Do céu ofensivo ao inferno defensivo | Chelsea de Sarri vs Arsenal de Emery – ANÁLISE TÁTICA CHELSEA 3 x 2 ARSENAL

Por Hugo Alves

A expectativa dos apreciadores de futebol para o derby londrino entre Chelsea e Arsenal foi confirmada. Em jogaço disputado no Stamford Bridge, as equipes alternaram momentos de protagonismo e fizeram um jogo franco com oportunidades para os dois lados.

Nos primeiros minutos, uma aula de ofensividade aplicada pelo professor Sarri. Com domínio da bola, toques rápidos e precisos lançamentos de Jorginho e companhia, o Chelsea rapidamente abriu o marcador, explorando a instabilidade defensiva do adversário. Na ocasião, Pedro completou para as redes após receber assistência de Marcos Alonso. O destaque, no entanto, fica para a pré-assistência de Jorginho.

Nesse primeiro momento, também era possível observar um novo posicionamento de Kanté dentro do campo. Com Jorginho atuando de primeiro volante, o francês deu alguns passos para frente e passou a integrar a linha de meias ao lado de Barkley. Para o Chelsea, significa não só mais poder de pressão na saída de bola adversária, mas também momentos de penetração, como na situação abaixo, com Barkley.

depNa imagem, Barkley infiltra na zaga adversária. Destaque para a amplitude gerada por Willian e Azpilicueta. Jorginho, com qualidade de passe extrema, ganha, só nessa imagem, quatro boas opções.

Outro jogador que aproveitou para infiltrar na linha de defesa do Arsenal foi Morata. Após belíssima assistência de Azpilicueta, o – agora – camisa 29 dominou a bola no 1×1 e finalizou no contrapé de Cech para ampliar. O gol certo no momento certo, dando tranquilidade aos donos da casa, mas não muito tempo…

depDestaque, mais uma vez, para a amplitude gerada por Willian. Na imagem, Azpilicueta lança Morata em profundidade. Ótima movimentação do camisa 29 que terminou a jogada balançando as redes.

Após os gols, foi a vez do Arsenal se mostrar forte no ataque. Utilizando das jogadas laterais, chegou diversas vezes ao ataque se aproveitando de uma falha na marcação do Chelsea. Jorginho e Kanté – ainda deixando a desejar no quesito posicionamento defensivo – bateram cabeça em diversas oportunidades e deixaram a marca do pênalti livre para as finalizações adversárias. Aubameyang, Mkhitaryan e Iwobi perderam diversas oportunidades.

Entretanto, a sorte azul não durou muito tempo. Em outra ocasião de falha grotesca do posicionamento defensivo, Mkhitaryan recebeu sem marcação na entrada da área e bateu de primeira para o gol. Kepa Arrizabalaga ainda tocou nela, mas não teve força suficiente para impedir o tento do rival. Poucos minutos depois, ainda aproveitando a falha de posicionamento e o inferno defensivo vivido pelo time de Sarri, Iwobi – da marca do pênalti – chutou para empatar.

depTodos os jogadores do Chelsea observam Iwobi finalizar livre para empatar.

Após um início avassalador dos Blues, o final do primeiro tempo foi de domínio do Arsenal que teve mais de uma oportunidade de passar a frente do marcador. O apito final da primeira etapa soou como música aos ouvidos de Sarri que, mais do que nunca, precisaria se organizar no intervalo.

Para a segunda etapa, Emery – de cara – colocou Torreira em campo. A ideia era diminuir os espaços do Chelsea no meio-campo e ganhar qualidade na saída e na criação das jogadas. Já os donos da casa preferiram não mexer, mas retomaram a pressão exercida no campo de ataque. Com Pedro, Morata e Willian apertando todas as saídas do adversário e provocando o chutão.

Aos 15’, Sarri lançou sua arma secreta, ou melhor, suas armas secretas. Hazard entrou no lugar de Willian e Kovacic estreou na vaga de Ross Barkley. O belga, ainda debilitado pós Copa do Mundo, deu a qualidade que a equipe precisava para explorar as costas do sempre questionável Bellerín, enquanto Kovacic, também atuando pela faixa esquerda, auxiliava com as infiltrações e principalmente com a criação das oportunidades.

depExemplo de oportunidade criada nas costas de Bellerín.

Do lado do Arsenal foi a vez de Emery, vendo o Chelsea se consolidar no ataque sem dar espaços, sacar o apático Ozil para colocar Ramsey em campo. A alteração visava ter mais êxito na recuperação da segunda bola e também na pressão ao portador da bola, que no caso do Chelsea é quase sempre Jorginho.

Além de todos os supracitados, Giroud (Morata) e Lacazette (Iwobi) também estiveram em campo. Dos dois, apenas o francês do Chelsea teve destaque, forçando Cech a fazer verdadeiros milagres contra o seu ex-clube no campo onde se consagrou. O arqueiro, apesar disso, não conseguiu evitar o chute de Alonso, após belíssima jogada de Hazard pela esquerda (nas costas de Bellerín).

Depois do gol, o que se esperava era um movimento do Arsenal buscando o empate, mas o Chelsea seguiu sendo o time que mais buscava o jogo e teve mais oportunidades de ampliar a vantagem mas acabou parando em Cech. Ramsey, de fora da área, foi o mais perto que o time visitante passou de igualar o marcador.

No final das contas, tudo certo para os Blues, apesar do drama defensivo da primeira etapa. Ao Arsenal, fica mais uma vez uma incógnita. Apesar das diferenças entre os times, a falta de consciência do novo esquema os iguala e cá entre nós, não podemos culpar os jogadores por isso, não ainda. É muito cedo para cobrar perfeição no Chelsea de Sarri e no Arsenal de Emery, mas talvez seja tarde demais para cobrarmos reação de nomes como Ozil e Bellerín.

@hgdca

 

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2 comentários sobre “Do céu ofensivo ao inferno defensivo | Chelsea de Sarri vs Arsenal de Emery – ANÁLISE TÁTICA CHELSEA 3 x 2 ARSENAL

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