O QUE A FÍSICA QUÂNTICA TEM A VER COM O FUTEBOL?

Por Gustavo Fogaça

A tomada de decisão no futebol é o cerne do jogo individual que se torna coletivo. Elas precisam ser realizadas cada vez mais rápido e de forma mais acertada possível, dentro do modelo de jogo treinado e proposto pelos treinadores.

E se eu contar que a tomada de decisão no futebol está ligada `a física quântica?

O GATO DE SCHRONDIGER

Disse uma vez Richard Feynman, um dos físicos quânticos mais relevantes do mundo: “Acomode-se e desfrute do que eu vou lhe contar, mas não pergunte de maneira alguma por quê isto é assim, porque daí você se perderá em uma rua da qual nenhum ser humano voltou são e salvo”.

Já o austríaco Erwin Schrondiger, Nobel de física, depois de longos debates com seu colega Albert Einstein, propôs um experimento mental para manifestar os paradoxos e as interrogações que a física quântica nos conduz. Tal experimento consistia em colocar um gato dentro de uma caixa junto com uma garrafa de gás venenoso e um dispositivo conformado por uma partícula com 50% de possibilidade de se desintegrar.

Dessa forma, se a partícula se desintegra, o gás é liberado e por consequência, o gato morre.

GUFFO 1

Ao terminar o tempo estabelecido, haveria 50% de possibilidade do gás ter sido liberado e o gato morrido, e a MESMA probabilidade de que o gás continuasse na garrafa e o gato sem necessidade de desperdiçar uma das suas vidas estepes. Importante é que o estado da partícula e do gato, incluídos em um sistema submetido `as leis da física quântica, não seriam alterados até que um AGENTE EXTERNO intervisse observando e decantasse o processo a partir de uma das suas opções frente ao experimento.

Em uma descrição normal do problema, o gato estaria vivo ou morto, por enquanto que para a física quântica, graças `as propriedades das partículas sub atômicas, o sistema estaria em uma sobreposição dos estados possíveis. Ou seja, tudo pode estar acontecendo ao mesmo tempo.

Graças a constante interatividade do observador com o entorno, que destrói a pureza do sistema, nosso mundo é o normal, fixo e onde os gatos estão vivos ou mortos (binário). Mas, mesmo assim, devemos esquecer as propriedades quânticas que formam parte de todo o sistema? É possível encontrar resposta a certas ações no futebol através desse campo tão complexo?

GUFFO 2 Felix Zucco / Agência RBS

TREINADORES E TREINAMENTOS

Em relação a treinamentos, todos escutamos dos treinadores expressões como “Devemos ensinar ao jogador como pensar em campo”, “os treinamentos devem estimular a percepção, decisão e execução”, “quanto mais difícil taticamente é uma tarefa, mais poderosa ela é pois demanda foco total do atleta”, etc.

Há uma enorme discussão entre metodologias de treinamento, e saltam críticas a treinadores que vivem no passado neste sentido. No futebol, há várias formas de vencer e todas elas são válidas. Mas não há dúvidas de que a ciência do esporte avançou imensamente, permitindo tentar ter o máximo de controle daquele 50% das ações de uma partida que são controláveis.

Os últimos avanços da neuro-ciência apontam que ANTES que tenhamos tomado uma decisão, nosso subconsciente já o havia feito pela gente, graças `a experiências emocionais anteriores, ações, imagens e pontos de referência. Antes de atuar já temos um plano traçado. Decidimos ANTES de perceber.

Por isso, os circuitos de treino percepção/decisão/execução parecem não ser tão adequados para que um atleta de futebol tome as decisões corretas em milésimos de segundos.

E o que isso tem a ver com o coitado do gato do sádico cientista austríaco?

Com a intensidade que se joga futebol hoje em dia, os atletas são levados a tomar decisões individuais e coletivas cada vez mais rápidas e com a menor taxa de erro possível.

Se fizermos um paralelo com o experimento de Schrondiger, o contexto quântico do momento estaria formado pela convivência simultânea de todas as respostas possíveis ao problema (gato vivo e morto ao mesmo tempo), de modo que qualquer interatividade de algum elemento do entorno (companheiro, bola, adversário, torcida, etc) geraria uma sobreposição dos padrões de atuação e isso levasse o sistema a um único caminho possível.

Nosso subconsciente, apoiado em nossas experiências anteriores (pontos de referência) e antes de perceber o problema, já tenha adotado várias soluções possíveis `a situação, de tal maneira que ao conviver todas estas de forma simultânea em nosso SUBCONSCIENTE QUÂNTICO, a nossa resposta CONSCIENTE condicionada pela presença do OBSERVADOR (qualquer mudança do entorno) será IMEDIATA.

Sendo assim, é possível estimular e otimizar este “subconsciente quântico” de alguma forma? Podem os treinadores ampliar o leque de respostas que o cérebro dos atletas propõe?

Entende-se que a vivência de situações REAIS de jogo, nas quais os atletas convivam com problemas similares aos encontrados no jogo, enriquece a bagagem EMOTIVO EXPERIMENTAL aumentando o número de pontos de referência que o inconsciente pesca quando se encontra em situações de pressão. Como uma caixa com gás e um gato.

Dar ao atleta durante os treinamentos o máximo de pontos de referência do modelo de jogo do time possível, para que ele tenha a maior quantidade de opções inconscientes que surjam como possibilidades na hora de tomar decisões. E estimular a que ele tome as decisões corretas.

Não se trata de adivinhar as intenções do observador, mas sim de manter o gato COM VIDA, independente de quem ele seja.

GUFFO 3Marcelo Oliveira / Agência RBS

@pitacodoguffo

Blog Esquemão: http://wp.clicrbs.com.br/esquemao

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