Campeão simbolíco do primeiro turno reencontra o caminho das vitórias: ANÁLISE TÁTICA JUVENTUDE 0x3 FORTALEZA

Por Gêra Lobo e Nícolas Wagner

Após quatro jogos sem vitória, sendo duas derrotas e dois empates, a melhor equipe do primeiro turno da Série B reencontrou o caminho das vitórias mais uma vez, e de grande forma. O Fortaleza foi até o Alfredo Jaconi e enfiou um 3 a 0 com autoridade para cima do Juventude. O mais importante de tudo é que o tricolor se comportou muito bem no campo adversário no seu 3-5-2, principalmente em um primeiro tempo quase que perfeito.

Defensivamente, o Leão tinha suas maiores dificuldades, surpreendentemente, nas bolas aéreas, pela excessiva jogada de primeira trave dos gaúchos, mas conseguiu sobreviver. Além disso, Leonan, que tem como seu principal problema a marcação, se saiu muito bem na função, mesmo atuando como um ala. O mais interessante é perceber que, defensivamente, o Fortaleza atuou meio que em um 5-3-2. Por que Leonan foi importante? As maiores das jogadas dos donos da casa eram pelo seu lado, mas ele soube se sair muito bem, fechando os espaços, seja por dentro, seja pelos flancos.

FORTAlA linha de 5 na área, seguido pela proteção na entrada por Felipe (6) e Nenê Bonilha (7), os dois volantes do time. Dedicação tática do time de Ceni (Foto: Reprodução)

O Tricolor não teve tantas dificuldades defensivas, mais na segunda etapa, já que sofreu uma pesada pressão dos donos da casa, algo natural, ainda mais com o placar nas suas mãos. Mesmo assim, o time nunca se afobou ou desistiu de sua ideia, muito pelo contrário, deu a bola para o Juventude jogar e aceitou a pressão, mas com um contra-ataque mortal guardado, principalmente visando a velocidade de Marcinho. O grande destaque da partida, inclusive, foi um dos três defensores da equipe. Adalberto, além de marcar o tento que abriu o caminho do triunfo, foi incrível fechando espaços, ganhando duelos e ajudando na saída de bola, um dos seus fortes, além de completamente dominar seu setor.

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Foto: Reprodução/SofaScore

Ofensivamente, o Fortaleza finalizou menos que os gaúchos (16 a 13), mas foi bem mais eficiente. Enquanto o adversário só acertou duas chutes na meta tricolor, ambos defendidos por Marcelo Boeck, o Leão acertou seus arremates na meta de Mateus Cavichioli, quase metade no aproveitamento. E essa eficiência fez valer na partida, como bem traduz o resultado.

O grande fator a se destacar foi a versatilidade que a dupla Marcinho-Ederson (estreante do dia) trouxe para o Fortaleza, ainda mais contra uma defesa “pesada” em Bonfim e Fred. Ambos se movimentaram bastante, com Ederson, em tese, o centroavante da equipe, caindo bastante pelo lado direito, abrindo um espaço no meio para avanços interiores de Marlon e Nenê Bonilha. Essa tal versatilidade pode ser vista até mesmo no gol tricolor, quando o camisa 9, após escanteio, abriu na direita, recebeu e cruzou na cabeça de Adalberto. Além disso, é destacável como o Fortaleza agride seus adversários mesmo após um escanteio desperdiçado. Repare a quantidade de jogadores dentro da área.

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Ederson cruza e Adalberto, completamente livre, aparece para cabecear e abrir o placar. Felipe Mattioni fica perdido na marcação, com Jussani e Adalberto para defender. Sem apoio e o Fortaleza matou (Foto: Reprodução)

Outra coisa importante a se destacar em relação a mobilidade que Ederson traz ao time é que Gustavo, o grande artilheiro da equipe, está voltando e é o dono da camisa 9. Com as saídas de caras como Osvaldo e Edinho, é bem possível que possamos ver um trio de ataque formado por Marcinho-Gustavo-Ederson, com Dodô, que ficou fora da partida por suspensão, atuando por dentro, como o armador. Com isso, Marlon deixaria o time, em tese.

Enfim, mesmo com sustos na segunda etapa, o Fortaleza sobe jogar com e sem a bola. Propôs quando teve que propor e foi reativo quando teve que reagir. O mais importante é que o time voltou a demonstrar um futebol de líder e, com a vitória, é o grande campeão símbolico do primeiro turno da Série B. O que anima ainda mais a torcida? Desde 2008, o único campeão do primeiro turno que não subiu foi exatamente o rival do Fortaleza, o Ceará, em 2014. As chances de acesso são bem grandes, mas a equipe não pode cair na acomodação e criar outra série irregular.  

Juventude – o preço da ineficiência e da falta de intensidade

Após duas vitórias consecutivas, o Juventude veio a campo mantendo o 4-3-2-1 dos últimos jogos, o qual vinha se destacando pela consistência defensiva da equipe a partir da marcação intensa no meio-campo. No entanto, muito disso passava pela presença de Jair, líder em desarmes de toda Série B, que acabou sendo preservado pelo desgaste de jogos e iniciou a partida contra o Fortaleza no banco de reservas. Com isso, a trinca de volantes foi formada por Diones centralizado, Tony pela direita e Bertotto na esquerda.

Essa inédita formação no meio-campo acabou sendo negativamente determinante no curso da partida. O lento Diones acabou sendo pouco protegido por Tony – que, além de pouco marcador, teve um desempenho técnico bastante abaixo – e Bertotto. Como agravante, o surpreendente sistema com 3 zagueiros do Fortaleza acabou gerando um certo desencaixe na marcação alviverde, assim como ocorreu nos jogos contra Avaí e Paysandu. No 4-3-2-1, os volantes fazem a abordagem pelos lados. Dessa forma, Tony e Bertotto costumavam perseguir os alas Tinga e Leonan, desocupando a faixa central e deixando Diones exposto. Descompacto, o Juventude deu generosos espaços na sua intermediária em alguns momentos, e a falta de intensidade ficou evidenciada no baixo número de desarmes certos do Ju na partida – foram 8, sendo 14,7 a média alviverde nesta Série B.

juveBertotto e Tony acompanhavam os alas do Fortaleza, deixando Diones exposto e cedendo generosos espaços na intermediária defensiva.

Mesmo com esse problema, o Juventude até fazia um bom jogo até sofrer o primeiro gol. Ofensivamente, Denner e Leandrinho foram bastante participativos, sendo abastecidos pelas ultrapassagens de Felipe Mattioni e Pará. Nos escanteios, o Juventude sobrecarregava a marcação mista do Fortaleza com vários homens na primeira trave, gerando bastante perigo ao gol de Marcelo Boeck. Mas faltou eficiência para aproveitar as 12 cobranças de canto na partida.

juve24 jogadores do Juventude na primeira trave, para onde a cobrança era dirigida.

A ineficência, aliás, cobrou um preço caro principalmente no segundo tempo. Já com o 2 a 0 contra, o Ju melhorou a partir das alterações de Julinho no intervalo, com as entradas de Jair e Guilherme Queiróz nos lugares de Pará e Tony. O sistema passou a ser um 4-4-2 meio assimétrico, com Bertotto na lateral esquerda, Denner e Leandro Lima fechando os lados e flutuando para o setor da bola e Queiróz pela esquerda ao lado de Elias (depois entrou Ricardo Jesus). Agressivo, o Juventude forçou o Fortaleza e baixar suas linhas e montar a última linha de 5 próximo à própria área. A forte presença no campo de ataque logo gerou boas oportunidades de marcar, mas a imprecisão no acabamento foi grande.

@NicoWagner e @gerinhalobo_

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