Empate com sabor de derrota – ANÁLISE TÁTICA PARANÁ 1 x 1 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

São Paulo e Paraná se encontraram na noite dessa quarta-feira (22). O líder veio a campo com seu time considerado titular e a estratégia de buscar um gol cedo para condicionar o jogo. Já o Paraná pretendia se defender em um primeiro momento, para atacar com velocidade nos lados do campo depois.

Aos oito minutos as redes já balançaram, Nenê aproveitou o erro do zagueiro Cléber, recebeu o passe de Diego Souza e marcou. A primeira parte da estratégia tricolor estava executada, o próximo passo era se defender sem ceder espaços e acelerar o jogo quando retomar a bola. No entanto, o time paulista não teve muito sucesso.

Depois do gol, o jogo foi bem equilibrado e travado no meio campo. O Paraná buscava explorar os lados com Silvinho e Biteco, já que o adversário cedia espaços nesses setores. O São Paulo por sua vez tinha uma dificuldade imensa em acelerar o jogo. O tricolor paranaense atrasa a criação, isso obrigava o time de Diego Aguirre a estruturar seu ataque desde a defesa e sem espaços para imprimir velocidade.

O São Paulo falhava em criar de trás, muito em função do posicionamento do time como um todo. Os jogadores se lançavam ao ataque e preenchiam todo o campo do adversário, facilitando a marcação paranista.

depSão Paulo ocupa o campo de ataque, não consegue acelerar. O Paraná encaixa a marcação e obriga Hudson a voltar a bola. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O Paraná chegou ao gol de empate justamente pelo lado do campo. A bola desviou em Hudson e sobrou nos pés de Junior que entrou na área e marcou. É claro que a conclusão do lance teve uma influência do acaso, mas as estruturas e estratégias dos times permitiram que estes fossem beneficiados/punidos pelo acaso. Esse é um aspecto muito interessante do futebol – quem sabe tema de um futuro texto.

Aguirre reconheceu os problemas de sua equipe e trocou Hudson por Liziero afim de ter mais qualidade no passe vindo de trás. E para ajudar a criação, ordenou que a saída de bola envolvesse mais jogadores e acontecesse no campo de defesa, a chamada saída sustentada. Esse comportamento gerava espaços no campo de ataque, que por sua vez permitiriam a aceleração do jogo.

depO São Paulo ensaiou uma saída sustentada no segundo tempo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Os ajustes de Aguirre foram coerentes no papel, mas não tiveram muito efeito prático. Isso porque os jogadores estavam desesperados pelo resultado e começaram a empilhar cruzamentos para área. A maioria desses cruzamentos sequer colocavam alguém em condição de finalização e quando chegavam próximos disso, os zagueiros paranaenses afastavam bem. O uruguaio não mexeu no time até os quarenta minutos, talvez porque quisesse que o time construísse o jogo de forma mais consciente. Mas naquele momento os jogadores só se importavam com o resultado, faltou tato por parte do treinador para entender isso e mexer na equipe.

Quando Trellez e Shayon entraram, a equipe conseguiu criar perigo com os cruzamentos. Quem sabe se tivessem entrado alguns minutos antes, o gol aconteceria.

É um empate com gosto de derrota. A primeira atuação péssima sobre o comando de Aguirre. Erros estratégicos e de execução. São coisas do futebol, todo time está suscetível a isso. Mas agora os rivais estão mais próximos e é preciso abrir o olho.

@Pedro17Galante

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