A vitória do líder: ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO 2×0 BOTAFOGO

Por Vinicius Melo e Luan Silveira

Após perder para o São Paulo por 1 a 0, em casa, pela 13ª rodada do campeonato brasileiro num duelo de “6 pontos” e perceber o adversário direto aproximar-se e assumir a vice-liderança do campeonato, o Flamengo enfrentou um Botafogo em reconstrução, a partir da chegada do novo técnico Marcos Paquetá, em confronto decisivo para a manutenção da liderança da competição.

No placar, 2 a 0 Flamengo, com os 2 gols assinalados já aos sete minutos do primeiro tempo. No campo, algumas mudanças fundamentais, de âmbito estrutural, que sedimentaram o caminho para a vitória e que parecem indicar uma volta dos olhos de Barbieri ao passado, em busca da retomada do equilíbrio que marcou a equipe na disputa das 12 primeiras rodadas, no período pretérito à Copa do Mundo.

Nesse sentido, no que concerne ao aspecto tático, Barbieri prioritariamente dedicou-se à correção de equívocos que se fizeram perceber no jogo anterior ante o São Paulo, e, com a oferta de peças antes indisponíveis, como Cuéllar e Matheus Sávio, arquitetou uma nova estrutura base para o time, reequilibrando em qualidade e quantidade os jogadores envolvidos, alguns mais outros menos, nas fases ofensiva e defensiva da equipe.

Basicamente, Barbieri recuou os dois laterais, posicionando-os na altura de Cuéllar em fase de construção ofensiva. Ou seja, quando o Flamengo atacava, os dois laterais juntavam-se ao Cuéllar numa linha à frente da dupla de zagueiros e atrás dos meio-campistas. Dessa forma, o time readiquiriu equilíbrio ao defender com 5 jogadores com características condizentes, enquanto atacava com outros 5. Um 2-3-5.

Além disso, foi interessante perceber as movimentações de Matheus Sávio, que teve liberdade posicional para alternar o lado durante a fase ofensiva, assim como É. Ribeiro no jogo passado: ora atacava escorado pela esquerda, com o pé natural, ora pela direita, de pé trocado.

Destacou-se, também, mais uma vez, em especial após o placar construído, a saída de bola da equipe. Estruturalmente, uma saída sustentada. Como assim? O time do Flamengo baixava 6 ou 7 jogadores posicionando-os no próprio campo e garantindo superioridade numérica dentro daquele espaço, para atrair o adversário e atacar nas “brechas” deixadas pelo oponente. Nesse sentido, Diego Alves foi muito importante significando mais um jogador ativo na saída e essencial para a circulação de bola próxima a nossa meta, bem como Cuéllar e Lucas Paquetá, que sustentaram o contato dos marcadores nas costas, e ditaram o ritmo dos passes que levavam a equipe ao campo de ataque.

FLAMENGOSaída de bola com 5 jogadores bem recuados e utilizando o goleiro para gerar superioridade (logo 6 jogadores, efetivamente, na saída de bola) contra os cinco botafoguenses que adiantam a marcação. Com a subida da marcação de forma descompactada, as linhas do Botafogo ficam muito distantes entre si e o Fla consegue trabalhar fácil a jogada que resultou no primeiro gol do jogo. Fonte: Premiere FC/Notável (@notavel)

Dessa forma, a partir do reposicionamento dos laterais em fase de construção ofensiva, e do controle a partir de uma saída sustentada por vários jogadores, o Flamengo conseguiu impor-se frente ao Botafogo e somar 3 pontos importantes para a permanência na primeira colocação.

Outras informações:

  • Esquema-tático inicial: 4-1-4-1
  • Esquema-tático defensivo inicial: 4-4-2
  • Esquema-tático em organização ofensiva em campo contrário: 2-3-(5)*

* 5 jogadores, entre meio-campistas, e atacantes, não necessariamente numa mesma altura.

  • Sistema de marcação: pressão pós-perda (counter-pressing), marcação alta com encaixes, marcação em bloco médio por zona pressionante, laterais alternando entre pressionar os atacantes adversários em meia-altura e sustentando a primeira linha de 4.
  • Sistema de ataque: funcional, a partir da consciência individual e interação dos jogadores. Presença de flutuações, deslocamentos dos meio-campistas entre base da circulação da bola e espaço entrelinhas adversários, pivô, desmarque de apoio, infiltrações, diagonais.
  • Saída de bola: sustentada por 6/7 jogadores + goleiro, em posicional, com escalonamentos.

@UrubuDigital@Analise_CRF

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Um comentário sobre “A vitória do líder: ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO 2×0 BOTAFOGO

  1. Muito boa a análise mas senti falta de citar como foi o desempenho aplicando essas táticas que o Barbieri usou no jogo. E adicionando a isso, achei que o flamengo deu “sorte” em fazer 2 gols tão cedo mas não achei que o time tenha jogado bem (com ressalva para alguns jogadores que cumpriram seu papel tático muito bem, como Rene e Matheus Savio). O que você acha?

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