Em jogo aberto, São Paulo perde a liderança e Atlético-Mg encosta – ANÁLISE TÁTICA ATLÉTICO MG 1 x 0 SÃO PAULO

Por Pedro Galante e Davi Maglhães

Atlético Mineiro e São Paulo se enfrentaram na noite dessa quarta (05). O tricolor paulista não pode contar com dois jogadores importantes, Everton machucado e Diego Souza suspenso por cartão vermelho. Os substitutos foram mais uma vez Reinaldo improvisado na ponta esquerda e Trellez na referência.

Desde o começo, via se um jogo aberto. As duas equipes precisavam da vitória e jogaram para frente, cada um a seu estilo, o galo mais paciente e construído o São Paulo mais direto e vertical.

O início tricolor era consistente, buscava se defender pressionando o portador da bola e ser vertical na hora de atacar. Mas aos 9 minutos, em um lance com certa influência do acaso, o Atlético chegou ao gol.

Edimar e Reinaldo pressionaram juntos o lateral Emerson e acabaram deixando Adilson livre, que conseguiu o cruzamento. Os defensores tentaram fazer uma linha de impedimento que não deu certo, e Sidão se posicionou mal permitindo o cabeceio de Ricardo Oliveira, a bola bateu na trave, em seguida em Régis e entrou.

Depois do gol, o São Paulo não se abalou, demonstrando mais uma vez a sua força mental. Manteve sua organização e sua proposta e foi em busca do empate. As duas equipes se mostravam tentadas a buscar o gol, mas com o passar dos minutos o time de Tiago Larghi foi se comportando de forma mais defensiva.

ibraGráfico acima mostra compara quantidade de passes do Atlético nas ultimas 5 partidas que atuou no Independência. Apenas na partida contra o Santos, a quantidade de passes no 1° tempo (207) foi próxima ao numero de ontem (200).

No gráfico acima, podemos observar que o Atlético recuou após marcar o gol, deixando a bola com o São Paulo, procurando apostar nos contragolpes. Os jogadores não pressionavam mais a saída de bola do adversário, a marcação começava mais próxima do seu próprio gol. A dupla de zaga fez uma boa partida ganhando 10 duelos aéreos na partida e ganhando os duelos individuais. Maidana ganhou 5 de 7 e Léo Silva ganhou 7 de 9.

O São Paulo fez uma primeira etapa muito boa ofensivamente. Nenê – que fez sua melhor atuação após a Copa – foi muito participativo e ajudou na criação. O melhor desempenho do camisa 10 pode ser explicado, pois ao contrário das últimas partidas, Nenê não se limitou somente a entrelinha. O jogador se movimentou e recebeu a bola mais ao lado do campo, onde há menos pressão e mais espaço para estruturar a jogada.

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Nenê recebendo sem muita pressão, pontas avançando, Jucilei na contenção e Hudson mais a frente. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Rojas e Hudson também foram consistentes. O equatoriano oferecendo desequilíbrio pela ponta direita, e o volante repetindo os comportamentos da última partida de aparecer mais a frente para quebrar linhas com seus movimentos. O grande problema foi que a equipe de Diego Aguirre não transformou esse domínio em chances claras, talvez por sentir falta de alguém que fizesse o pivô e colocasse os meias em posição de chute, uma vez que Trellez não tem esse recurso muito explorado com Diego Souza.

Muito pela boa pressão que o São Paulo fazia na saída de bola atleticana, o time rifava a bola, não saia jogando através de passes curtos desde a defesa, como é característica do time. Sendo assim, a estratégia era ter a bola no campo ofensivo, procurando aproveitar os espaços concedidos pelo rival. No ótimo texto do Rodrigo Coutinho sobre o trabalho de Larghi no Atlético, ele explica como o time se defende:

https://esportes.yahoo.com/noticias/o-galo-de-thiago-larghi-derruba-cliches-e-quer-bola-pra-jogar-040059338.html

 

ibraPara limitar o tempo e o espaço do adversário com a bola, Larghi utiliza a marcação por encaixes no setor (jogadores encaixam no adversário que se encontra no seu setor) com perseguições curtas para pressionar o portador da bola e tirar suas opções de passe. O problema dessa marcação é o espaço que ela pode dar ao adversário ocupar, principalmente na faixa central se não houver um bom entendimento do posicionamento por parte dos atletas. (TV Globo)

O galo ensaiou encaixar alguns contra-ataques (teve 2 chances claras), procurando sair para o contragolpe através da troca de passes ou da bola esticada para Ricardo Oliveira. O atacante que no momento defensivo volta até a intermediária. Como o atleta tem 38 anos, Larghi entendeu que o melhor para ele é voltar até a intermediária quando a bola passa do meio de campo. Mas não teve sucesso. Uma vez que o São Paulo tinha uma ótima transição defensiva, cortando os contragolpes atleticanos, encurralando o time mineiro em seu próprio campo. Percebendo esse perigo, Aguirre fez uma substituição bem interessante que deu novos mecanismos ao time. Liziero entrou no lugar de Edimar, e agora quando o São Paulo não tinha a bola, Reinaldo jogava como lateral e Liziero fechava a linha de meio pela esquerda. Com a bola, Liziero caia para dentro e gerava superioridade no setor, superioridade essa muito importante para a criação e para impedir os contra-ataques mineiros. Além disso, o corredor esquerdo ficou livre, e com Reinaldo vindo de trás, ele conseguia fazer melhor uso daquele espaço. Larghi respondeu colocando José Welison no lugar de Galdezani para reforçar a marcação.

ibraLiziero por dentro e Reinaldo como lateral. Perceba o espaço aberto pelo lado por onde o São Paulo ponde acelerar o jogo. (Foto:Instat/ Pedro Galante)

O São Paulo melhorou seu volume de jogo, finalizou mais, mas ainda não conseguiu criar chances realmente claras. Victor foi providencial para manter o Atlético a frente. Aguirre ainda tentou uma última mudança para buscar o resultado. Colocou Carneiro no lugar de Régis.

Hudson foi deslocado para a lateral e agora o São Paulo jogava com dois centroavantes. O time buscou criar, principalmente com cruzamentos, mas ou não teve sucesso ou parou no goleiro adversário.

ibra.jpgNova formação depois da substituição. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

No final das contas, é claro que é um resultado péssimo visto que a liderança foi perdida. Mas definitivamente, não quer dizer que nada preste e que o São Paulo está em queda livre. O time teve um desempenho muito bom, fez por merecer um gol de empate, que não aconteceu é claro, mas que não diminui a atuação do time.

Não é o fim do mundo. Apenas um gol de saldo separa o São Paulo da liderança, e se tiver atuações como a de quarta, tem totais condições de retomar a liderança. Além de que ainda haverá confrontos diretos com Flamengo, Palmeiras e Internacional.

Para o Atlético, a vitória foi fundamental. Uma vez que o time vinha de três jogos sem ganhar. Ainda que o desempenho do time, principalmente no momento defensivo possa melhorar, o Atlético segue em busca da vaga para Libertadores em 2019. Objetivo que mesmo após tantas mudanças no elenco, o time tem condições de atingir, aliando um bom futebol apresentado.

@Pedro17Galante e @magalhaesDavi_

 

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