados e na entrada da área, novamente, o América fez mais um belo jogo.

 vogol de Gerson Magrao da a vitoria ao America.

O jogo terminou com o Vasco dando chutões e lançamentos em direçao a área, obviamente sem sucesso. Tudo que Alberto Valentim abomina.

O 4-2-3-1 é um esquema que busca ter um articulador central, mas que dialogue com os extremos, e quando em contato com os laterais obtenha superioridade pelos lados. Que esses extremos auxiliem os laterais defensivamente o tempo todo. Que os volantes precisam ser intensos nas transições ofensivas. E o Vasco atualemnte nao faz absolutamente nada disso. Não que o esquema seja equivocado, mas talvez as peças escolhidas nao tenham tais características para tal função. Nao é necessariamente o melhor, nem o mais promissor, nem o que jogue mais bonito, mas hoje é o que o elenco melhor assimila e se mostra mais competitivo no curto prazo. E de uma coisa temos certeza, o tempo do Vasco esta ficando cada vez curto para recuperação.

@analisevasco

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s