Mais 2 pontos que o Atlético-MG deixa escapar no Brasileirão: ANÁLISE TÁTICA BAHIA 2×2 ATLÉTICO-MG

Por Davi Magalhães

O Atlético volta para Belo Horizonte com um gosto amargo, sentido que deixou 2 pontos para trás em Salvador. Após Ricardo Oliveira marcar o segundo gol do time nos acréscimos do segundo tempo, o Bahia marcou seu gol de empate em um gol de  lançamento lateral para a área. Não é a primeira vez que isso acontece. Diante do Palmeiras, o Atlético sofreu o terceiro gol logo após marcar o gol de empate.

Após a derrota para o Palmeiras por 3 a 2, os jogadores atleticanos falavam da importância da equipe atuar melhor fora de casa. Para isso, era preciso que a equipe tivesse mais solidez defensiva, visto que a equipe sofreu 22 gols no Brasileirão. Dono do melhor ataque da competição, falta ao Atlético encontrar um equilíbrio entre a defesa e o ataque.

Pensando nisso, Larghi privilegiou o sistema defensivo da equipe, procurando não dar espaços ao adversário e ser mais sólido defensivamente, o Atlético adotou uma proposta reativa no jogo. Claro que o gol marcado logo no início condicionou a adotação da estratégia. Nos primeiros quinze minutos de jogo, o Atlético teve 64% de posse de bola, procurando sair jogando desde a defesa, com os laterias, meio-campistas participando da saída de bola. Por vezes, até o Luan recuava para ajudar na saída de bola. Um padrão do time de Larghi é a busca por triangulações nos lados do campo. A ideia é sempre oferecer ao portador da bola, 2 opções de passe, fazendo com que a equipe avance no campo com a bola e crie chances de gols.

Foi exatamente assim que o time marcou o primeiro gol, com muitos jogadores participando da saída de bola. Esse movimento atrai o adversário a adiantar a marcação para roubar a bola, gerando espaços no campo de ataque para o Atlético aproveitar. Após trocar passes no campo de defesa, o Atlético gera espaço na defesa do Bahia. No gol, Patric começa alinhado com os zagueiros na saída de bola, ataca o corredor direito, e cruza para a área. O gol é marcado por Galdezani que também participou da saída de bola e acaba pisando na área para marcar o gol após receber passe de Chará.

galoNa imagem: os laterais, os 3 meio-campistas e Luan(extremo-direito), se aproximam dos zagueiros para ajudar na saída de bola. Procurando triangular pelos lados e atrair o adversário a adiantar a marcação.

Depois de marcar o gol, a equipe mineira se postou no 4-1-4-1, entregou a bola ao Bahia, chegando aos 20% de posse de bola aos 20 minutos de jogo. Adotou uma estratégia de marcar com as linhas de marcação mais próximas do seu próprio gol, com o objetivo de negar espaços e acelerar após a retomada da bola.

Na tentativa de controlar o jogo sem a bola, o Atlético teve dificuldade diante de um Bahia que usava toda a largura do campo. Como nos tempos de América, a equipe de Enderson Moreira atacava muito pelos lados do campo. Gerando dificuldade ao time de Larghi, que permitiu que o Bahia cruzasse 40 vezes na área.

Percebendo essa facilidade que o Bahia tinha de abrir a defesa atleticana, girando o jogo e encontrando os laterias sempre muito abertos, os extremos Luan e Chará tinham a função defensiva de recompor até o final para não deixar os laterais do Bahia chegar até a linha de fundo, como vinha acontecendo.

galo2Na imagem: os meio-campistas (Elias e Galdezani) procuram cortar as linhas de passe do adversário. Luan e Chará tinham que recompor até o final. Bruno (lateral direito do Bahia) fez 3 cruzamentos certos.

Aos 18 minutos da segunda etapa, Larghi colocou Terans no lugar de Luan para encaixar contra-ataques. Luan tomava algumas decisões erradas, muitas vezes desperdiçando o contra-ataque atleticano. O Atlético encontrou dificuldade de encontrar Ricardo Oliveira que ficava não voltava para marcar, ficando a frente para aproveitar os espaços na defesa adversária.

O Bahia chegou ao empate logo após a entrada de Cazares na partida. A equipe baiana terminou o jogo com 22 finalizações, sendo 16 na área do Atlético. Estatística que mostra como a equipe não conseguiu controlar o jogo sem a bola. Uma equipe que controla o jogo sem a bola, nega espaços ao adversário, permitindo poucas finalizações no seu gol, o que não foi no caso do Atlético na partida.

Mesmo diante desse cenário, parecia que o time voltaria da Bahia com 3 pontos após Ricardo Oliveira marcar o gol depois de ótimo passe de Chará. O colombiano deu as 2 assistências no jogo, novamente fez boa partida. É possível afirmar que Chará tenha sido a grande contratação do Atlético. Ontem ele teve 100% de aproveitamento nos dribles.

galo3Mais uma boa atuação do colombiano, contra o Bahia atuou aberto pela esquerda.

Mesmo marcando o segundo gol nos acréscimos, o Atlético sofreu o gol de empate após cobrança de lateral. Mais um gol sofrido pelo Atlético logo após marcar o gol. Com o gol sofrido contra o Bahia, Atlético sofreu 9 gols após marcar o gol que impactaram diretamente no resultado. O ex-treinador da seleção mexicana, Osório sempre falava da importância de não levar gols nos minutos seguintes depois de marcar.

Os minutos dos gols sofridos chamam atenção, segundo o site Galo Estatísticas, contando com os gols sofridos contra o Bahia, dos 24 gols sofridos pelo Atlético na competição, 10 foram sofridos dos 30 minutos do 2° tempo até o apito final. Um dado que representa como a equipe sofre muitos gols nos minutos finais do jogo, gols esses que comprometem os resultados. Considerando os dois gols de ontem como gols que tiveram origem de bola parada, 7 desses 10 gols sofridos depois dos 30 minutos do 2°tempo no campeonato, foram gols sofridos com origem da bola parada.

Na quarta colocação do Brasileirão, o que tem frustrado a torcida atleticana é a quantidade de gols sofridos. Atualmente apenas o Vitória sofreu mais gols que o Atlético nesse Brasileirão. Uma equipe que está em quarto lugar no campeonato não pode sofrer tantos gols com desatenção e no final da partida, comprometendo o resultado.

Porém é algo que Larghi consegue arrumar, já mostrou ter muita capacidade para comandar a equipe, imprimindo um modelo de jogo com ideias, conceitos repertório tático. Claro que o treinador deve olhar com atenção esses números, mas é preciso dar continuidade para Thiago trabalhar. Vale ressaltar que a equipe sofreu muitas alterações, perdeu alguns titulares machucados, sendo necessário contextualizar isso na hora da crítica ao trabalho do técnico, que é muito bom, e tem tudo para evoluir.

@magalhaesDavi_

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s