Ter a bola x Não ter a bola – ANÁLISE TÁTICA DE INTERNACIONAL 1 X 0 PARANÁ

Por Luiz Martins  e André Ribas 

O primeiro turno do Campeonato Brasileiro chegou ao fim. Na partida entre o Internacional e o Paraná, a torcida colorada compareceu em peso ao Beira-Rio, na expectativa de assumir a ponta do Brasileirão, mesmo que de forma temporária, por ter que aguardar o jogo do São Paulo. Já o Paraná tinha a estreia do técnico Claudinei Oliveira, que foi contratado para tirar o time dessa situação delicada que vive no Brasileirão.

Iniciando a partida apenas com o desfalque de 3 jogadores, dos considerados titulares (Cuesta, Zeca e Leandro Damião/Paolo Guerrero), o Inter teve novidades em sua escalação. Já o Tricolor Paranaense contou com algumas modificações na estreia do seu novo técnico.

times.jpg
Como ocorreu em todo o primeiro turno, o Internacional demonstrou sempre o mesmo padrão de jogo adotado, com alta concentração em defender sua área das investidas paranistas, pressionar sempre o jogador com a bola e quando retoma a posse, buscar ser agressivo em suas ações de ataque. Equipe levou bastante perigo ao gol do Paraná, tendo destaque na partida de Patrick, que organizava a equipe no momento ofensivo, junto a Nico López, buscava se movimentar as costas da linha defensiva de meio-campo e se infiltrar na área, conseguindo finalizar bastante a gol.

Mesmo com ótimo volume ofensivo, o Inter não conseguiu abrir o placar na primeira etapa. 

Do lado Paranista, Claudinei Oliveira mostrou a forma que o Paraná deve jogar daqui pra frente. Um time reativo, com suas linhas baixas e protegendo muito bem sua área, em um 4-4-2 sem a bola. O Tricolor forçou e fez com que o Inter abusasse dos cruzamentos, mas, na bola parada, não foi tão bem. Correu riscos e só não sofreu o gol porque Richard fez um grande primeiro tempo.

screenshot_2018_08_21_19_25_43
Paraná no 4-4-2. Caio mais participativo na marcação. Grampola mais solto fazendo o balanço ofensivo.  Carlos realizou perseguições e acompanhou o lateral Iago.  Silvinho fechou mais pro meio. 

Movimentação defensiva do Paraná:

O Fato foi que, até os 40 minutos, o Paraná Clube não conseguiu armar nenhum contra-ataque. Marcação-pressão do Inter dificultou a saída de bola do time, que não conseguia executar uma saída de bola com qualidade. Tricolor praticamente jogou sem a bola na primeira etapa, foram 20% contra 80% de posse de bola do Inter e apenas um chute a gol.  O mesmo problema se repetiu e o Tricolor pouco atacou o time da casa.

prc
Fonte: FootStats

O primeiro e único contra-ataque no primeiro tempo foi aos 41 minutos. Recuperação de bola pelo meio e passe para Silvinho, que ganhou seu duelo individual pelo lado esquerdo, mas foi parado com falta.  Jogada muito boa, mas única. Claudinei deve trabalhar mais essas jogadas, principalmente explorando os extremos. 

Já na segunda etapa, o Inter retornou em uma rotação mais baixa, cedeu maior campo ao Paraná como consequência e proporcionou algumas finalizações ao adversário, mas sem perigo algum. Silvinho e Carlos tinham muitas dificuldades de se impor contra a defesa colorada, não conseguindo receber lançamentos e passes longos de Caio Henrique, para levar o Paraná a frente. Quem recebia algumas bolas mais diretas era Rafael Grampola, mas todos estes jogadores sofriam ao se desvencilhar da ótima marcação dos zagueiros colorados (Moledo e Emerson Santos).

O Paraná saiu mais pro jogo na segunda etapa e procurou pressionar a a saída de bola do colorado. Adiantou um pouco suas linhas e ficou com mais jogadores no campo de ataque, conseguindo roubar algumas bolas próximo da área do Internacional. 

emer
Inter realizando sua habitual pressão na intermediária adversária, buscando roubar a bola e atacar.

O técnico Odair, sentindo que sua equipe perdeu intensidade de ações ofensivas, retirou o lateral Fabiano, que vinha  apenas desempenhando um papel mais defensivo, ao fechar os espaços de Silvinho pelo lado, puxou Edenílson para seu lugar e promoveu a entrada de Rossi. Com essa alteração, o Odair não alterou a marcação ao corredor direito, por Edenílson também estar sendo efetivo na marcação, mas com problemas em auxiliar o meio-campo no momento ofensivo, muito por não encontrar espaços para utilizar melhor seu jogo de transições e, com a entrada de Rossi, ganhou um jogador de maior intensidade pelo lado de campo, que também auxilia na recomposição defensiva.

O time passou a ser mais intenso pelos lados de campo, mas ainda não conseguia criar jogadas mais trabalhadas, algo que foi somente ter um maior ganho com a entrada de Camilo, no lugar de Jonatan Alvez.

inter

Marcação colorada sempre bem ajustada, sempre buscando marcação por encaixe de acordo com o jogador mais próximo.

Mesmo com o retorno de maior volume ofensivo, o time ainda tinha dificuldades de infiltrações na defesa adversária e quando conseguia a finalização, parava no goleiro Richard novamente. Mas então em uma falta cavada por Rossi, Camilo, que fora incumbido de organizar o time desde trás, mas teve pouco sucesso, realizou uma bela cobrança de falta e garantindo assim os 3 pontos em um jogo altamente tenso.

O destaque colorado fica por conta de Patrick. Habilidoso e sempre participativo em todas as fases do jogo, desde a saída de bola até aparecendo dentro da área para finalizar, é o jogador que dita o ritmo do time, sempre com muita intensidade no meio-campo, auxiliando na marcação pelo centro e também fechando seguidas vezes o corredor esquerdo.

colorado.png

O resultado foi de extrema importância para o Internacional, que briga pela liderança do Campeonato. No lado Paranista, o torcedor observou a forma que o time deve jogar sob o comando de Claudinei Oliveira. Ajustes no contra-ataque e na saída de bola precisam ser feitos. 

 

@ojunomartins  e @Andre_Frehse

Anúncios

Deixe uma resposta