Dois times em dois tempos – ANÁLISE TÁTICA BOTAFOGO 0 x 3 ATLÉTICO-MG

Por Davi Magalhães e Guilherme Serafim

O Botafogo perdeu a primeira partida sob o comanda de Zé Ricardo nesse domingo, diante do Atlético Mineiro, em partida válida pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A. Com uma segunda etapa bem diferente da primeira, o Botafogo foi neutralizado pelo Atlético-MG e não conseguiu reagir.

DOIS TIMES EM DOIS TEMPOS

O Botafogo teve um primeiro tempo com uma postura bem definida: pressionar a saída de bola. E conseguiu levar perigo ao gol do Atlético quando colocou em prática o que tinha em mente, principalmente com Léo Valência. O chileno criou 2 chances importantes com passes, acertou 2 de 3 cruzamentos e teve 75% de aproveitamento nas finalizações, acertando no gol, 3 das 4 que tentou.

depNúmeros de Léo Valência na partida. (Dados via SofaScore)

Porém, o Atlético é um time que não rifa a bola quando é pressionando na sua saída de bola. A equipe comandada por Larghi procura sair com muita tranquilidade quando é pressionado, mantendo seu modelo de jogo. Muitos times costumam realizar triangulações pelos lados do campo no campo ofensivo. O Atlético de Larghi triangula pelos lados a partir de seu próprio campo. Mesmo sendo pressionando na sua saída de bola, o Atlético triangulava no setor da bola e procurava inverter o jogo.

Para isso, realiza uma saída sustentada. Colocando 8 jogadores, por vezes até nove jogadores em seu campo de defesa. Posicionamento para oferecer opções de passe ao portador da bola e após um passe vertical, o Atlético atacar os espaços na defesa adversária.

depNa imagem, Emerson, Galdezani e Chará triangulam pelo lado direito para sair dessa pressão que o Botafogo fazia na saída de bola. Só Nathan e Ricardo Oliveira ficam no campo de ataque esperando um passe vertical para atacar os espaços.

Dessa maneira, o Atlético conseguia sair dessa marcação mais alta do Botafogo e criar suas chances de gol. A partir dessa ideia entende-se o motivo de Cazares não jogar como “um ‘10” mais próximo de Ricardo Oliveira. Tem sido um padrão com Larghi, o time alvinegro procurar as triangulações pelos lados do campo. Dessa forma, o 4-3-3/4-1-4-1 utilizado pelo treinador facilita essas triangulações e exige dos meio-campistas que eles participem ativamente da construção do jogo. Recebendo a bola dos zagueiros para iniciar a construção, como fez Cazares na partida.

depNo mapa de passes do Cazares, percebe-se como o jogador participa muito da construção do jogo. O camisa 10 deu 68 passes na partida. Sendo 10 para jogadores no campo de defesa, 32 para jogadores no meio de campo e 23 com destino de terço final do campo.

Com os laterais muito agudos tanto na saída de bola, quanto na marcação, e buscando sempre ter a superioridade numérica na zona da bola, o Botafogo conseguiu jogar. Num esquema basicamente postado no 4-2-3-1, com os pontas muito avançados para marcar os laterais do Atlético-MG, o alvinegro carioca conseguiu roubadas de bola que resultaram em chances de perigo para a meta de Victor, graças a superioridade numérica na zona da bola, presente na maioria das vezes quando esses mesmos pontas atacavam os defensores.

Além dos laterais, o Botafogo levava muitos homens ao campo de ataque, deixando na maioria das vezes apenas os zagueiros – Joel Carli e Igor Rabello – e Rodrigo Lindoso atrás da linha da bola.

dep Laterais com amplitude durante grande parte do primeiro tempo. Subidas no ataque com bom número de jogadores junto/à frente da linha da bola (Foto: Reprodução)

Na primeira etapa, o Atlético teve 61% de posse de bola deu 228 passes certos e finalizou 12 vezes no gol. Metade dessas finalizações foram de dentro da área adversária. Dados que mostram como a equipe procura sair jogando desde a defesa e criar chances de gol através da passes curtos, circulando a bola como forma de furar a defesa adversária.

No segundo tempo, a equipe botafoguense se desorganizou de maneira extrema e começou a cometer grandes erros na marcação, e o gol foi o primeiro deles. No momento em que Galdezani recebe a bola na entrada da área, 4 jogadores – Gustavo Bochecha, Moisés, Igor Rabello e Joel Carli – saem ao mesmo tempo para tentar desarmar o meia, mas esse movimento acabou criando um espaço onde Luan se infiltrou e após receber o passe com liberdade, fez o gol.

Aos 14 minutos do 2°tempo, Luan entrou no lugar de Nathan. A entrada dele deslocou Chará pela esquerda, e deu muito certo. Através de triangulação pelo lado direito, o time mineiro abriu o placar após troca de passes como mais gosta Thiago Larghi. A jogada começa com Luan combinado com Emerson. O lateral direito fez bom jogo, começando a jogada próximo aos zagueiros e atacando o corredor quando a bola chegava na direita. Além de ganhar 8 de 14 duelos disputados, com a entrada do “menino maluquinho, o lado direito atleticano ficou muito forte com as combinações entre Emerson, Luan e Galdezani. Foi de Matheus Galdezani o passe que deixou Luan na cara do gol.

Galdezani fez ótima partida, ocupando bem os espaços no momento defensivo, cortando as linhas de passe do adversário e no momento ofensivo foi muito bem, dando 13 passes para jogadores no campo de ataque, aqueles passes que quebram as linhas de marcação, 3 passes foram decisivos, criando 2 chances de gol, uma delas convertida por Luan.

dep4 defensores saíram para tentar o desarme e criaram um espaço onde Luan se infiltrou para marcar o gol (FOTO: Reprodução)

A partir daí, o cenário só ficou pior para o alvinegro carioca. A equipe fez o que não podia fazer na busca pelo empate: se desesperou. Por isso, Larghi colocou Cazares ao lado de Ricardo Oliveira no momento defensivo, o Atlético baixou suas linhas de marcação. Mas, sem chamar o adversário para seu campo. Marcou com as linhas mais baixas, mas os defensores não sem deixar seus defensores posicionados próximo a sua própria área.

depApós o gol, marcado Atlético marcava no 4-4-2 com Cazares alinhado a Ricardo Oliveira e Lucas Candido entrando no lugar de Galdezani. Mas perceba que os defensores não estão próximos ao gol defendido por Victor.

No 2° tempo com 48% de posse de bola e 56 passes certos a menos que na primeira etapa, com a entrada de Lucas Candido e a mudança do posicionamento de Cazares, o Atlético foi mais reativo com a vantagem no placar. Sabendo que o Botafogo iria para cima. Diante disso, a estratégia era se defender com as linhas de marcação próximas, pressionando o portador da bola e aproveitar os contra-ataques. Apostando nos passes importantes de Cazares e na velocidade de Chará e Luan pelos lados.

depSegundo gol vem em contra-ataque puxado após cobrança de escanteio. Na imagem, o posicionamento no escanteio defensivo é parecido ao do escanteio defendido que originou o gol. A marcação por zona tão criticada ontem funcionou muito bem. Na imagem acima, 6 jogadores marcam por zona. (Fábio Santos, Luan e Oliveira na 1° trave). Candido e José Welison são bloqueadores e procuram bloquear subidas dos jogadores posicionados na grande área. Cazares fica no rebote e Chará mais a frente, pronto para puxar o contra golpe.

Depois de belo contra ataque puxado por Chará driblando e partindo em velocidade, Cazares marca o segundo gol atleticano. Os dois gringos fizeram grande jogo, principalmente o camisa 10 participando da construção do jogo, criando algumas boas chances de gol.

Ainda deu tempo para Tomas Andrade entrar no lugar de Cazares e marcar o terceiro gol. Fechando assim o primeiro turno atleticano no Brasileirão. Após grande resultado em partida que a equipe foi muito equilibrada, não cometendo erros defensivos, individual ou por falta de concentração. Anteriormente, esses gols comprometeram os resultados. Contra o Botafogo, conseguiu marcar bem, inclusive nas bolas paradas e ofensivamente fez novamente grande partida. Executando muito bem as ideias de seu treinador, realizando as triangulações pelos lados do campo, circulando bem a bola e criando as chances de gol através da troca de passes ou contra-ataques quando tinha a vantagem no placar e recuou suas linhas de marcação.

A equipe carioca foi para o “abafa”, se desorganizou – tivemos Léo Valência indo cobrir o buraco deixado por Luís Ricardo na lateral direita e Brenner voltando para fazer a transição de bola da defesa para o ataque como exemplos – e proporcionou ao Atlético chances de liquidar a partida; e foi isso que ocorreu. Mais dois gols sofridos em lances de desorganização e posicionamento incorreto da defesa.

A derrota de hoje acende uma luz no Botafogo: uma equipe não pode oscilar tanto dentro de uma partida, e tem de rever rapidamente os problemas que a levaram a essa queda de rendimento tão rápida, pois caso esses problemas não sejam solucionados, o panorama é de dias piores ainda para o alvinegro carioca.

Estatísticas: SofaScore e WhoScored

@magalhaesDavi_ e @GLSerafim

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