Qual será a postura do Cruzeiro no Maracanã?

Por Davi Magalhães

cruFoto: Gazeta Press

Mano Menezes é um dos treinadores que está a mais tempo comandando uma equipe do futebol brasileiro. O título da Copa do Brasil conquistado em 2017, credenciou o Cruzeiro a disputar a Copa Libertadores da América em 2018. Competição pela qual o Cruzeiro entra em campo na próxima quarta-feira para disputar o jogo de ida das oitavas de final contra o Flamengo, equipe que o time cruzeirense derrotou na final da Copa do Brasil de 2017.

Mesmo com esse importante título conquistado, Mano Menezes chega nesse confronto sendo cobrado por muitos torcedores. Pelos jogadores que possui em seu plantel, boa partida da torcida cruzeirense queria ver a equipe praticar um jogo mais apoiado, mais ofensivo.

Não é minha tarefa criticar o modelo de jogo adotado por Mano. O próprio treinador mostrou que é possível jogar bem e vencer praticando um futebol mais reativo, trocando menos passe que o adversário, se defendendo bem e sendo direto quando tem a bola.

A vitória diante do Santos pela Copa do Brasil na Vila Belmiro, é um bom exemplo da estratégia que Mano Menezes adota em mata-mata. Principalmente nos jogos fora de casa, o Cruzeiro atua de forma mais reativa. Visto como um treinador que sabe montar bons sistemas defensivos, o Cruzeiro de Mano Menezes atuou privilegiando o sistema defensivo contra o Santos. Procurando se defender bem e acelerar após a retomada da bola. Essa estratégia pode ser adotada diante do Flamengo também.

cruCruzeiro atuou no 4-2-3-1 diante do Santos, esquema padrão da equipe.

Na entrevista que Mano concedeu em Maio de 2018 para o analista de desempenho Renato Rodrigues da Espn, o treinador fala sobre suas ideias de jogo e cobrança que sofre pela equipe do Cruzeiro ter mais dificuldade de propor e atacar bem:

http://www.espn.com.br/blogs/renatorodrigues/753424_entrevista-do-mes-mano-projeta-copa-do-mundo-diz-que-brasileiro-nunca-gostou-de-defender-e-fala-sobre-criticas-no-cruzeiro-acho-que-sao-justas-podemos-mais

PARTIDA CONTRA O SÃO PAULO PELA COPA DO BRASIL EM 2017

Na vitória sobre o Santos pela Copa do Brasil, o Cruzeiro atuou da mesma forma que atuou na vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo, na época comandado por Rogério Ceni. Definido por Mano como jogo “taticamente perfeito”, a vitória contra o São Paulo no Morumbi foi o exemplo de controle de jogo sem a bola. Na entrevista, Mano disse que essa atuação diante do São Paulo foi uma das melhores atuações do Cruzeiro sob o seu comando. Aquela partida era o jogo de ida do confronto eliminatório na Copa do Brasil, mesmo cenário da partida vencida contra o Santos na última quarta-feira. Naquela partida, o Cruzeiro adotou uma estratégia reativa e obteve sucesso na sua estratégia. Com 36% de posse de bola, o Cruzeiro negou espaço ao São Paulo, não permitindo que o adversário finalizasse no seu gol e acelerando após a retomada da bola aproveitando os espaços que o São Paulo deixava ao atacar. A equipe mineira finalizou 2 vezes no gol, mesmo número do adversário. Essas duas finalizações certas forma convertidas em gol, garantindo a vitória cruzeirense. Portanto, a equipe jogou muito bem aquela partida, executando de forma perfeita o que se propôs a fazer.

cruNa imagem, Cruzeiro se defende no 4-4-2 com duas linhas de marcação compactas, negando espaços ao adversário.

 CONTROLE DO JOGO SEM A BOLA

Mano definiu o conceito de controlar o jogo sem a bola na entrevista: “Ás vezes a pessoa acha que controlar o jogo é sempre estar com a bola. Não! Controlar o jogo é fazer com que o adversário faça aquilo que você quer que ele faça”

 A equipe não permitiu que o São Paulo trocasse passes em seu campo de ataque. Com as linhas de marcação compactas, o Cruzeiro negava espaços ao adversário, sobretudo por dentro. Fazendo com que o São Paulo procurasse iniciar a construção do jogo pelos lados do campo, visto que no meio não havia espaços para jogar.

Com isso, o Cruzeiro controlava o jogo sem a bola. Com dificuldade de criar espaços, o São Paulo tinha a posse em seu campo de defesa e diante dessa boa marcação adversária iniciava seus ataques pelos lados, como o Cruzeiro queria.

cruSem opções de passe pelo meio, o São Paulo era obrigado a iniciar seus ataques pelos lados.
cruQuando a bola chegava nos lados, jogadores próximos cortavam as linhas de passe para roubar a bola ou obrigar o adversário a voltar a bola para o zagueiro.

 

DESTAQUES INDIVIDUAIS

Contra o Santos, a estratégia foi a mesma adotada contra o São Paulo em 2017. Mas não teve tanto sucesso como naquela partida. Diante do Santos, o Cruzeiro precisou que Fábio fizesse defesas importantes e mais uma ótima atuação de Dedé.

cruDedé é um dos destaques do time. O zagueiro tem atuado em ótimo nível regularmente, sendo fundamental no sistema defensivo do time.

Giorgian De Arrascaeta é um dos principais jogadores do Cruzeiro na temporada. Atuando como meia aberto pela esquerda, o uruguaio tem muita mobilidade para flutuar pelo campo, criar linhas de passe, tabelar com os meias e criar chances de gol.

A contratação de Barcos foi muito importante. Após a lesão de Fred, o Cruzeiro perdeu um centroavante que dava profundidade ao time, prendia os zagueiros, fazia pivô, caia pelos lados do campo para tabelar com os companheiros e criava espaços para os jogadores do ataque ocupar. Características essas que o “pirata” possui.

POSTURA CONTRA O FLAMENGO NO MARACANÃ

Tomando como base a campanha na Copa do Brasil de 2017, inclusive o jogo de ida da final no Maracanã e a partida contra o Santos na Copa do Brasil desse ano, a expectativa é que o Cruzeiro jogue de forma parecida com que atuou nos confrontos fora de casa nas competições de mata-mata.

Tendo do outro lado um adversário que valoriza a manutenção da posse de bola, procura propor o jogo, colocar seus jogadores no campo de ataque e através de troca de passes curtos finalizar no gol adversário, é bem possível que a postura do Cruzeiro seja mais reativa, com as linhas de marcação compactas, com o objetivo de anular a criação ofensiva do Flamengo e aproveitar os espaços no contra-ataque. Para isso, o treinador pode colocar em campo o mesmo time contra o Santos com Thiago, Arrascaeta e Robinho atrás de Bracos. Com 3 meias técnicos, associativos  contra o Santos, o Cruzeiro não acelerava após a roubada de bola. Diante dessa estratégia, não é muito interessante ter os 3 em campo. Pois são jogadores associativos e nessa estratégia de Mano não serão tão efetivos. Se a estratégia for controlar o jogo sem a bola, talvez seja interessante contar com um velocista para acelerar após a roubada de bola, pois os meias não teriam tanto a bola para criar. Com um bom retrospecto em competições de mata-mata, veremos qual será a estratégia adotada por Mano e se essa terá sucesso.

@magalhaesDavi_

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