Adaptado e competitivo, mas mais uma vez pouco produtivo – ANÁLISE TÁTICA BRASIL DE PELOTAS 1×1 JUVENTUDE

Por Nícolas Wagner

Após 18 dias sem jogos, o Juventude voltou a campo na última sexta-feira para o clássico gaúcho da Série B contra o Brasil de Pelotas. Tendo em vista a situação delicada das duas equipes na classificação, além do perfil pragmático dos treinadores Gilmar Dal Pozzo e Julinho Camargo, era esperado um confronto muito físico, picotado e de pouca qualidade técnica. E foi exatamente o que aconteceu nos 90 minutos no Bento Freitas. Com dois erros graves da arbitragem chefiada por Heber Roberto Lopes, o Brasil saiu na frente no 1º tempo com Luiz Eduardo (em posição irregular), e o Juventude logo empatou com Felipe Mattioni, selando o 1 a 1 que permaneceu no placar até o final.

Derrotado nas suas duas primeiras partidas no comando técnico do Brasil, Gilmar Dal Pozzo, que esteve à frente do Juventude na temporada passada, reforçou a característica física e direta de seu modelo de jogo com a escalação de dois centroavantes desde o início. Atrás de Luiz Eduardo e Michel, um meio-campo em losango com Leandro Leite na primeira função, Sousa e Valdemir como interiores e Pereira como meia de ligação. A resposta de Julinho veio na escalação de Neuton no lugar de Pará na lateral esquerda, de forma a reforçar o jogo aéreo, e a redefinição do posicionamento do meio-campo. Para “espelhar” o meio do Brasil, o 4-2-3-1 habitual deu lugar para um 4-3-2-1, com uma trinca de volantes formada por Diones, Jair e Tony. Mais à frente, Vidal e Leandrinho não atuaram abertos, deixando a abordagem na lateral adversária para Jair e Tony.

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Juventude postado num 4-3-2-1 para confrontar o losango do Brasil no meio. Com Leandrinho e Vidal por dentro, a abordagem aos laterais do xavante era feita por Jair, na direita, e Tony, na esquerda.

A estratégia funcionou nos quesitos de fortalecimento do meio-campo e do jogo aéreo – prova disso é que o Juventude acumulou 17 desarmes certos, contra 9 do Brasil*, e 32 duelos aéreos vencidos, contra 18 da equipe de Pelotas**. A única situação em que o Ju sofreu foi nos avanços de Éder Sciola pelo lado direito. Tudo que o Brasil construiu na primeira etapa começou por ali, motivado pela pouca capacidade defensiva de Tony e por um Neuton que, embora sobrecarregado pela presença de Luiz Eduardo no seu setor, em alguns momentos foi afoito na marcação. Curiosamente, com a entrada do bem mais ofensivo Pará, após Neuton sentir a panturrilha e ser substituído aos 31 minutos, o Brasil não conseguiu mais ser tão produtivo pelo lado direito como foi na primeira meia-hora de jogo.

Ademais esse início complicado no lado esquerdo defensivo, o Juventude foi competitivo e eficiente na marcação. Por outro lado, a produção ofensiva novamente foi muito baixa.

Nesse sentido, a inserção do lateral-direito Vidal na segunda linha, atrás do centroavante Elias, foi estranha. É sabido que Julinho gosta de um jogador agudo pelas beiradas, e com a prolongada presença de Caio Rangel no departamento médico, as opções são escassas (em um erro de montagem de elenco, uma vez que Caprini foi emprestado e Maikinho, seu “substituto”, sequer tem entrado nos jogos). Se o 4-2-3-1 padrão fosse mantido para o jogo contra o Brasil, até seria aceitável a presença de Vidal na ponta-direita, embora o atleta formado na base alviverde tenha sérios problemas de acabamento. No entanto, atuando por dentro como atuou, sua escalação em detrimento de Guilherme Queiróz ou Denner, por exemplo, é inconcebível.

Ainda assim, da mesma forma que o Brasil, o lado direito foi o forte do Ju no jogo, especialmente pela ótima partida de Felipe Mattioni. Também contribuiu o fato de Jair, o melhor jogador alviverde na Série B até aqui, ser bastante participativo no setor, e o lado esquerdo ter iniciado com Neuton, que raramente ultrapassa a linha da bola, Tony e Leandro Lima, que possuem perfil mais organizador e são pouco afeitos a infilitrações e jogo pelas beiradas. Da conexão entre Mattioni e Jair surgiram as melhores ocasiões do Ju, como no pênalti não marcado por Heber Roberto Lopes e na única finalização a gol do alviverde no segundo tempo, em que Denner, Mattioni e Jair conseguem uma rara triangulação que acaba no belo chute de Jair defendido por Marcelo Pitol.

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Denner arrasta o lateral-esquerdo Bruno Collaço, que quebra a última linha do Brasil, abrindo espaço para a ultrapassagem de Mattioni. Neste lado direito surgiram as melhores ocasiões do Ju no jogo.

Mas, no geral, o segundo tempo do Juventude foi bastante pobre. Denner, que entrou no lugar de Vidal, pouco produziu. Há grande expectativa em torno dele por ser um atleta que vem da base com ótimas referências, mas em um time sem retenção de bola no campo ofensivo o jovem meia tem tido dificuldades. Mais uma vez, a impressão é de que também faltou ambição para o Ju conquistar três pontos que seriam fundamentais contra um adversário que tem muitos problemas. Mesmo nos 45 minutos finais, em que teve mais posse de bola (58% a 42%**), o Brasil se limitou a levantamentos na área, onde a defesa alviverde levou vantagem quase sempre. De empate em empate, o Juventude segue com seus velhos problemas, que incomodam o torcedor e fazem o Z-4 ficar cada vez mais perto.

Fontes: SofaScore e Footstats

@NicoWagner

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