Altitude e atitude: O que faltou ao Vasco na derrota em Quito – ANÁLISE TÁTICA LDU 3×1 VASCO

Por Ricardo Leite

O Vasco se planejou para uma sequência pesada de jogos. E deveria ter feito isso mesmo. Além do calendário já ser bem intenso, ainda pesa o fato de que o Vasco vem sofrendo com o alto número de lesões e exaustão física nos jogos. Por tudo isso, resolveu poupar da viagem o zagueiro Breno, o volante Desábato e o meia/lateral Pikachu. Andrés Rios ainda seria poupado da equipe titular e ficaria disponível no banco de reservas.

Apesar do compreensível planejamento, Jorginho fez escolhas equivocadas na montagem do time. Escolheu Cosendey para substituir Desábato. Jogadores de estilos, características e experiências totalmente diferentes. Era previsível que o Vasco teria um meio campo menos combativo e problemas na cobertura do lado esquerdo. Essa previsão se concretizou e foi agravado pelas péssimas partidas individuais do Ricardo, Henrique e Cosendey. Coincidentemente ou não, todos atuam do lado esquerdo. Outro equívoco para jogar contra uma equipe forte e intensa na altitude foi a manutenção de Wagner e Giovanni Augusto na linha de três. Ambos (principalmente Giovanni Augusto) não conseguem ser intensos nos momentos de transição defensiva.

Como se não bastasse, Jorginho acreditou que Thiago Galhardo era a melhor opção para substituir Rios no ataque. Mas nessa posição ele não pôde colocar em prática suas melhores qualidades: conduzir a bola vindo de trás, bons passes e triangulações. A escolha me parece equivocada, pois mesmo tendo Paulo Vitor (se destacava na base nesta posição) e Evander que treinou durante a inter-temporada como alternativa para o ataque, ele preferiu apostar numa nova alternativa.

No início da partida, o Vasco parecia que manteria a posse de bola com inteligência, diminuiria o ritmo da LDU e sairia com inteligência. Inclusive ensaiou uma marcação um pouco diferente do habitual (mas que durou poucos minutos), com Kelvin se juntando a Galhardo e Giovanni Augusto para fazer o primeiro combate, numa espécie de 4-3-3. Mas bastou o primeiro contra ataque do adversário (gerado por um passe errado de Cosendey), para o time mandante abrir o placar. O Vasco então parece ter se desestabilizado e alterado sua postura em campo. Abdicou do ataque, da posse de bola e mesmo assim demonstrava fragilidade defensiva, transição e cobertura lentas e ineficientes e muita insegurança. Para completar, os erros individuais voltaram a ser um pesadelo.

vas

O lado esquerdo cruzmaltino foi simplesmente atropelado pela equipe equatoriana. Pablo Repetto (treinador da LDU), posicionou Anderson Julio bem aberto nas costas do Henrique. E o camisa 11 simplesmente infernizou a vida do lateral vascaíno. Deu quatro passes decisivos, criou três grandes oportunidades, deu uma assistência, além de vencer quatro dos seis duelos (dados: Sofascore).

vas1.jpg

O Vasco parecia estar com um jogador a menos em campo. Marcou em bloco extremamente baixo, e mesmo assim concedia muito espaço para o adversário, que não tinha nenhuma dificuldade em criar jogadas ofensivas, seja penetrando na área vascaína, seja chegando ao fundo para efetuar cruzamentos. A LDU ainda conseguia criar superioridade numérica pelos flancos a todo tempo, resultado da escalação de Cosendey e da partida pouco ativa de Wagner e Kelvin no apoio defensivo.

vas2Este frame escancara transição defensiva lenta e deficiente.. Ricardo é obrigado a dar bote na lateral esquerda e defesa fica desorganizada.

No início do segundo tempo, o Vasco esboçou uma melhora, que pôde ser vista principalmente pela entrada de Andrés Rios. Não que o argentino tenha feito uma grande partida, mas colocou as coisas em ordem, conseguiu segurar a bola, melhorar o combate nos zagueiros e fazendo o pivô. O time voltou a saber o que fazer quando tinha a bola. Mas essa pequena evolução durou poucos minutos, pois após diminuir o placar, o Vasco novamente mudou sua postura e mostrou que estava satisfeito com a derrota de apenas 2×1. A LDU então, se lançou ao ataque e pressionou. E quase ao fim do jogo foi premiada com mais um gol.

Agora o Vasco precisará de uma vitória de 2×0 para seguir na competição. Provavelmente com um time mais forte e sem enfrentar a altitude, mas é necessário rever atitudes, escolhas e principalmente posturas e estratégias traçadas durante as partidas. Agora será necessário muito apoio e competência para revertes este revés.

@ricardoleitevg

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