Andiamo, Maurizio! – Análise sobre o início de temporada do Chelsea

Por João Victor

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E Maurizio Sarri se apresentou na Premier League. Depois de 3 rodadas, o italiano, desponta como um dos destaques do campeonato, juntamente com seus comandados, e demonstra um apetite voraz por títulos e obstinação para chegar ao topo no mundo do futebol. Após esses 3 jogos já conseguimos perceber as idéias motrizes que irão caracterizar os Blues durante a temporada. Ideias que convergem para um ponto em comum de vários treinadores adeptos do jogo de posição. Ter a bola e o passe (num momento anterior, já foi falado sobre esse modelo de jogo posicional utilizado por Sarri).

Como era de se esperar, o Chelsea já deu as cartas de como vai atuar sob o comando de Maurizio. Esse texto será uma tentativa de explicar alguns aspectos desse time e também detalhar as características de dois jogadores-chave no conceito de jogo posicional no Chelsea de Sarri. Andiamo!

Martí Perarnau – “O que você mais trabalha é a organização defensiva”

Guardiola – “Se eu quero atacar muito, isso é fundamental. O alicerce do meu jogo é a forma de defender”

Trecho de Guardiola Confidencial

Partindo deste princípio proposto por Guardiola, analisaremos primeiro o estado da defesa do Chelsea e sua saída de bola, algo fundamental para a execução correta do jogo posicional. O miolo de zaga está sendo formado pela boa dupla composta por Antonio Rüdiger e David Luiz. Ambos zagueiros muito velozes nas vigilâncias aos espaços nas alas e nas suas respectivas zonas de cobertura. Pecam, por vezes, nas comunicações com os laterais, ao saírem de sua posição para marcar o atacante e o respectivo lateral não cobrir o espaço deixado. Desse modo, muitas vezes, Jorginho tem que voltar da linha de meio campo para fechar o espaço defensivo, gerando assim alguns espaços nesta etapa.

Agora já passamos para a construção ofensiva, mais especificamente a saída de bola. No outro texto, já supracitado no link acima, detalhamos a função que Jorginho desempenharia no Chelsea, seguindo o mesmo modelo de jogo do Napoli de Sarri. E a concepção vem se afirmando a cada vez que os Blues entram em campo. Jorginho é o típico ritmista. O jogador responsável por aproximar e criar linhas de passe, acrescentar fluidez ao jogo e funcionar como ponto de equilíbrio do time. Jorginho é o maestro que rege a orquestra de Stamford Bridge. Adiante falaremos um pouco mais do ítalo-brasileiro no esquema da equipe de Londres. Antes de concluir a questão da saída de bola, é interessante ressaltar a função dos zagueiros, principalmente de David Luiz, por já ter atuado como volante em inúmeras ocasiões. O zagueiro brasileiro é estimulado a dar passes de ruptura de modo que ultrapasse a primeira linha de marcação dos adversários. E vem em uma recuperação de desempenho tremenda nas mãos do italiano. Torcedor brasileiro que não se assuste se, inclusive, aparecer futuramente nas convocações de Tite.

Agora passamos ao coração da equipe e seus agregados: seu meio-campo e atacantes. Aqui está havendo um processo brutal de mutação de um atleta já experiente: N’Golo Kanté. O camisa 7 do Chelsea está se metamorfoseando em um meio-campista conhecido por Box-to-Box (área-a-área, ou seja, aquele meia que tem intensidade para participar de todas etapas da partida). Antes Kanté era conhecido pela sua incrível capacidade de ler as jogadas e intuir aonde dar os botes para recuperar a posse, agora ele tem muita liberdade no terço final para criar e associar com os atacantes. N’Golo é o outro jogador, além de Jorginho, que merece destaque mais adiante.

Também há, no setor de meio, futebolistas como Mateo Kovačić e Ross Barkley. Atletas capazes de potencializar imensamente a circulação em velocidade da bola na transição ofensiva, principalmente no que se refere à base das jogadas e a busca de passes de ruptura para os pontas ou laterais em ultrapassagem. Pontas como William, Hazard e Pedro, que possuem uma qualidade individual monstruosa e incrível capacidade de acrescentar desequilíbrios no terço final.

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Algo interessante a se prestar atenção nestas linhas é os pontas serem, na verdade, falsos-pontas. Ou seja, ao invés de ficarem abertos, em amplitude, esperando receber a bola e partir para o 1 vs 1, eles vem por dentro, na região da entrelinha (região entre meio e defesa), e participam das construções ofensivas. Criando associações com Morata ou com os meias. Mas nada pragmático ou fixo, outra característica dos times de Sarri, e posicionais no geral, pois os pontas podem abrir nas laterais, deste modo quem cai por dentro para oferecer superioridade numérica são os laterais, que promovem as ultrapassagens e atravessam as linhas adversárias. Fato que ocorre muito mais pelo lado de Marcos Alonso, pois tem muito mais aptidão ofensiva do que Azpilicueta do lado direito.

Agora, finalizando, vou centrar a análise nos dois jogadores que foram citados como motores e pilares do esquema proposto pelo italiano.

N’Golo Kanté

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O francês está conhecendo uma nova faceta de seus talentos futebolísticos. Atuando um pouco mais avançado, acaba errando em algumas tomadas de decisão, principalmente no terço final, mas nada que uma boa explicação do professore Maurizio não resolva. Já as aptidões defensivas de Kanté dispensam apresentações. Sempre com disposição para correr os 90 minutos, se for preciso, e uma inteligência para vigilâncias e coberturas que se esconde no sorriso tímido do meia. Kanté, aprimorando seus aspectos ofensivos, mantendo a ótima consistência defensiva e tendo como mestre um nome do calibre de Sarri, tem tudo para continuar figurando entre os melhores jogadores do planeta.

Jorginho

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O centro do time. Foi assim no Napoli e está sendo no Chelsea. O volante, agora naturalizado italiano, tem um talento singular para domar o tempo e o espaço no jogo. Não só pelos atributos técnicos e pela lucidez tática, mas Jorginho apresenta algo a mais. É diferenciado. É o líder nas ações do time. Algo atitudinal, sem dúvida. É comum ver o volante orientar os companheiros para dar passes mais qualificados com gestos ou gritos. Promove um impacto tremendo no âmbito técnico-tático e mental também. Realmente, Pep Guardiola tem muito a lamentar com a sua não contratação (durante a janela de transferências o técnico do Manchester City tentou levá-lo, mas o efeito Sarri o convenceu a fechar com o Chelsea). Afinal, Jorginho é o que todo técnico propositivo e posicional gostaria de ter em sua equipa.

@jvcardoso05

Imagens: Getty Images

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