Muita emoção em jogo marcado por defesas inseguras: ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 3×2 ATLÉTICO-MG

Por: Davi Magalhães e Hugo Alves

Palmeiras e Atlético Mineiro se enfrentaram neste domingo (22) no Allianz Parque. A partida ficou marcada pela fragilidade defensiva das duas equipes e foi decidida no detalhe, terminando em 3-2 para os donos da casa.

O Palmeiras, mais uma vez, teve um bom início de partida, adiantando suas linhas e combatendo a saída de bola atleticana no campo de ataque. A pressão, exercida principalmente por Moisés, resultou em gol logo nos primeiros minutos e deu tranquilidade ao alviverde.

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O problema, no entanto, estava no setor defensivo. A marcação, frouxa, deixava os pontas atleticanos baterem de frente com os laterais palmeirenses quase sempre no um contra um. Felipe Melo, mais uma vez, não correspondeu e estava quase sempre correndo atrás da marcação ao invés de combatê-la de frente, fruto do posicionamento errado.

Outro que não esteve bem na partida foi o lateral-esquerdo Diogo Barbosa, que viu os dois gols do Atlético saírem na sua faixa de campo. Barbosa errou no combate que originou o primeiro gol e em várias outras oportunidades que não resultaram em gol, para sua sorte.

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Ofensivamente, o erro esteve na concretização das jogadas que na maioria das vezes começava pelas pontas e terminava indo para o meio na entrada da área, ficando preso dentre os jogadores de preto e branco. Bruno Henrique, apesar de pecar defensivamente, fez ótima partida no ataque, não apenas com os gols de bola parada, mas também chegando como opção para jogadas laterais.

Já no final da partida brilhou a estrela de Roger Machado que conseguiu o resultado esperado ao colocar Deyverson em campo. O atacante raspou de cabeça e viu Bruno Henrique completar para o fundo das redes, quebrando a sequência de empates do Palmeiras.

hugo3Mapa de calor das duas equipes mostra a presença do Galo nas pontas, explorando a falha na cobertura e os confrontos diretos com os laterais palmeirenses. (Foto: Whoscored)

Análise do Atlético Mineiro –

Diante do gol sofrido logo aos 3 minutos de jogo, a equipe comandada por Thiago Larghi teve que alterar a sua proposta de jogo. O Atlético veio para São Paulo escalado no 4-1-4-1, com Chará aberto pela esquerda e Luan aberto pela direita. Talvez se a equipe não tivesse sofrido o gol tão cedo, a estratégia seria mais cautelosa, entregando a bola para o Palmeiras, buscando se defender com as linhas de marcação próximas e saindo em velocidade com Yimmi Chará.

Conclui-se que com o gol sofrido logo no início a estratégia alvinegra teve que mudar. O jogo pedia uma marcação mais alta e com a desvantagem no placar não era tão interessante para o Atlético marcar mais próximo do seu gol. Por isso, a equipe atleticana adiantou suas linhas de marcação para incomodar a saída de bola palmeirense. O Atlético direcionava o Palmeiras a sair jogando pelos lados do campo para roubar a bola ali.

Ricardo Oliveira cercando os zagueiros palmeirenses e Luan pressionando Diogo Barbosa foram importantes nesse momento. De acordo com o SofaScore, Diogo ganhou apenas 2 de 6 duelos na partida, alguns desses duelos perdidos para o “menino maluquinho”.

daviPerceba como as linhas de passe para o meio estão todas cortadas, fazendo com que o zagueiro palmeirense toque para o lateral Diogo. Assim que o passe sai, Luan avança para pressionar Diogo Barbosa e recuperar a bola no campo de ataque.

Além de ser importante nesse momento que o Atlético direcionava o Palmeiras a iniciar seus ataques pelos lados do campo para roubar a bola no setor, Luan entendeu que sem Adílson e Blanco era preciso que ele recuasse, saísse da direita em direção ao meio para ajudar na construção de jogo.

davi1Luan recuando e vindo buscar a bola dos zagueiros para qualificar a saída de bola atleticana.

O camisa 27 melhorou muito a saída de bola da equipe. Saída que estava sendo anulada pelos lados do campo com a pressão exercida pelo rival. A partir desse momento o Atlético passou trabalhar melhor a posse, conseguiu chegar no campo de ataque através de passes curtos, trabalhando a bola, como prefere o treinador Thiago Larghi.

Quando a bola chegava no ataque, Luan flutuava pelo campo, deslocando-se  para criar superioridade numérica no setor da bola, fazendo com que a equipe progredisse no campo com a bola e finalizasse no gol adversário.

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Mapa de calor de Luan mostra como o camisa 27 flutuou pelo campo, saindo da direita em direção ao meio para ajudar na construção do jogo.

Essa atuação de Luan foi coroada com o gol de empate no início da segunda etapa. Gol que o Atlético trabalha bem a bola, começa o ataque pelo lado esquerdo, com o deslocamento de Luan, atrai a marcação palmeirense por aquele lado e finaliza a jogada pelo outro. Jogada termina com inversão de jogo para Patric que ataca o espaço deixado por Luan.

davi4Gol de empate do Atlético marcado por Luan. Vale destacar a movimentação de Ricardo Oliveira que atua como centroavante de mobilidade, caindo pelos lados e criando espaços para os companheiros ocupar. Como foi no lance do primeiro gol atleticano.

Após marcar o gol de empate, o Atlético baixou suas linhas de marcação e procurou se defender, não sofrer o gol logo na sequência, desperdiçando todo o trabalho para marcar o primeiro gol. Pensando nisso, Larghi tirou Luan que fez ótima partida para colocar David Terans.

Logo após a entrada de Lucas Candido, o Atlético sofreu o segundo através da bola parada. Novamente, a equipe mineira teve que correr atrás do resultado. Para isso, voltou a adiantar a marcação. Com a entrada de Terans, Chará foi para o lado direito, onde atuou Luan.

Justamente pelo lado direito que o Atlético conseguiu criar o seu segundo gol. Dessa vez não teve inversão para a direita, o time trabalhou bem a bola pelo setor, teve associação de Chará e Patric, pivô de Elias para Chará que atacou o espaço para marcar o gol.

davi5Segundo gol mostrou bem as características dos jogadores alvinegros, Oliveira dava profundidade ao time, Elias estava posicionado entre as linhas adversárias e Chará infiltrou muito bem no espaço vazio.

O Atlético terminou a partida com 14 finalizações no gol, sendo nove de dentro da área. Pela melhora do desempenho da equipe em relação ao jogo contra o Grêmio, talvez o Atlético merecesse um resultado melhor. Entretanto, no futebol muitas vezes não existe merecimento e mesmo com uma atuação boa, a equipe pode sair de campo derrotada. No seu 12° gol sofrido através de bola parada no Campeonato, o Atlético sofreu o terceiro gol na partida. Gol que sacramentou a derrota para o Palmeiras, em um domingo onde a equipe de Larghi demonstrou um bom desempenho em campo. Para conseguir os resultados pretendidos, a equipe alvinegra não pode tomar tantos gols de bola parada, precisa ser mais regular e apresentar mais equilíbrio entre a defesa e o ataque.

@magalhaesDavi_  e @hgdca

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