Mais uma classificação para conta do Cruzeiro “Copero” – ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 0 x 1 FLAMENGO

Por Davi Magalhães

O Cruzeiro sob o comando de Mano Menezes, tem sido um time das copas, tendo suas melhores atuações em competições de mata-mata. Em 2017, já havia sido assim na conquista da Copa do Brasil. Ontem contra o Flamengo, o time se classificou para as quartas de final da Libertadores. Esse ano, a escrita se mantém nas duas copas: a doméstica e a continental.

Como disse na análise do jogo de ida das oitavas, é no mata-mata que o modelo de jogo do treinador mais obtêm sucesso. Mano sabe como poucos jogar esse tipo de competição.

Uma vez que o Cruzeiro trouxe um grande resultado do Rio de Janeiro, no Mineirão, era o Flamengo que tinha que correr atrás do resultado. Aí entra o dedo do treinador. Sabendo que tinha uma ótima vantagem, Mano adotou a estratégia de deixar o adversário ter a bola. Porém não dar espaços ao Flamengo, se defender com os dez jogadores próximos. Afinal, o futebol é um esporte coletivo. E Mano Menezes ressalta muito a coletividade. A equipe jogar junta, próxima. No momento defensivo, a defesa começa lá na frente com os jogadores mais avançados para anular a construção do jogo do adversário, impedindo-o de finalizar no gol defendido por Fábio.

plCruzeiro se defendia no tradicional 4-4-2 com Thiago Neves e Barcos a frente. Na imagem, os 10 jogadores são importantes para negar espaço ao Flamengo. Por isso, Barcos vai pressionar o portador da bola (Diego), anulando a construção do jogo flamenguista. (TV Globo)

Nessa estratégia os volantes Henrique e Lucas Silva foram muito importantes, atuando muito bem. Ainda mais tendo Diego, Paquetá, Everton Ribeiro e Vitinho, os volantes eram fundamentais para negar espaços no meio e proteger a entrada da área. Henrique ganhou 8 de duelos disputados e fez 4 desarmes. Lucas Silva ganhou 10 de 15 duelos disputados e desarmou 3 vezes na partida.

Com isso, o cenário favorecia o time mandante. O Flamengo via o tempo passar, ficava mais com a bola, porém encontrava dificuldade de furar a defesa cruzeirense. Com isso, os jogadores iam se frustrando. E o fator psicológico começava a pesar, visto que os jogadores do Cruzeiro viam que estavam tendo sucesso na estratégia, ganhavam confiança para disputar bolas, ganhar duelos individuais e pressionar o adversário que ia se frustrando por não conseguir traduzir sua posse de bola em chance real de gol.

O QUE O CRUZEIRO FAZIA AO RETOMAR A BOLA?

Quem conseguia criar chance real chance de gol era o time cruzeirense. Mano disse que gosta desses jogos justamente pelo espaço que tem para jogar. Como o time flamenguista ia para cima em busca de marcar seu gol, acabava dando espaço para o Cruzeiro aproveitar ao retomar a bola. O time mineiro jogava com os jogadores muito próximos, sendo assim, ao retomar a bola, o time tinha opções de passe para acelerar e encaixar contragolpes. No primeiro tempo, o Cruzeiro finalizou 4 vezes, 1 de dentro da área, em grande chance de gol perdida pelo atacante Barcos.

plArrascaeta foi importante nesse momento. Acima, os números do uruguaio na partida. No primeiro tempo, o camisa 10 recuperou 2 bolas e armou o contragolpe. Pela mobilidade, habilidade, inteligência para ocupar os espaços e boa tomada de decisão, Arrascaeta se torna peça chave no modelo de jogo cruzeirense.
QUANTIDADE DE PASSES TROCADOS X CHANCE REAL DE GOL

De nada adianta ter um alto percentual de posse de bola ou muitos passes trocados se essa posse de bola não for traduzida em chance de gol. Pois esses passes podem ser trocados na defesa, não conseguindo progredir no campo adversário com a bola, deixando de executar um dos princípios táticos ofensivos.

No jogo de quarta, o percentual de posse de bola do Cruzeiro que acabou com 37% de posse na partida, só significava que o time adotou uma proposta reativa na partida. Marcando muito bem, com as linhas próximas, pressionando o adversário e saindo em velocidade ao recuperar a bola.

plNa imagem abaixo, Arrascaeta dribla o adversário e o Cruzeiro tem espaço que Rafinha, Thiago Neves e Raniel se movimentam para ocupar. Espaço gerado após Cruzeiro roubar a bola e pegar a defesa do Flamengo desprotegida. Uma vez que o time rubro-negro estava organizado para atacar.

Não interessava ao time cruzeirense trocar inúmeros passes. Afinal, como tinha a vantagem no confronto, o adversário que tinha que buscar o resultado e acabava dando espaço que o Cruzeiro pretendia ocupar no campo de ataque. Com 190 passes trocados a menos que o Flamengo, o Cruzeiro teve as mesmas 10 finalizações que o adversário. Porém era mais efetivo. Acertou 3 vezes o gol, finalizou 6 vezes de dentro da área adversária, desperdiçando 3 grandes chances de gol criada.

Como encontrava espaços para ocupar ao recuperar a bola, o time era vertical, visto que não era necessário trocar muitos passes na defesa ou na intermediária para criar chance de gol. O objetivo cruzeirense era ter a bola no momento certo, no campo ofensivo e ser agressivo, levando perigo ao gol de Diego Alves. Ao retomar a bola, o Cruzeiro acelerava o jogo e criava chance de gol com muito menos passes trocados.

plNa imagem acima, Lucas Silva pressiona Lucas Paquetá e os companheiros cortam as linhas de passe próximas do jogador. Marcação apertada do Cruzeiro só dava ao adversário a opção de recuar o jogo. Porém, posição corporal de Lucas Silva o permite interceptar o passe de Paquetá para Cuéllar.
plApós a interceptação, Thiago e Raniel atacam os espaços na defesa do Flamengo e se apresentam como opção de passe para finalizar a jogada. Que acaba com finalização a média distância de Lucas Silva.

Na jogada acima, o Cruzeiro não precisou trocar nenhum passe para criar chance de gol. Mesmo o Flamengo trocando mais passes, não conseguiu traduzir esses passes em chance de gol clara. Sendo assim, o número de passes trocados em uma partida é um dado raso. Portanto, não pode ser parâmetro para desempenho. Se a estratégia do Cruzeiro era ter menos a bola, negar espaço ao adversário e ter a bola no campo de ataque, o Cruzeiro teve mais sucesso. Finalizou o dobro de vezes de dentro da área e criou mais chances reais de gol. Ao Flamengo restava finalizar de média, longa distância (7 chutes) ou cruzar a bola na área (22 cruzamentos). Nos cruzamentos, teve apenas 12% de aproveitamento, uma vez que o Cruzeiro defendia bem a área, e ainda tinha Dedé, o zagueir que é excelente no jogo aéreo.

Vale destacar a boa partida de Everton Ribeiro, grande responsável pelas poucas chances reais de gol criada pelo Flamengo. O meia venceu driblou 4 vezes, finalizou 1 vez, deu 2 passes decisivos e criou uma ótima chance de gol.

Ainda que o Flamengo tenha marcado um gol de escanteio, o resultado não traduziu o que foi o jogo. Uma vez que, o Flamengo não era superior na partida a ponto de dar a sensação que ficaria com a vaga.

Se o Cruzeiro aproveitasse melhor as chances criadas e fosse mais eficiente nas finalizações, poderia passar de fase com mais tranquilidade, vencendo também o jogo de volta das oitavas.

Com o resultado final de 1 a 0 para o Flamengo, o Cruzeiro se classificou para as quartas de final da Libertadores em mais uma mostra que Mano sabe jogar muito bem esse tipo de competição. Ainda que tenha pontos a evoluir, como por exemplo, não baixar tanto suas linhas de marcação e chamar o adversário para o seu campo, passou o time que melhor jogou nos 180 minutos de oitavas de final.

dsaasdComemoração dos jogadores do Cruzeiro ao “estilo Islândia” com a torcida após a classificação. (Foto: Divulgação/Cruzeiro)

@magalhaesDavi_

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