Entre Teoria e Execução, um abismo de diferença. ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 0 X 3 SANTOS

Por Ricardo Leite

A diretoria pediu, a torcida atendeu. Diante de mais de 30 mil torcedores, o Vasco entrou em campo apenas para ser vaiado e tomar mais uma goleada.

Valentim, que vem sendo muito criticado após o jogo, promoveu a saída de Desábato, para jogar com Andrey e Raul de volantes. Wagner voltou à equipe após ser poupado na última rodada. Além disso, Kelvin entrou na vaga de Vinicius Araújo e fez o Vasco voltar ao 4-2-3-1.

Logo aos 4 minutos, antes que a primeira gota de suor escorresse nos atletas, Gabigol recebeu na entrada da área (saindo da referência) sozinho, e bateu de primeira. Vasco estava perdido na marcação, que pra esse jogo saiu do 4-1-4-1 das últimas partidas e voltou ao 4-4-2. As linhas estavam muito recuadas e o cruzmaltino dava muito espaço para o Santos trabalhar a bola. Não tinha mais a superioridade e o balanço visto pelos lados com o esquema de 3 volantes.

Gabigol, sai da referência e explora a entrelinha da marcação para abrir o marcador.

O Santos começou parecendo sentir o clima da Vila Belmiro. Chegou a ter 69% de posse de bola e jogava como queria. Por necessidade, o Vasco começou a ter mais a bola, mas a saída de bola era extremamente lenta. Sem aproximação do Wagner e dos outros jogadores de frente, os laterais, na maioria das vezes eram obrigados a forçar a bola para os pontas, mas estes sempre levavam desvantagem. Por serem mais fracos fisicamente que seus marcadores (que estavam sempre em cima) e por estarem de costas sem opção de passe.

Erros de saída de bola e transição lenta geraram esse tipo de situação em desvantagem para o sistema defensivo vascaíno.

Os minutos iam passando e o Vasco não apresentava nada além da força da camisa, que levasse o torcedor a acreditar numa virada (talvez nem no empate). O Vasco se mantinha pragmático, sem movimentação, sem dinâmica, sem velocidade, e continuava com muita dificuldade de marcar, tanto pelo meio como pelos flancos. Sanchez, Gabigol e os laterais eram os verdadeiros pesadelos do sistema defensivo vascaíno.

Na segunda etapa, o Vasco voltou marcando um pouco mais alto e foi mais combativo do meio pra frente. Nada que chegasse a animar, mas era uma postura diferente, pedida pelo treinador. Andrey melhor jogador do Vasco contra o Furacão, fez uma péssima partida, apesar de participar intensamente dos momentos com e sem a bola. Raul, demonstrou muita capacidade de desarme, mas errou inúmeras vezes, comprometendo a construção inicial das jogadas. Lennon fez sua pior partida no Vasco. Lento na saída, erros de passe e cruzamentos sem capricho marcaram a partida do lateral.

Valentim colocou Galhardo e o Vasco ocupou melhor o meio campo, e aumentou a dinâmica apesar de continuar inofensivo. Maxi ficou a partida muito isolado e não conseguiu levar vantagem nos lances do pivô.

Quando o Vasco ameaçava um abafa na vontade, o Santos ampliou o marcador, decidindo assim a partida. Valentim abriu ainda mais a equipe em busca do empate, mas o psicológico já estava muito abalado. Com isso o Santos ainda fez o terceiro (hattrick) e criou pelo menos mais duas chances claríssimas.

As ideias do Valentim, de um jogo apoiado e marcação mais alta, são muito interessantes, mas o tempo de treino é muito curto. Antes de ter a cara do novo treinador, o Vasco precisa de asimilar as ideias e ter consciência de que pode executá-las. Pois a tabela é desfavorável, e o Vasco precisa ser competitivo e pontuar urgentemente.

@analisevasco

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