Para comemorar, três pontos que colocam o tricolor na briga pela taça: ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 0x2 SÃO PAULO

Por Pedro Galante e Davi Magalhães

Depois de perder para Corinthians e Grêmio no meio da semana, Cruzeiro e São Paulo se enfrentaram pela 16º rodada.

O São Paulo não pôde contar com três importantes jogadores (Arboleda, Militão e Hudson) suspensos. Havia a expectativa de Aguirre iniciar o jogo com Bruno Peres, mas a entrada do lateral recém-chegado da Roma forçaria uma mudança em alguns mecanismos do time. Por isso, Aguirre preferiu o jovem Araruna, para que o time funcionasse da mesma forma.

Bruno Alves entrou no lugar de Arboleda e o garoto Luan no lugar de Hudson. Luan fez sua estréia como titular e foi muito bem. Ao lado de Liziero, cumpriu muito bem sua função, diminuiu o espaço – principalmente de Arrascaeta – pressionou o portador da bola e auxiliou a saída de bola.

1.pngLuan pressionando o portador da bola, enquanto Liziero faz a compensação. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O São Paulo defendia em bloco baixo e anulava muito bem o ataque cruzeirense. Como marcava com as linhas de marcação mais baixas, o São Paulo só começa a pressionar os jogadores cruzeirenses a partir da intermediaria defensiva, não se importando com a troca de passes dos defensores.

Por causa do rodízio de Mano Menezes, Mancuello entrou na posição de Thiago Neves, atuando como meia por dentro atrás do centroavante Barcos nesse 4-2-3-1 de Mano. Contra um adversário reativo, que fechou bem os espaços, era preciso que Mancuello se movimentasse para criar linhas de passe, ajudando na construção do jogo. Porém, ele não foi efetivo só conseguindo dar 13 passes certos no meio de campo e apenas 6 passes no último terço do campo. Números que mostram como o argentino ajudou pouco na construção do jogo, não se apresentando com opção de passe para receber a bola dos meio-campistas Henrique e Ariel Cabral.

Com pouca opção de passe, o Cruzeiro se via sempre em inferioridade numérica, sendo assim Ariel Cabral, Henrique e os laterais foram os jogadores que mais deram passes certos no jogo. Todavia, com não tinham opção de passe a frente, sempre tocavam de lado ou para trás, não superando as linhas de marcação adversárias.

Diante dessa boa marcação são-paulina que fechava muito bem o meio e negava espaços, o Cruzeiro era previsível. Com Rafinha anulado pela marcação, os meio-campistas se deslocavam em direção aos lados do campo.

7Mapa de calor acima é dos jogadores que mais trocaram passes na partida. Os laterias Egídio e Edilson, e os meio-campistas Ariel Cabral e Henrique deram muito passes, porém perceba como muitos foram passes destinados para zonas laterais do campo.

Essa falta de opção de passe ao portador da bola, resultava em uma posse de bola sem efetividade. Com isso, a bola não chegava ao campo de ataque com qualidade. Barcos só conseguiu dar 8 passes certos no último terço do campo, o centroavante não conseguia associar com os companheiros, fazer o pivô para quem vinha de trás. Como o Cruzeiro tinha dificuldade de progredir no campo com a bola, a bola não chegava para o centroavante finalizar no gol.

Percebendo como o Cruzeiro tinha dificuldade de transformar sua posse de bola em chance de gol, Arrascaeta se movimentou muito para sair dessa forte marcação do adversário, tentando ajudar na construção do jogo. Atuando flutuando pelo campo, saindo da esquerda em direção ao meio, foi através dele que o Cruzeiro criou suas poucas chances de gol.

6.pngArrascaeta talvez tenha sido o melhor em campo pelo lado do Cruzeiro, dos únicos 3 chutes que o Cruzeiro deu que foram no gol, Arrascaeta finalizou 2, tendo ainda finalizado 2 vezes para fora. Através do camisa 10 que o Cruzeiro criou suas melhores chances de gol na partida.

O time são-paulino esperava pela oportunidade certa para acelerar e marcar. Essa oportunidade surgiu aos 26 minutos de jogo. Depois de um cruzamento cruzeirense, Everton iniciou a jogada, acionou Rojas em profundidade que cruzou para Diego Souza que entrava nas costas da zaga.

2.pngRojas partindo em velocidade e Diego nas costas da zaga. (Instat/ Pedro Galante)

A marcação encaixou muito bem. Os pontas eram acompanhados pelos laterais, Barcos não conseguia o pivô pois a dupla de zaga não permitia e Arrascaeta tinha pouco espaço para criar qualquer coisa, muito em função da grande partida da dupla Liziero e Luan.

3A marcação tricolor encaixada e os volantes controlando o meio campo. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Já no segundo tempo, e atrás no placar, Mano promoveu duas substituições: David e Raniel, no lugar de Rafinha e Mancuello. Desde então, o Cruzeiro passou a povoar a área e buscar a jogada pelos flancos. A equipe mineira era muito previsível, diante da falta de aproximação dos jogadores e de repertório ofensivo, o Cruzeiro se limitava a cruzar a bola na área. Pela bola aérea, não conseguia gerar grandes perigos. Foram 27 cruzamentos no jogo, apenas 5 certos.  As jogadas mais perigosas surgiam de lançamento no espaço entre o lateral e o zagueiro.

4.pngCruzeiro preenche a área e busca o cruzamento. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

E foi num lance assim, que Arrascaeta foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti. Barcos podia empatar, mas acertou o travessão.

Nenê, para ser poupado fisicamente e Araruna, pois sentiu um desconforto deram lugar a Bruno Peres e Shaylon. O Cruzeiro seguia atacando, mas não conseguia criar jogadas de perigo.

O São Paulo chegou ao segundo gol em mais uma jogada de contra-ataque. Dessa vez, a transição defensiva cruzeirense não deu certo. O perde-pressiona que era executado bem pela equipe não funcionou. Rojas acelera, Shaylon e Everton atraem a atenção dos defensores e abrem o corredor para Reinaldo que cruza para Everton marcar.

5.pngReinaldo com o corredor livre no contra-ataque. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O time de Diego Aguirre conquistou três pontos importantes fora de casa. Conquistando 9 de 12 pontos possíveis em uma sequência duríssima, o São Paulo demonstrou que tem condições de brigar pelo título. O próximo compromisso é o Colón-ARG, pela Sul-americana.

Foto destaque: Globoesporte

@Pedro17Galante e @magalhaesDavi_

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