Um novo Santos? ANÁLISE TÁTICA SANTOS 3 x 0 SPORT

Por Charlton Júnior

Santos e Sport se enfrentaram no último sábado (18) na Vila Belmiro, que voltou a ter um bom público, muito deve a empolgante vitória contra o Cruzeiro na quarta-feira passada, no Mineirão lotado. É sabido que após a demissão tão desejada do Jair Ventura, o experiente Cuca teve a incumbência de tirar o Alvinegro desta situação muito incômoda em que o time se encontra, missão nada fácil, e o Peixe mesmo com quase nada, ou nada de treino, já mostra indícios do que pensa o novo comandante.

– ESCALAÇÃO

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Buscando preservar alguns jogadores considerados titulares, entre eles Rodrygo, Bruno Henrique e Diego Pituca, Cuca promoveu a estreia dos 2 gringos que chegaram pós Copa do Mundo, o Derlis Gonzáles e o Bryan Ruiz, o uruguaio Carlos Sánchez já tinha estreado em outro momento, e o Santos foi esquematizado no seu tradicional 4-3-3, o costarriquenho Ruiz seria o responsável por dar dinâmica ao time e Gabriel o falso 9.

– CONTROLE DO JOGO

O Sport certamente foi para Santos com o intuito de jogar de forma mais reativa, abusando dos espaços que fossem dados pela equipe Alvinegra, porém, não imaginavam que sofreriam um gol aos dois minutos de jogo. Até marcar o gol, o Santos trocou passes por 1 minuto, foram 18 no total, apenas Vanderlei e Alison não tocaram na bola. Haviam inúmeros problemas no trabalho do Jair Ventura, um deles era a posse de bole “inofensiva”, onde o time apenas trocava passes sem nenhuma objetividade, com pouco tempo de trabalho, Cuca já conseguiu colocar um pouco de suas ideias, e com os jogadores que ele tem em mãos, ele aposta muito na mobilidade da “molecada” para imprimir um ritmo forte, muitas vezes dominador/controlador, e de certo modo embaraçoso para o adversário.

Eduardo Sasha pelo lado esquerdo e D. Gonzales/C. Sanchez pelo lado direito, apareceram sempre como boas opções para jogadas pelos flancos, sempre fazendo superioridade numérica, dando amplitude e espaçando as linhas do time pernambucano. Vimos alguma vezes os mesmos aparecendo na grande área como um “9” confundindo bastante a marcação (o primeiro gol Santista, Sasha foi esse “9”). Os números foram reflexos fiéis do que aconteceu em campo, a posse de bola do Santos foi maior (52% contra 48%), os passes completos também (462 contra 410) e as grandes chances criadas, teve o Peixe como personagem principal (6 contra 0).

depDerlis aparecendo como um “9” enquanto Gabriel que se movimentou bastante estava envolvido em um momento mais organizacional do time.

 

depPosicionamento médio dos jogadores do Santos 

– MOMENTO DEFENSIVO

Outra característica do novo técnico do Santos é o seu modelo de marcação, muito usado em seus trabalhos anteriores, a marcação individual, que já vem sendo adotada também no Santos, há quem considere esse modelo desgastante, pois obrigatoriamente os jogadores deixam de marcar por zona e passam a acompanhar os adversários individualmente, obviamente que, nenhuma marcação é 100% só individual, ou 100% só por zona. Visando essa pressão maior nos adversários, Cuca, usou o 4-1-4-1 buscando diminuir os espaços, recuperar a bola e dar menos opção de passe ao adversário, tudo isso de forma compacta, próximo a sua intermediária, privilegiando também a transição ofensiva fulminante que é uma marca do Santos. Com todos os jogadores participativos e se doando nessa ideia, o Sport pouco criou, e quase não assustou o Vanderlei.

depImagem mostra a marcação individual da equipe Santista.

– DESTAQUES

As atuações dos gringos na partida de sábado (apesar do adversário ter sido o frágil Sport) pode ser considerada animadoras, mesmo sem muito ritmo de jogo e sem entrosamento com os companheiros, o meio campista Carlos Sanchez e o extremo Derlis Gonzáles foram os nomes do jogo. O uruguaio muito seguro, praticamente dono do meio campo do Santos, forte na marcação e eficiente no apoio pelo lado direito aparecendo sempre como opção de passe e aparecendo na área para finalizar. Já o paraguaio foi fundamental, participando de dois, dos três gols da equipe, sempre muito incisivo pelo lado direito, explorando muitas vezes o 1×1, mostrando toda a sua velocidade e ajudando bastante no momento defensivo.

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– PASSANDO A RÉGUA

O que os torcedores Santistas assistiram na quarta-feira passada, e no último sábado, é sim para ficar com uma boa impressão do novo trabalho que está acontecendo (sem treino), a evolução ocorre a passos curtos e a sensação é que o time da Vila Belmiro pode brigar por algo maior a longo prazo. Esse elenco jamais foi terra arrasada.

@chaarltonjunior

#AprendemosJuntos

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