ANALISE TÁTICA DO SANTOS FUTEBOL CLUBE DE 1962-1963

Por Rudiero Cassol Fogaça

No dia 11 de dezembro de 2000 a FIFA divulgou a lista dos maiores times do século XX. O glorioso alvinegro praiano foi o time fora da Europa com a melhor colocação, alcançando a 5ª colocação. Colocação essa extremamente relevante, ficando à frente de times como o poderoso Ajax de Cruyff, Juventus a maior detentora de scudettos do futebol italiano, entre outros gigantes do futebol mundial.

Tudo isso graças ao esquadrão imortal nos  anos de 1960-1969 onde conquistou incríveis 23 títulos em uma década. Títulos estes onde os mais relevantes foram o bicampeonato da Copa dos Campeões da América (1962 e 1963) e o bicampeonato da Copa Intercontinental (1962 e 1963).

Esse time que impressionou o Brasil e o mundo tinha em seu elenco um jovem garoto chamado Edson Arantes do Nascimento, garoto este que viria a ser exaltado como rei do futebol. O melhor elenco desse esquadrão foi montado em 1962, onde o grande mestre técnico, Luís Alonso Perez, mais conhecido como Lula, conseguiu encaixar perfeitamente uma combinação de agressividade ofensiva com comprometimento defensivo.

Aqui trago uma breve análise do Santos Futebol Clube para o segundo jogo contra o Clube e Associazione Calcio Milan válido pela copa intercontinental. Jogo este que foi disputado no estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã na data de 14 de novembro de 1963 com um público de  132.728 pagantes (Total: 150.000) e Renda de Cr$ 98.065.000,00.

sanEscalação Tática do Santos FC pelo segundo jogo da final da Copa Intercontinental contra o AC Milan em 1963.

Note que Almir “Pernambuquinho” Foi o responsável por substituir Pelé no jogo da volta. Deu certo, o Santos FC saiu vencedor, conseguindo marcar 4 gols na etapa complementar após estar perdendo de 2 a 0 ainda no primeiro tempo. Os gols foram marcados por Mazzola aos 12’/1º e Mora aos 17’/1º (Milan), e, Pepe aos 5’/2º, Mengálvio aos 9’/2º, Limas aos 18’/2º e novamente Pepe aos 22’/2º (Santos).

sanPelé abraça Almir no vestiário após seu substituto ter feito uma bela partida

Apesar desse time citado acima pelo autor não ser o melhor Santos da história, cabe aqui colocar que o melhor foi o Santos de 1962, serviu de base para esse time campeão e serviu de base pois moldou essa filosofia ofensiva que está até hoje presente no DNA dos meninos formados na Vila.

Todo grande time do passado passou por uma transformação e teve seu DNA criado a muito tempo. DNA esse que é repassado por gerações ao longo do tempo e que definitivamente marcam a história do clube, o que possibilita de ser reconhecido mundo afora.

O MELHOR SANTOS FUTEBOL CLUBE DA HISTÓRIA:

sanSantos de 1962: Variava de 4-2-4 quando ao ataque à 4-3-3 quando pressionava a bola para recuperá-la.

Este timaço foi responsável pelo bicampeonato da Copa dos campeões da América (atualmente Copa Libertadores da América) onde até 1993 era o único brasileiro a possuir duas Copas Intercontinentais e Duas Copa dos Campeões da América quando o São Paulo de Telê Santana, igualmente ao Santos de 1962-1963 foi Bicampeão de ambas as competições em 1992-1993.

Vos trago a análise do jogo de desempate entre Santos Futebol Clube e Club Atlético Peñarol, válido pela final da Copa dos Campeões da América de 1962. O Jogo foi disputado em 30 de agosto de 1962 no estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires (Argentina), com um público de 60.000 (45.980 pagantes), renda de Cr$ 31.000.000,00.

sanCriação dos meio-campistas para posterior finalização de Pepe

 

Acima percebemos o posicionamento do meio campo do Santos e o recuo de Pepe para receber a bola entre os defensores uruguaios.

Pelé passa para Pepe entre o espaço deixado pela zaga adversaria, Pepe infiltra a área, finaliza ao gol a bola desvia no zagueiro uruguaio Omar Caetano enganando o goleiro Maidana e aos 11 minutos do primeiro tempo o Esquadrão santista abria o placar daquela final.

san.pngJogada responsável pelo 1º gol santista/FONTE: CINEMÁTICA URUGUAIA ARQUIVO

Apesar de o Santos ser mundialmente conhecido pelo seu desempenho ofensivo, abaixo pode-se notar o toque de midas de Lula na movimentação defensiva santista.

SANTOSLima, Mengálvio e Zito pressionam adversário em frente a área.

Note que o ponta Pepe recua do sistema ofensivo e pressiona a finalização do adversário, pressão essa que se mostrou efetiva pois a finalização foi mal sucedida.

Este conceito atual de os atacantes terem um papel mais tático ao longo da partida, onde os mesmos ajudam o setor de meio campo e defesa a marcar adversários, fazer cobertura para subida de lateral e volantes já se fazia presente naquele Santos FC de 1962.

Esse Santos FC de 1962, deixou seu nome marcado na história do futebol mundial, foi sem dúvidas, o maior responsável pelo futebol arte brasileiro admirado ao redor do globo. Cabe um breve adendo sobre alguns jogadores por muitas vezes pouco comentados pelos não torcedores fanáticos desse glorioso clube.

Apesar de uma defesa sem tanto brilho quanto o meio campo e o ataque santista, posso ressaltar que apesar de não possuir tanta qualidade técnica, o quarteto defensivo se postava de maneira sólida e sincronizada em campo, os dois zagueiros, Ramos e Calvet ficavam atrás para interceptar qualquer tentativa de passe profundo adversário e os laterais acompanhados por Zito e Mengálvio pressionavam forte o ataque do oponente a fim de diminuir espaços.

Mengálvio apesar de ser um meia ofensivo, se demonstrou um verdadeiro box-to-box, onde apoiava incansavelmente o ataque, municiando por vezes os pontas Dorval e Pepe quando o meio estava afogado ou municiava o jovem Pelé quando o passe infiltrado pelo meio da defesa se mostrava promissor.

Dorval, eu particularmente considero um dos expoentes técnicos desse esquadrão. Apesar de não ter tanto brilho quanto o Trio de ferro composto por Pelé, Coutinho e Pepe era extremamente agudo, com dribles rápidos, boa movimentação em campo o que o tornava opção de passe constante por parte da equipe.

Como diz o trecho da letra do hino oficial do clube:

“Sua bandeira no mastro é a história

De um passado e um presente só de glórias

Nascer, viver e no Santos morrer

É um orgulho que nem todos podem ter…”

Sem dúvidas o Santos Futebol Clube foi o maior time brasileiro do século XX, o formador de grandes craques do passado e do presente que alegrou não só a nação santista, mas também os apreciadores de um bom futebol, jogado com alegria, habilidade e objetividade.

sanFonte: Acervo pessoal

@CassolRudiero

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