Por que o São Paulo sofre ao propor?

Por Pedro Galante

Diego Aguirre faz um excelente trabalho no tricolor paulista. Montou uma defesa sólida, criou na equipe o comportamento de pressionar e brigar pela bola com muita intensidade e foi aos poucos acertando os mecanismos ofensivos (https://mwfutebol.com.br/2018/07/13/a-evolucao-do-spfc-de-diego-aguirre) até chegar em um contra-ataque mortal.

Não que isso diminua em alguma instância os feitos do uruguaio, mas esse São Paulo possui uma grande dificuldade quando tem que tomar a iniciativa e propor o jogo. Até esse ponto da temporada, essa dificuldade ainda não foi algo que realmente atrapalhou a equipe, mas com a conquista da liderança, os adversários tendem a adotar uma estratégia mais cautelosa. E é por causa de cenários como o jogo contra o Colón, e boa parte do segundo tempo contra o Vasco, que a equipe precisa melhorar nesse quesito.

A dificuldade se dá em grande parte, pois as características e os mecanismos do time não se encaixam muito bem no estilo propositivo. O São Paulo é uma equipe de ataque ao espaço, os jogadores de meio buscam fazer passes nas costas dos adversários para que os jogadores de frente tenham campo para correr.

Esses espaços surgem com facilidade nos momentos de contra-ataque, mas no momento de ataque, com a defesa arrumada, tudo fica mais dificil. Em um cenário como esse, existem duas alternativas básicas: trocar passes ou se movimentar.

Por característica, o elenco do São Paulo não se sente confortável tendo de trocar passes para avançar no campo, logo a saída lógica é usar as movimentações.

O grande erro do tricolor paulista tem sido colocar muitos jogadores no campo de ataque. Pode parecer estranho, mas não é. Veja o exemplo, Rojas é melhor recebendo a bola a frente para correr, mas se ele já estiver ocupando o campo de ataque, em que espaço Militão vai lançar a bola para que ele corra?

spPerceba como quase não há espaço a ser atacado. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Mesmo que Militão conseguisse o lançamento e Rojas infiltrasse com sucesso, ao dominar a bola, o equatoriano estaria quase na linha de fundo, sem espaço para progredir.

E essa ocupação do campo de ataque não dificulta só o jogo pelos lados, mas também pelo meio. As linhas adversárias são empurradas para perto de sua área, a concentração de jogadores pelo setor é tão grande que ninguém consegue receber a bola em condições de girar e finalizar ou dar progressão a jogada.

spSão Paulo com dificuldades em criar contra o Colón. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

No exemplo acima, vemos o zagueiro Anderson Martins bem à frente do meio campo, e mesmo com tantos jogadores no ataque, só existem duas opções de passes claras e nenhuma delas elimina as linhas de marcação do Colón.

Com o meio campo inviabilizado, o São Paulo busca o jogo pelos lados e aposta em cruzamentos. O problema é que muitos deles não dão em absolutamente nada. Contra o Vasco foram 25 cruzamentos e apenas 10 certos, 40% de aproveitamento. Contra o Colón foram 34, só cinco cercos, ridículos 15% de aproveitamento. Os dados são do SofaScore e mostram como essa estratégia é ineficaz.

Mas então, como resolver esse impasse? Proponho aqui duas possíveis soluções. A primeira delas é fazer uma saída de bola no campo de defesa e com pelo menos seis jogadores. Assim, o adversário será tentado a adiantar suas linhas para pressionar, mas ao fazer isso deixará um grande vazio as costas, um passe longo para os pontas pode ser fatal. Se só a primeira linha avançar, o espaço vai sobrar no meio campo, e se a bola entrar, os meias vão encarar a defesa de frente e em superioridade.

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sp(Fotos: TacticalPad/ Pedro Galante)

A outra opção é adotar o que chamamos de ataque funcional. A grosso modo, é uma forma de atacar que permite mais mobilidade aos jogadores. A ideia é abrir espaço com o ponta do lado oposto da bola vindo para o meio e arrastando o lateral adversário nesse movimento.

sp(Foto: TacticalPad/ Pedro Galante)

Aguirre testou essa estratégia na Sulamericana, contra o Colón. Mas não deu certo, pois faltou intensidade nas movimentações, triangulações e ultrapassagens. A linha de cinco dos argentinos ocupando quase todo o campo verticalmente também dificultou.

De qualquer forma, Aguirre sabe dessa deficiência em sua equipe e deve buscar meios de resolver isso. Nos resta acompanhar os próximos capítulos para ver qual o plano do uruguaio.

@Pedro17Galante

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