Para toda ação, existe uma reação: ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 3×1 AMÉRICA-MG

Por Davi Magalhães

Depois da classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, o Cruzeiro entrou em campo para enfrentar o América pelo Campeonato Brasileiro. Diferente do adversário, para o América a partida marcava a volta aos gramados depois da parada da Copa do Mundo. Além disso, era a primeira partida sem Enderson Moreira no comando americano.

Com a ausência de Serginho, de início foi notável que o América vinha diferente nas mãos de Ricardo Drubscky, Wesley e Christian começaram jogando, configurando a mudança do esquema tático da equipe, de um 4-4-2 na época de Enderson para o 4-1-4-1.

AMEAmérica se defendendo no 4-1-4-1, com Leandro Donizete entre as linhas.

O que não mudou no América de Ricardo Drubzcky foi a organização defensiva. Afinal, o esquema é apenas o posicionamento da equipe em campo. Nesse 4-1-4-1, o América marcava como nos tempos de Enderson, com suas linhas de marcação compactas, começando a marcação a partir do meio-campo, negando espaços ao time cruzeirense.

Essa organização, compactação defensiva do América gerou dificuldade ao Cruzeiro. Era o time da casa que procurava propor o jogo, tomar a iniciativa, ainda que anulasse os contra-ataques rivais através do perde-pressiona, o Cruzeiro se via frustrado diante de uma boa marcação que protegia muito bem a entrada da área.

Não há uma maneira certa ou melhor se jogar futebol. Por isso, a estratégia do América é muito válida, coube a equipe cruzeirense encontrar maneiras de furar esse bloqueio, criar espaços na defesa adversária.

Mesmo com o gol sofrido após vacilo de Dedé na saída de bola, o Cruzeiro tinha efetividade com a posse, a equipe jogava com intensidade, os jogadores se movimentaram muito para dar opção de passe, tabelar. Dessa forma, a distribuição de bola do Cruzeiro foi mais eficiente, fazendo a defesa do América se desorganizar. Arrascaeta e Thiago Neves foram fundamentais na construção do jogo contra um adversário que compactava suas linhas de marcação e se defendia bem. Pep Guardiola, treinador do Manchester City, sempre fala que o jogador é mais importante sem a bola, é sem a bola nos pês que o jogador faz a diferença, através do seu posicionamento o jogador cria linhas de passe e espaços na defesa adversária. Justamente o que Arrascaeta e Thiago fizeram, tocavam a bola e já se movimentavam para receber em boas condições de criar uma chance de gol para o Cruzeiro. Mostrando que para furar defesas compactas, é fundamental que os jogadores se movimentem, se aproximem, se apresentem como opção de passe ao companheiro. Se o portador da bola não tiver apoio, não tiver para quem tocar a bola, acabará tocando a bola para trás e o time não progredirá com a bola em campo.

E foi através dessa movimentação que o Cruzeiro marcou o seu gol de empate.

cruPasse de Thiago Neves para Robinho que acaba no gol de empate marcado por Arrascaeta.
mapa de calorNo mapa de calor de Robinho, Arrascaeta e Thiago Neves perceba como os três jogadores se movimentaram pelo campo, se aproximando dos companheiros.

No mapa de calor de Thiago Neves, perceba como o jogador se movimentou muito, recuando para ajudar na construção do jogo, vindo buscar a bola no espaço a frente dos meios-campistas americanos. Thiago no jogo de ontem, percebeu que no futebol atual, aquele jogador que ficar esperando a bola no pé não encontrara espaços para jogar, ficando sumido da partida. Diante de boas defesas, de equipes organizadas, é preciso que o jogador seja intenso sem a bola nos pês, se movimente para receber a bola, criando espaços em defesas compactas.

cru2Thiago Neves recuando para receber a bola dos volantes no espaço a frente dos meio-campistas americanos, espaço chamado de base da jogada. Movimento para ajudar Cabral e Henrique na construção do jogo.

Atualmente, o futebol é jogado em espaço curto. O América procurou se compactar para tirar o espaço dos jogadores cruzeirenses. O Cruzeiro reagiu com a ótima movimentação de seus jogadores, principalmente Arrascaeta e Thiago Neves, que como já disse se movimentaram bastante, sendo fundamentais na construção ofensiva. As melhores oportunidades surgiam quando eles se aproximavam, as combinações entre Arrascaeta, Thiago Neves e Robinho tiveram muito sucesso para criar espaços na compactada defesa americana, criando oportunidades de gol para o Cruzeiro. Segundo o Footstas, Thiago deu 30 passes certos, 2 assistências para finalização. O meia foi importante na criação ofensiva, algo que se cobrava dele. Arrascaeta deu também 2 assistências para finalização e deu 36 passes certos.

Foi assim inclusive que o Cruzeiro virou a partida.

cru3Segundo gol do Cruzeiro teve ótima tabela entre Thiago Neves e Arrascaeta e acaba com a finalização de Robinho.

Ainda deu tempo para Raniel entrar no lugar do estreante Barcos e marcar o terceiro gol cruzeirense.

Depois do 3 a 1, o Cruzeiro não adiantava as linhas de marcação, deixando o América ter mais a bola. Aos 35 minutos do 2°tempo, a posse de bola do Cruzeiro chegou a 52%. Percentual que mostra a mudança da estratégia após marcar o terceiro gol. A equipe de Mano Menezes chegou a ter 80% de posse de bola aos 20 minutos do 1°tempo.

As mudanças do treinador americano não surtiram efeito, Ricardo tirou Donizete e colocou Ruy sabendo que o América tinha que propor o jogo e correr atrás do resultado. Ruy deu 8 passes certos e 1 assistência para finalização.

Durante toda a partida, foi Wesley que teve mais essa responsabilidade. Quando o América recuperava a bola no jogo, Wesley flutuava pelo campo  para ajudar a construção de jogo americano. Wesley atuou como extremo-armador (o meia que atua pelo lado do campo e se desloca para o meio para armar o jogo.)

wesley (2)

Mapa de calor e estatísticas mostram como na ausência de Serginho, Wesley fazia a função de Serginho.

Ainda que no momento defensivo, fazia a recomposição defensiva pela esquerda. No momento ofensivo, Wesley flutuava pelo campo, procurando se movimentar para dar opção de passe ao companheiro com a bola, tentando ajudar a criação ofensiva do América.

wesley2Na imagem, Wesley sai da esquerda e aparece na direita para dar opção de passe ao companheiro. Quando o América tinha a bola, o meia atuou flutuando pelo campo.

Com a entrada de Rafinha, o Cruzeiro recuou suas linhas de marcação, entregou a bola para o adversário e teve alguns bons contra-ataques, alguns bem puxados por Neves.

Mas o jogo acabou em 3 a 1 para a equipe comandada por Mano Menezes. A equipe jogou com intensidade, reagiu muito bem a estratégia do adversário, colocando a bola no chão, se movimentando, com os jogadores se aproximando para tabelar, criar espaços na defesa adversária, progredir no campo com a posse, finalizar as chances criadas e pressionar o adversário após a perda da bola.

Para o América, fica o alerta do resultado. Ainda que a equipe tenha atuado bem no início da partida.

@magalhaesDavi_

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s