Um trabalho que ganha força x A estreia de Alberto Valentim – ANÁLISE TÁTICA DE ATLÉTICO-PR 1 X 0 VASCO

Por André Frehse Ribas e Ricardo Leite

Vasco e Atlético Paranaense se enfrentaram nesta quarta-feira pelo Brasileirão, em Curitiba. Era o duelo de um Atlético sete partidas invictas (cinco pelo brasileiro), e em franca evolução, seja no desempenho ou nos resultados. Do outro lado tinha o Vasco, comandado há três partidas pelo interino Valdir Bigode (dois empates e uma vitória), mas que teria no banco de reservas seu novo comandante, Alberto Valentim.

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O Atlético teve que propor o jogo contra o Vasco. Em seu 4-2-3-1 e com Bruno Nazário na vaga de Nikão, o Furacão teve a bola na maior parte do tempo, enquanto Vasco jogou com suas linhas baixas e de forma reativa. Dessa forma, o rubro-negro procurou trabalhar a bola com calma e forçando o jogo pelos lados, mas parou na boa marcação do time carioca, que buscava ter superioridade numérica pelos lados, dificultando a vida do rubro-negro, que não encontrava espaços para progredir. 

Wellington e Lucho iniciavam as jogadas, buscando passes que pudessem romper as primeiras linhas de marcação do Vasco. Pablo voltava muito para fazer o pivô e também para tentar gerar espaço para infiltração. Mas o sistema defensivo Vascaíno funcionou bem na primeira etapa e o Atlético praticamente só levou perigo nas bolas paradas.

Por isso, era importante que o Atlético girasse a bola com velocidade para tentar pegar o Vasco em igualdade numérica e, no 1×1, ganhar  duelos para furar a marcação Vascaína. Mas isso não aconteceu no primeiro tempo. O Atlético errou muitos passes (cometeu muitos erros técnicos), não ganhou esses duelos, mas foi bem defensivamente. No 4-4-2, rubro-negro fechou bem os espaços e sofreu pouco.

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As melhores chances do Vasco foram em erros do goleiro Santos, que se mostrou inseguro na partida. 

Com o Vasco fechado, era importante que, na hora que o time visitante armasse o contra-ataque e perdesse a bola, o Atlético acelerasse o jogo para aproveitar os espaços, mas não foi isso que aconteceu. Time errou muitos passes nessa saída em velocidade e não conseguiu se aproveitar. Faltou intensidade e velocidade para furar a marcação do tive visitante.

De positivo na primeira etapa, vale destacar a pressão pós-perda da bola do time rubro-negro, que resultou em sua melhor chance no primeiro tempo. Pressão dificultou e muito a saída de bola do time visitante.

Atlético pressiona, rouba a bola e cria superioridade numérica:

A equipe vascaína vinha demonstrando nessa curta “era Bigode” uma evolução no sistema defensivo, mesmo com inúmeros desfalques. Alberto praticamente não teve tempo de conhecer o elenco e mandou a campo um time com a cara do interino. Três volantes, e se defendendo no 4-1-4-1. Mas como de praxe, o cruzmaltino foi obrigado a poupar mais um atleta com medo de perdê-lo por lesão. Wagner então, não ficou nem no banco. Mas a surpresa ficou por conta do escolhido para ser seu substituto. Galhardo, alternativa natural, continuou no banco e viu Vinicius Araújo ganhar a vaga do meia.

Com isso, o Vasco foi a campo sem um meia central e criativo, apostando mais na velocidade e jogadas pelos flancos.

Defensivamente, a equipe da Colina fez outra atuação muito segura e com excelente ocupação dos espaços, inclusive buscando impedir a todo momento que o adversário criasse superioridade numérica, principalmente pelas laterais. Com três volantes e dois pontas bem abertos, o Vasco conseguia efetuar bem o balanço e posicionar pelo menos uma trinca de jogadores para proteger os flancos. Na direita, fazia isso com Lennon, Andrey e Pikachu. Na esquerda, com Henrique, Raul e Vinicius.

Vasco 1
Balanço lado esquerdo Henrique, Raul e Vinicius impedem superioridade.
vasco 4
Balanço lado direito (mesma ideia do lado oposto).

Desábato atuava fazendo o elo entre a primeira e a segunda linha de quatro, cuidando da ocupação do adversário na entrelinha de marcação vascaína.

Vasco 3

Ofensivamente, o Vasco conseguiu ter mais volume do que contra o Galo, no Independência por exemplo. Desta vez, atacou prioritariamente pelas laterais e sem poder contar com um meia, adiantava Andrey para dialogar com os homens de frente. O volante aliás, foi o melhor do Vasco em campo, fazendo uma partida intensa tanto com, quanto sem a bola. Marcou, se projetou, foi dinâmico e objetivo. Mas mesmo assim sentiu falta de companhia para pensar o jogo, o Vasco preenchia mal a faixa central do campo ofensivo e também diminui sua profundidade e referência pela ausência de Maxi Lopez.

VASCO 2
Falta de ocupação faixa centeal e falta de profundidade/referência.

Na segunda etapa, Atlético efetuou uma boa pressão nos minutos iniciais. Time voltou com mais intensidade e velocidade para surpreender o Vasco, que sofreu, mas respondeu em seguida.  

Aos 19 minutos, o Furacão bateu uma falta com muita inteligência e aproveitou uma desatenção (rara nas últimas partidas) entre Bruno Silva e Henrique, para abrir o placar com Raphael Veiga de cabeça após rápida infiltração.

Repare, no lance do gol, o posicionamento do Atlético: saída de três, amplitude e na  entrelinhas. Veiga foi muito bem na jogada:

Análise de vídeo:

Com o placar favorável, o Atlético jogava mais tranquilo e girava bem a bola. O cruzmaltino até criou mais algumas chances, mas esbarrava na boa marcação do Furacão e principalmente na falta de pontaria de seus jogadores.

O Atlético segue em uma sequência incrível. Apesar de não ter feito um grande jogo tecnicamente, o time foi seguro defensivamente, mostrou uma melhora na segunda etapa e conseguiu mais um resultado positivo. Vem evoluindo como equipe e amadurecendo o trabalho de Tiago Nunes. 

O próximo jogo do Vasco é sábado, contra o Santos, no Maracanã. A conferir como será a escalação, o modelo de jogo e principalmente o desempenho, mas parece que o Vasco vai criando uma “cara”, uma identidade e o mais importante, competitividade. É apenas o inicio, não podemos nem chamar de promissor, mas é possível ver que algo está sendo planejado e colocado em prática. E isso apesar de básico, já representa uma evolução.

@Andre_Frehse  @analisevasco 

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